Política

“Iris foi a grande escola que os goianos e o Brasil reconhecem”

Redação DM

Publicado em 17 de novembro de 2021 às 12:55 | Atualizado há 2 anos


Iris Rezende e Ana Paula: admiração, confiança e respeito



Goiás sem Iris

A morte de Iris Rezende, aos 87 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral que o acometeu há pouco mais de três meses, no dia 6 de agosto, encerrou a biografia do mais longevo político em atividade no Estado e talvez no país.

Iris pertencia ao contingente de lideranças populares que antecedeu ao golpe de 1964, época em que já ocupava um cargo de importância: era prefeito de Goiânia, função que voltaria a ocupar por mais três vezes, a última se encerrando a 31 de dezembro do ano passado.

Como todo ser humano e todo político, teve uma vida de vitórias e derrotas. Ganhou duas eleições para o governo de Goiás, mas, em contrapartida, perdeu três, todas para Marconi Perillo – indiscutivelmente o seu maior adversário em todos os tempos.

Para senador, ganhou uma e perdeu outra. Além disso, foi vereador e deputado estadual, período em que foi escolhido também como presidente da Assembleia. Tudo isso deu a Iris uma experiência invulgar, transformada em sabedoria política e fundamento para a criação de estilo original de relacionamento com as pessoas.

Nesse sentido, Iris formulou o modelo que até hoje serve de padrão para o comportamento de todos os políticos que se seguiram à sua aparição no cenário estadual: como executivo, um construtor de obras, enquanto, no geral, uma vida simples e de íntima ligação com a população.

A questão chave é que o maior de todos os caciques da política goiana, pelo menos quanto ao tempo de exercício da sua liderança, era inimitável. Todos os que se seguiram a ele tentaram copiá-lo, mas ninguém conseguiu replicar o grande mestre.

Ao chegar em qualquer lugar, Iris fazia mais festa para as pessoas humildes, o porteiro, o segurança, a faxineira, todos os subalternos, enfim, do que para o dono da casa. Não se limitava a apertar a mão, mas abraçava para valer. E com total espontaneidade.

Foi, sem dúvida, o primeiro líder carismático da história política de Goiás. Carisma é uma palavra de difícil explicação. Significa que alguém tem em sua personalidade elementos que provocam uma empatia imediata, acima da razão e do discernimento, com pouco apelo a motivações racionais.

Trabalhou até o fim. Ele mesmo dizia que só Deus o tiraria da política e do que chamava de compromisso com o povo de Goiás, a quem costumava atribuir toda a sua movimentação no palco da história regional.



Ana Paula: “Ele vai continuar no
cabo das enxadas de cada mutirão”

Ana Paula Craveiro, filha de Iris Rezende (MDB), fez um discurso emocionado na missa de sétimo dia do pai, celebrada na noite desta segunda-feira (15), na Catedral Metropolitana de Goiânia. “Nos ensinou até seus últimos meses no hospital, sempre agradeceu a Deus. Lutou muito com a mesma coragem com que lutou pela democracia. A luta no hospital foi por amor à minha mãe, aos seus filhos e netos”, disse Ana Paula, sem conseguir segurar as lágrimas.

Ana Paula disse, durante o pronunciamento na igreja, que foi difícil escrever o discurso. “Meu pai era grande demais para ser descrito usando somente palavras. Grande de espírito, nobre nas atitudes, deixou tantos legados, conquistas, admiradores, amor. Pra mim era impossível imaginar que alguém como ele um dia iria partir.” Para ela, porém, Iris continua “em cada canto do estado, no cabo das enxadas de cada mutirão”.

A filha ainda contou que o pai, na última vez em que falou com o filho, Cristiano Rezende, disse que em breve estariam todos juntos. “Ele estava certo, em breve estaremos todos juntos.”

Ana Paula esteve ao lado de Iris Rezende durante todo o período – 93 dias – de internação no Instituto Neurológico de Goiânia e no hospital Vila Nova Star, em São Paulo, na expectativa de que o pai tivesse alta para se recuperar em casa.



Iris Rezende e Ana Paula: admiração, confiança e respeito



Goiás sem Iris

A morte de Iris Rezende, aos 87 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral que o acometeu há pouco mais de três meses, no dia 6 de agosto, encerrou a biografia do mais longevo político em atividade no Estado e talvez no país.

Iris pertencia ao contingente de lideranças populares que antecedeu ao golpe de 1964, época em que já ocupava um cargo de importância: era prefeito de Goiânia, função que voltaria a ocupar por mais três vezes, a última se encerrando a 31 de dezembro do ano passado.

