Política

A revoada dos tucanos para a base governista

Redação DM

Publicado em 25 de outubro de 2021 às 11:20 | Atualizado há 5 anos

Uma nova crise começa a rondar o PSDB, em Goiás, após a legenda colher os piores resultados nas urnas em 2018 e 2020. Depois de encolher no parlamento estadual e federal, além dos insucessos para governador, senador e prefeitos, a antiga base aliada, hoje oposicionista, regulada e modulada pelo ex-governador Marconi Perillo (PSDB), sofre agora os efeitos de uma anemia ainda mais profunda: as brigas intestinas, que muitas vezes deixam mais mágoas do que soluções, além dos prejuízos eleitorais.

O PSDB comandou o estado por 16 anos, sem contar o governo Alcides Rodrigues (PP), aliado político. Era hegemônico no Congresso (três senadores e dez dos 17 deputados federais goianos), além de grande número de prefeitos estado afora.

O “deblaque” tucano começou em 2018, com a derrota sofrida em todos os níveis das eleições – José Eliton ficou em terceiro lugar na corrida ao Palácio das Esmeraldas e Marconi Perillo em quinto na disputa por duas vagas ao Senado.

Uma das perdas do tucanato foi a renúncia do ex-prefeito de Trindade à presidência da executiva estadual, com a consequente desfiliação do PSDB.
Pouco depois foi a vez do ex-deputado estadual Jean Carlo afirmar que o PSDB é uma “panelinha”. O tucano atacou diretamente Jayme Rincón, homem forte do partido em campanhas e ex-auxiliar do governador José Eliton: “Eliton não deveria ter sido candidato e muito menos ter colocado como tesoureiro (Rincón) de campanha uma pessoas com problemas na Justiça”, disse Jean Carlo.

Nos municípios já ocorreram debandadas de vários tucanos, que buscam partidos com menos problemas para tentarem a reeleição. A erupção nas cidades merece um capítulo à parte. Dos 20 prefeitos eleitos em 2020, quase dez já anunciaram contrariedade com o partido, entre eles Naçoitan Leite, de Iporá, e Carlão da Fox, de Goianira.

Na Câmara Municipal de Goiânia, os tucanos perderam dois quatros significativos, em 2019: Anselmo Pereira e Dra. Cristina Lopes. “O partido hoje é só problema. Envelheceu rápido. Vou tentar só mais essa vez”, diz, com pedidos encarecidos de sigilo da fonte.

Incertezas
O ex-governador Marconi Perillo (PSDB) não sabe qual rumo tomar em relação às eleições de 2022, diante do cenário político a que foi submetido desde os fracassos eleitorais de 2018 e 2010.

Só para lembrar: nas eleições e 2028, José Eliton, governador do estado, candidato à reeleição, ficou em terceiro lugar, atrás de Ronaldo Caiado (DEM), o vencedor, e de Daniel Vilela (MDB), quase perdendo para Kátia Maria (PT). Aliás, em Aparecida de Goiânia, segundo maior colégio eleitoral do estado, José Eliton perdeu até para Kátia Maria.

Naquele pleito, Marconi Perillo, de favorito no início do ano, perdeu as eleições para duas vagas ao Senado, ficando em quinto lugar, atrás até do empresário e ex-senador Wilder Morais (PSC).

De 17 vagas de deputado federal, o PSDB elegeu conquistou apenas uma: Célio Silveira. De 41 cadeiras para a Assembleia Legislativa, os tucanos elegeram apenas seis.

Já nas eleições municipais de 2020, novo fracasso nas urnas: de 55 prefeituras, o PSDB viu o seu quantitativo ser reduzido para 20, de um universo de 246 existentes no estado.

Os ex-governadores Marconi Perillo e José Eliton têm que se preocupar, também, com defesas em denúncias formuladas pelos Ministérios Público Federal e Estadual, de improbidade administrativa, como uso ilegal de caixa dois em campanhas eleitorais.

Nas conversas com aliados políticos, Marconi Perillo confessa não saber o que fazer em 2022: com semblante fechado, costuma dizer: “Tenho cinco alternativas, não ser candidato a nada, a deputado estadual, a deputado federal, senador ou a governador”. Nos bastidores, sabe-se que Perillo pensa mesmo em concorrer à Câmara Federal.

Mais uma preocupação de Marconi Perillo: sem coligações partidárias e agora com a chamada federação, o PSDB terá que acatar a decisão que for tomada sobre alianças pela direção nacional. E isso poderá dificultar a sua vitória para a Câmara Federal.

Como presidente em exercício dom PSDB, Marconi Perillo tem encontrado empecilhos na tentativa de formar chapa proporcional – Câmara Federal e Assembleia Legislativa -, já que não há quadros competitivos no partido no interior do estado. Grande parte da militância se afastou do partido, após os revés eleitorais de 2018 e 2020.

