Interior levado a sério
Redação DM
Publicado em 28 de junho de 2021 às 12:29 | Atualizado há 5 anos
No dia 13 de março um morador de Uruaçu procurou o governador Ronaldo Caiado, que estava no município. Ele chegou próximo do gestor e declarou que dificilmente acredita em político. Por ser do interior, “acreditava menos ainda”. Mas (para ele) Caiado mudou sua forma de pensar, com algo paradoxal: governar justamente para o interior. A sensação é de que o interior goiano esteve abandonado por décadas. E quando não estava abandonado, era enrolado por práticas jâ folclóricas, como festa de inauguração que horas depois, como a carruagem de Cinderela, voltava a ser abóbora.
“Inauguraram este hospital de Uruaçu umas cinco vezes”, diz o morador. Agora, o Hospital do Centro-Norte funciona com 68 UTIs. Neste dispasão, o governador lançou o programa Goiás em Movimento-Eixo Pontes em maio, engrossando um projeto que iniciou com a regionalização da saúde e construção de moradias.
Ao assumir o mandato em 2019, alguns auxiliares chegaram a sugerir uma secretaria para o interior. Mas o governador explicou que, além de antiquada uma secretaria para o interior, “todas” as secretarias deveriam se engajar com as cidades goianas.
Caiado ordenou por exemplo que a Goinfra (Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes) surpreenda os moradores, entregando obras necessárias, mas adormecidas no imaginário da população, que simplesmente cansou de esperar.
Foi assim no sudoeste goiano. Ele colocou fim à espera de 58 anos e inaugurou, em 6 de maio, no município de Caçu, a ponte sobre o Córrego Cachoeirinha, na GO-306, entre o fim do perímetro urbano e o entroncamento com a GO-178. Com oito metros de extensão e construída com vigas pré- -moldadas, a estrutura recebeu investimentos estaduais de mais de R$ 284 mil. Somados a intervenção para elevação de trechos da rodovia e o bueiro no Córrego do Macuco, as benfeitorias somarão R$ 1 milhão.
“Muitos não sabem a importância humanitária que essa obra tem na qualidade de vida dos moradores da região do Sapé”, diz. As pontes que começaram a ser inauguradas possibilitam o encontro de comunidades separadas, economiza gastos com deslocamentos, agita a economia, facilita transporte de estudantes.
É o essencial para dar dignidade aos moradores. O mesmo tem ocorrido com a saúde. Caiado abriu centenas de UTIs nas cidades e investiu no modelo das policlínicas, uma promessa de campanha que iniciou a guinada rumo ao interior.
Caiado achava absurdo goianos morrerem no deslocamento de suas cidades até as UTIs das capitais. Minutos economizados no atendendo podem significar a diferença entre vida e morte.
A meta do governador é limpar a imagem do passado da gestão pública, de convênios leitorais e jogadas manjadas para criar falsas expectativas. Ele usa o problema da pavimentação como exemplo: quando assumiu, em 2019, rodovias de Goiás apareciam na liderança das “Piores do Brasil”. Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) desqualificava o asfalto produzido em Goiás.
Caiado exigiu rodovias de Goiás com “padrão DNIT”, infinitamente superior ao modelo do “Rodovida”, exportado de Minas Gerais e que quase deixou loucos os motoristas que por elas transitavam. Também proibiu inaugurações de obra inacabada. No lugar da festa falsa das inaugurações, acelerou as inspeções de obras para incentivar que a equipe técnica acelere as intervenções.