Como todo ser humano e todo político, teve uma vida de vitórias e derrotas. Ganhou duas eleições para o governo de Goiás, mas, em contrapartida, perdeu três, todas para Marconi Perillo – indiscutivelmente o seu maior adversário em todos os tempos.

Para senador, ganhou uma e perdeu outra. Além disso, foi vereador e deputado estadual, período em que foi escolhido também como presidente da Assembleia. Tudo isso deu a Iris uma experiência invulgar, transformada em sabedoria política e fundamento para a criação de estilo original de relacionamento com as pessoas.

Nesse sentido, Iris formulou o modelo que até hoje serve de padrão para o comportamento de todos os políticos que se seguiram à sua aparição no cenário estadual: como executivo, um construtor de obras, enquanto, no geral, uma vida simples e de íntima ligação com a população.

A questão chave é que o maior de todos os caciques da política goiana, pelo menos quanto ao tempo de exercício da sua liderança, era inimitável. Todos os que se seguiram a ele tentaram copiá-lo, mas ninguém conseguiu replicar o grande mestre.

Ao chegar em qualquer lugar, Iris fazia mais festa para as pessoas humildes, o porteiro, o segurança, a faxineira, todos os subalternos, enfim, do que para o dono da casa. Não se limitava a apertar a mão, mas abraçava para valer. E com total espontaneidade.

Foi, sem dúvida, o primeiro líder carismático da história política de Goiás. Carisma é uma palavra de difícil explicação. Significa que alguém tem em sua personalidade elementos que provocam uma empatia imediata, acima da razão e do discernimento, com pouco apelo a motivações racionais.

Trabalhou até o fim. Ele mesmo dizia que só Deus o tiraria da política e do que chamava de compromisso com o povo de Goiás, a quem costumava atribuir toda a sua movimentação no palco da história regional.



O governador Ronaldo Caiado participou, afirmou, durante entrevista à imprensa, após celebração de missa de 7º dia, segunda-feira (15), de morte de Iris Rezende que o ex-prefeito de Goiânia e ex-governador foi a grande escola que os goianos e o Brasil reconhecem. “Continuaremos com a boa lembrança de um homem que promoveu o bem-estar das pessoas. Foi um líder que nunca fugiu do povo”, destacou. A celebração, presidida pelo arcebispo Dom Washington Cruz, reuniu familiares e amigos do emedebista.

Desde que o ex-prefeito de Goiânia sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), no último mês de agosto, o governador esteve por diversas vezes no hospital, em Goiânia e em São Paulo. Diariamente, acompanhava a família de Iris Rezende e o estado de saúde do companheiro de vida pública. “A falta dele é significativa e imensurável”, declarou Caiado. Iris faleceu no último dia 8, devido a uma pneumonia.

O governador disse, também, que nutria a esperança de que Iris Rezende se recuperaria a tempo de participar do mutirão em sua homenagem, organizado pelo Governo de Goiás, nos dias 20 e 21 de novembro, na Praça da Feira do Setor Morada do Sol, Região Noroeste de Goiânia. “Os goianos e o Brasil reconhecem o que ele representou para a política da transparência, do respeito aos poderes constituídos, ao cidadão e ao dinheiro público”, destacou Caiado.

O legado do ex-governador e ex-prefeito de Goiânia foi lembrado pelo arcebispo metropolitano de Goiânia, Dom Washington Cruz, durante a homilia da missa. “Iris foi preenchido pela esperança e pelo desejo de realização”, disse. “Foram 87 anos vividos intensamente, com muito trabalho e profundo amor pelo Brasil”, disse Dom Washington. “É o filho desta pátria que não fugiu à luta. Por isso, o nome dele se escreve para sempre na história. Ele traduz a força identitária que assinala e torna conhecido o povo goiano”, destacou.

Cabo da enxada
No final da missa, emocionada e ao lado da mãe, Dona Iris, a filha do ex-prefeito de Goiânia, Ana Paula Rezende Machado Craveiro, subiu ao altar e fez uma homenagem ao pai. “Ele vai continuar no cabo das enxadas de cada mutirão”, ressaltou. Lembrou a trajetória do pai, agradeceu ao carinho das pessoas e disse que foi um “homem nutrido pela fé”. Também afirmou que Iris “lutou pela vida com a mesma coragem com que lutou pela democracia”.