Desmotivação
Marconi Perillo e José Eliton, as principais lideranças estaduais do PSDB goiano, constatam uma “desagradável realidade”; a ausência da militância tucana. Isso ocorreu durante os encontros regionais de Valparaiso de Goiás, Posse e Uruaçu, já que raras ou poucas lideranças municipais apareceram para aplaudir os cardeais tucanos.

No caso de Uruaçu, houve maior número de membros do PSDB. Motivo: a cidade é administrada por Valmir Pedro, filiado ao PSDB, que arregimentou servidores comissionados para o encontro.

As defecções de quadros importantes do PSDB também desmotivam ainda mais os cardeais do partido. Prefeitos e parlamentares anunciam, com frequência, desfiliação do PSDB, com ingresso no DEM em apoio à reeleição do governador Ronaldo Caiado.

Sem pespectiva de lançar nome competitivo às eleições majoritárias – governador e senador – Perillo e Eliton buscam alternativas. Eliton propôs aliança do PSDB com o PT em apoio à campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, mas foi desautorizado por Perillo. O ex-governador está rompido com Lula desde o Mensalão (corrupção) do PT e a CPI do Cachoeira (corrupção).

Perillo tenta se aproximar do prefeito de Aparecida de Goiânia que deixou o MDB por discordar da aliança do partido com o DEM caiadista. Entretanto, em razão dos desgastes políticos dos tucanos, Mendanha evita diálogo com Perillo, o que tem irritado o dirigente e ex-governador tucano.
Até a inexpressiva candidatura do ex-prefeito de Trindade Jânio Darrot (ex-presidente do próprio PSDB estadual), tráz desconforto aos tucanos: Jorcelino Braga, presidente estadual do Patriota, veta qualquer aproximação com os tucanos de Goiás.

Tucanos em convulsão
Marconi Perillo – ex-governador, após ficar em quinto lugar na disputa por duas vagas ao Senado, em 2018, afastou-se de Goiás e migrou para São Paulo, onde foi prestar consultoria à Companhia Siderúrgica Nacional (CNS). Retornou este ano ao estado, assumiu interinamente a presidência do PSDB e deve disputar mandato à Câmara Federal.

José Eliton – Ex-governador, após a derrota na disputa pelo governo de Goiás em 2018, retirou-se das atividades partidárias, dedicando-se ao escritório de advocacia, em Goiânia. Voltou este ano como presidente da executiva estadual do PSDB, mas não pensa em disputar mandato eletivo.
l Célio Silveira – Único deputado federal do PSDB goiano, admitiu, logo após as eleições de 2018, desfiliar-se da legenda, decepcionado com as derrotas sofridas pelo partido e pelas divisões internas. Vai trocar o ninho tucano pelo DEM (União Brasil) ou MDB.

Jânio Darrot – Diante do esvaziamento que sofreu no comando do PSDB de Goiás, principalmente em relação à aplicação do fundo partidário e de composição dos diretórios municipais e alianças eleitorais, decidiu renunciar à presidência. Trocou o PSDB pelo Patriota

Diego Sorgatto – Deputado estadual decidiu não seguir as orientações da direção estadual e da liderança do PSDB na Assembleia Legislativa e aderiu à base do governo Caiado. Em 2020, filiou-se ao DEM e disputou a prefeitura de Luziânia, sendo o vencedor.

Tião Caroço – Deputado estadual deixou o PSDB e aderiu à base de apoio do governo Caiado na Alego. Filiou-se ao DEM.

Francisco de Oliveira – Deputado estadual anuncia desfiliação do PSDB para ingressar no DEM (União Brasil) e já incorporado à base do governo Caiado na Alego.

Talles Barreto – Deputado estadual que também se desliga do PSDB para integrar a base governista na Alego.

Jean Carlo – Ex-deputado estadual afirmou que o PSDB é o que ele sempre combateu: um partido de “panelinha”. Ele disputou, em 2018, mandato de deputado federal e ficou na primeira suplência da coligação liderada pelo PSDB, o que o tem levado a fazer ataques ao partido e aos líderes maiores.

Anselmo Pereira – Vereador detentor de nove mandatos em Goiânia deixou o PSDB. Ele questionou a capacidade do partido formar chapa competitiva às eleições para vereador em Goiânia. Foi reeleito pelo MDB

Dra. Cristina Lopes – Vereadora por dois mandatos à Câmara Municipal de Goiânia trocou o PSDB pelo PL para concorrer à prefeitura nas eleições deste ano. Ela se queixou, em 2019, que o partido não abria espaço para as novas lideranças.

Naçoitan Leite, prefeito de Iporá – Abandonou o PSDB para buscar abrigo na base do governador Ronaldo Caiado.

Carlão da Fox, prefeito de Goianira

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