Cotidiano

Dia mundial da paralisia cerebral: o que a sociedade precisa saber

Redação DM

Publicado em 5 de outubro de 2021 às 19:14 | Atualizado há 5 anos


Nesta quarta-feira, 6, é celebrado o Dia mundial da Paralisia Cerebral, um distúrbio congênito de movimentação, tônus muscular ou postura. Segundo o Hospital Israelita Albert Einstein, a paralisia é comum no Brasil, com cerca de 150 mil casos por ano.

A data foi idealizada pela World Cerebral Palsy (Paralisia cerebral mundial), que é um movimento de pessoas portadoras da Paralisia Cerebral e seus familiares, presentes em mais de 75 países no intuito de garantir os mesmos direitos e oportunidades dos pacientes em relação a população em geral.

No mundo, 17 milhões de pessoas vivem com Paralisia Cerebral (PC) e 350 milhões estão intimamente ligadas a uma criança ou um adulto com o distúrbio.

Embora a medicina tenha avançado nos últimos tempos, não existe uma cura, mas sim um tratamento que envolve uma equipe multiprofissional, incluindo médicos especialistas na área da neurologia, fisioterapeuta, nutricionista, oftalmologista, fisiatra, fonoaudiólogo, educador físico e, para garantir uma vida estável, um psicólogo especializado em neuropsicologia e reabilitação.

O Diário da Manhã entrevistou a psicóloga especialista em Neuropsicologia e Terapia Cognitivo Comportamental, Maria do Socorro Pires da Silva Morais, que afirma que quanto mais cedo o diagnóstico, melhor é o tratamento, além dos cuidados a serem tomados com os pacientes, confira.

Quais são as causas da paralisia cerebral?

Vários fatores estão envolvidos na gênese da Paralisia Cerebral, tais como: fatores pré-natais (infecções congênitas, falta de oxigenação) perinatais (anóxia neonatal, eclâmpsia), pós-natais (infecções, traumas). Sendo que a severidade do quadro está associada às limitações das atividades e com a presença de comorbidades. 

Quais os sintomas iniciais e o que fazer quando houver suspeita?

A paralisia cerebral é caracterizada por um grupo de desordens permanentes que acometem o desenvolvimento cerebral do feto ou da criança, podendo apresentar limitações no perfil de funcionalidade da pessoa. As suspeitas ocorrem na primeira infância, antes dos 18 meses de idade. O diagnóstico é definido com base na clínica por especialista, geralmente o neuropediatra, ou pediatra, tendo com primeiras alterações, o movimento e a postura, alterações no tônus como a intensidade e velocidade do movimento de braços, pernas, pescoço e tronco. A presença destes padrões atípicos auxilia no diagnóstico precoce na tentativa de propiciar acompanhamentos contínuos com equipe multidisciplinar, para minimizar as sequelas e as limitações impostas a esses pacientes, portanto é preciso manter as consultas de rotina e procurar por especialista caso a curva de desenvolvimento que é descrita no cartão da criança, apresente algumas destas alterações.

Quais as formas em que a paralisia cerebral pode se apresentar na criança?

As formas de apresentação podem ser divididas de acordo com a característica clínica: Sendo tipo espástico, discinético e atáxico. Na PC tipo espástico os sintomas de tônus elevado são mais aparentes e é caracterizada por aumento dos reflexos. No tipo discinético apresenta movimentos e posturas atípicas e no tipo atáxico é caracterizado por dificuldade na coordenação do movimento. Essas sequelas podem variar em maior ou menor grau, que vão desde déficits de aprendizagem, até limitações motoras relativas a capacidade de autonomia, como se alimentar, tomar banho, pegar objetos, se locomover, mudar de roupa, etc. Podem ocorrer limitações na visão, audição, tato e na capacidade de interpretar informações sensoriais. Em consequência dos distúrbios primários cerebrais, os secundários acabam sendo restringidos, como é o caso do aprendizado por experiências sensório-perceptuais e cognitivas.

Como é feito o tratamento com pacientes que tem essa deficiência?

Devido a variedade de sequelas, as pessoas com PC , necessitam de apoio através da rede de cuidados, geralmente uma equipe de saúde multidisciplinar, atrelada aos cuidados da família. Esses cuidados vão desde a assistência à saúde física, por médicos especializados, até a estimulação em fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e terapeuta ocupacional.

Qual o papel da psicologia no tratamento da paralisia cerebral? Quais as estratégias são utilizadas?

Em primeiro lugar o ideal é que seja um psicólogo capacitado no trabalho com esse público, de preferência com formação em Neuropsicologia e Reabilitação. Geralmente iniciamos o trabalho através da avaliação de rastreio do perfil cognitivo e comportamental do paciente coma finalidade de identificação de limitações e potencialidades. Através da avaliação podemos contribuir com a equipe multidisciplinar, ajudando a pautar as ações terapêuticas, podemos promover a inclusão escolar, assim como podemos trabalhar a conduta e orientação parental e familiar. Podemos realizar intervenções baseadas em evidências para habilitação/reabilitação das competências cognitivas e habilidades sócio-afetivas, promover a autonomia, habilidade de comunicação. Assim como, acompanhar o curso desse desenvolvimento longitudinalmente na evolução das intervenções terapêuticas.

O que a sociedade ainda não sabe mas deveria entender sobre a PC para se conscientizar melhor no dia mundial dedicado à este distúrbio?



  • A sociedade necessita de se manter alerta quando aos sinais e ao diagnóstico. Visto que quanto mais precoce for, melhores serão as possibilidades de minimizar o impacto das sequelas;
  • A família deve manter as visitas ao pediatra, assim como manter o quadro vacina em dia;
  • Deve promover acompanhamento específico através das redes de assistência, em cada fase da vida destas pessoas, contribuindo para sua saúde física, mental e desenvolvimento da sua autonomia e inclusão.



O Dia Mundial da Paralisia Cerebral uma data comemorativa, mas é necessário que toda a população se conscientize e promova mudança social e educação em prol de quem possui o distúrbio, com ações e resultados concretos que provoquem mudanças positivas na vida das pessoas com PC. Tudo isso com a finalidade de criar uma sociedade mais inclusiva e consciente.


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