O amigo, ex-secretário e companheiro de partido de Iris Rezende, Paulo Ortegal, também rendeu homenagens. Em entrevista, ele disse que a morte do emedebista deixa uma lacuna na política goiana.

Iris Rezende nasceu em Cristianópolis (GO), em 1933. Na década de 1940 mudou-se com a família para Goiânia. Formou-se em Direito e ingressou na política nos anos 1950. Ao longo de mais de seis décadas dedicado à vida pública, ocupou cargos de vereador, deputado estadual, prefeito, senador e governador. Também foi ministro da Agricultura no governo de José Sarney e da Justiça durante o de Fernando Henrique Cardoso.



Ana Paula: “Ele vai continuar no
cabo das enxadas de cada mutirão”

Ana Paula Craveiro, filha de Iris Rezende (MDB), fez um discurso emocionado na missa de sétimo dia do pai, celebrada na noite desta segunda-feira (15), na Catedral Metropolitana de Goiânia. “Nos ensinou até seus últimos meses no hospital, sempre agradeceu a Deus. Lutou muito com a mesma coragem com que lutou pela democracia. A luta no hospital foi por amor à minha mãe, aos seus filhos e netos”, disse Ana Paula, sem conseguir segurar as lágrimas.

Ana Paula disse, durante o pronunciamento na igreja, que foi difícil escrever o discurso. “Meu pai era grande demais para ser descrito usando somente palavras. Grande de espírito, nobre nas atitudes, deixou tantos legados, conquistas, admiradores, amor. Pra mim era impossível imaginar que alguém como ele um dia iria partir.” Para ela, porém, Iris continua “em cada canto do estado, no cabo das enxadas de cada mutirão”.

A filha ainda contou que o pai, na última vez em que falou com o filho, Cristiano Rezende, disse que em breve estariam todos juntos. “Ele estava certo, em breve estaremos todos juntos.”

Ana Paula esteve ao lado de Iris Rezende durante todo o período – 93 dias – de internação no Instituto Neurológico de Goiânia e no hospital Vila Nova Star, em São Paulo, na expectativa de que o pai tivesse alta para se recuperar em casa.



Iris Rezende e Ana Paula: admiração, confiança e respeito



Goiás sem Iris

A morte de Iris Rezende, aos 87 anos, vítima de um Acidente Vascular Cerebral que o acometeu há pouco mais de três meses, no dia 6 de agosto, encerrou a biografia do mais longevo político em atividade no Estado e talvez no país.

Iris pertencia ao contingente de lideranças populares que antecedeu ao golpe de 1964, época em que já ocupava um cargo de importância: era prefeito de Goiânia, função que voltaria a ocupar por mais três vezes, a última se encerrando a 31 de dezembro do ano passado.

Como todo ser humano e todo político, teve uma vida de vitórias e derrotas. Ganhou duas eleições para o governo de Goiás, mas, em contrapartida, perdeu três, todas para Marconi Perillo – indiscutivelmente o seu maior adversário em todos os tempos.

Para senador, ganhou uma e perdeu outra. Além disso, foi vereador e deputado estadual, período em que foi escolhido também como presidente da Assembleia. Tudo isso deu a Iris uma experiência invulgar, transformada em sabedoria política e fundamento para a criação de estilo original de relacionamento com as pessoas.

Nesse sentido, Iris formulou o modelo que até hoje serve de padrão para o comportamento de todos os políticos que se seguiram à sua aparição no cenário estadual: como executivo, um construtor de obras, enquanto, no geral, uma vida simples e de íntima ligação com a população.

A questão chave é que o maior de todos os caciques da política goiana, pelo menos quanto ao tempo de exercício da sua liderança, era inimitável. Todos os que se seguiram a ele tentaram copiá-lo, mas ninguém conseguiu replicar o grande mestre.

Ao chegar em qualquer lugar, Iris fazia mais festa para as pessoas humildes, o porteiro, o segurança, a faxineira, todos os subalternos, enfim, do que para o dono da casa. Não se limitava a apertar a mão, mas abraçava para valer. E com total espontaneidade.

Foi, sem dúvida, o primeiro líder carismático da história política de Goiás. Carisma é uma palavra de difícil explicação. Significa que alguém tem em sua personalidade elementos que provocam uma empatia imediata, acima da razão e do discernimento, com pouco apelo a motivações racionais.

Trabalhou até o fim. Ele mesmo dizia que só Deus o tiraria da política e do que chamava de compromisso com o povo de Goiás, a quem costumava atribuir toda a sua movimentação no palco da história regional.


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