Cotidiano

Índices bioeconômicos revolucionam seleção de raças britânicas de corte

Redação DM

Publicado em 28 de agosto de 2018 às 00:58 | Atualizado há 8 anos

A Associação Nacional de Cria­dores Herd-Book Collares (ANC), por meio do Programa de Me­lhoramento de Bovinos de Car­ne (Promebo), lançou ontem, durante coletiva de imprensa no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, o novo Índice Bioeco­nômico de Carcaça (IBC). O inde­xador – desenvolvido em parce­ria com a Embrapa Pecuária Sul – é a grande novidade dos Sumá­rios de Touros 2018/2019, que se­rão lançados também ontem du­rante evento às 18h no estande da ANC na feira. O novo índice per­mite avaliação de desempenho dos reprodutores quanto à capa­cidade de produzir descendentes com alta probabilidade de enqua­dramento em programas de car­ne premium e, por consequência, maior remuneração pela indús­tria frigorifica. Para isso, o pro­grama deu início à avaliação de descendentes puros e, em um fu­turo próximo, analisará animais meio-sangue. “É uma mudança no conceito de melhoramento, com viés mais voltado para os ga­nhos econômicos dentro e fora da porteira. Esses indexadores são o futuro da pecuária nacional”, pon­tuou o presidente da ANC, Igna­cio Tellechea. O projeto terá iní­cio com animais Angus e Brangus, mas a meta é estender a ação a todas as raças que têm seus re­banhos avaliados pelo Promebo.

O Índice Bioeconômico de Carcaça foi desenvolvido por meio de um modelo estatísti­co que relaciona as característi­cas de crescimento dos animais com suas medidas obtidas por ultrassonografia in vivo e com os resultados de medições de seus descendentes. Segundo o pes­quisador da Embrapa Pecuária Sul, Fernando Cardoso, o índice representa o valor em reais (R$) agregado nas carcaças dos filhos de um determinado reprodutor em relação a um touro médio da raça. Neste ano, 2,2 mil touros (en­tre animais adultos e jovens) ti­veram avaliação de IBC tabulada no Promebo e a tendência é que esse número aumente exponen­cialmente nos próximos anos. “A grande vantagem é que o criador tem chance de escolher genética taurina com foco em agregar valor aos terneiros”, salientou. Segun­do Cardoso, o touro líder em IBC do Sumário da ANC 2018/2019, por exemplo, tem capacidade de gerar terneiros 6% mais va­lorizados do que a média.

A ideia é que o índice sirva para embasar decisões de sele­ção do criador que busca produ­zir genética com foco no merca­do de carne premium e também auxiliar o produtor de terneiros que, por meio de inseminação artificial, busca sêmen para ob­ter rebanhos mais carniceiros e de valor diferenciado. A coorde­nadora do Promebo, Fernanda Kuhl, informa que o novo inde­xador não representa custo adi­cional aos criadores, mas traz ga­nhos inestimáveis aos rebanhos. “É uma nova forma de ver a sele­ção de bovinos de corte, com foco no mercado”, pontuou.

O índice funcionará da se­guinte forma: para um touro A com índice de R$ 60,00 se espera que as carcaças de seus filhos te­nham um valor agregado médio de R$ 60,00, quando comparado à média dos rebanhos. Contudo, é importante que as compara­ções para fins de acasalamento levem em conta as diferenças en­tre animais. Assim, se um Touro B tem índice de R$ 20,00, as carca­ças dos filhos do Touro A valerão em média R$ 40,00 a mais que os filhos do touro B (R$60,00– R$20,00 = R$40,00) quando en­tregues ao frigorífico.

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia