“Estamos vivendo uma fase de angústia”, diz general
Redação DM
Publicado em 23 de agosto de 2018 às 02:08 | Atualizado há 1 ano
Durante reunião com empresários na sede do Sincopeças, no Setor Campinas, o general reformado Augusto Heleno, 70, criticou a “teoria socialista bolivariana”. Em entrevista exclusiva ao Diário da Manhã, ele disse que os problemas do Brasil precisam ser discutidos com formadores de opinião e frisou que medidas para solucionar esses impasses têm de vir acompanhadas de ações à direita. “Estamos vivendo uma fase de angústia”, afirma. O militar disse que sua função nos últimos tempos tem sido a de provocar discussões. “Temos alguns pontos incontornáveis que precisam ser abordados”.
Com poucas cadeiras vazias no auditório Antônio Passaglia e quase sem diversidade de gênero e etnia, a conversa foi ministrada por militares que aproveitaram o momento para saudar a candidatura de Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, que é vista como alternativa de renovação na política brasileira. “Minha visão é que devemos determinar que governo queremos”, diz ao DM o presidente do Sindipeças, Maurício Ribeiro de Paiva. “Além disso, é importante salientar que o País precisa nesse momento de mais patrões, que são responsáveis por gerar emprego, e menos Estado, que precisa ser enxugado”, frisa o empresário.
Adepto da ideologia do candidato de extrema direita, o coronel Marcelo Villa Nova destacou que é preciso haver renovação na política brasileira. Segundo ele, a presença do general reformado Augusto Heleno joga luz ao debate acerca de questões que estão sendo importantes na corrida eleitoral, além de servir para traçar estratégias em um momento onde é preciso trazer “esperança para que as coisas melhorem”. “Precisamos de renovação”, diz o militar, reforçando a necessidade de mudança. “Nada melhor do que o general Augusto, que é um profundo conhecedor de nossos problemas”.
Cotado para ser vice na chapa de Jair Bolsonaro, o general reformado se tornou conhecido por tecer críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos últimos meses. De acordo com ele, o momento pelo qual o País passa necessita que assuntos como saúde, educação e segurança sejam discutidos. “Vejo com muita preocupação as decisões que são tomadas apenas para o Lula. O que foge de lei é manobra, é artifício, conchavo para favorecer a candidatura de um condenado em segunda instância”, disse em maio. O militar da reserva é visto por muitos como um dos principais aliados do presidenciável direitista.
O militar, que já declarou publicamente apoio a Bolsonaro, todavia, disse que as Forças Armadas estão – ao contrário de 1964–“vacinadas” e não pretendem tomar o poder. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo concedida em maio deste ano, ele reconheceu que a instituição “se sente ‘lisonjeada’ pela credibilidade”, mas possui “plena consciência” de que o caminho não se dê pela via da intervenção militar, e sim por meio do voto democrático. Já durante a reunião, que o DM acompanhou anteontem, o general deixou claro que seu objetivo era falar sobre as incertezas em relação aos temores que assolam a população brasileira.
Bolsonaro e o general reformado se conheceram nos anos 70 na Academia Militar das Agulhas Negras, no interior do Rio de Janeiro. O militar da reserva era tenente e o candidato, cadete. Foi comandante das Forças de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) no Haiti e comandante militar da Amazônia durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas teve várias divergências com o petista sobre a demarcação de terras indígenas.
CRÍTICAS
O general reformado Augusto Heleno ganhou os holofotes por conta das duras críticas à política indigenista de Lula e ao Bolsa Família. Segundo o militar, as medidas foram responsáveis por criar uma geração de “pais vagabundos”, que em sua concepção não servem de exemplo aos filhos. Classificou também o Mercosul como tratado bolivariano. Suas ideias conservadoras tiveram eco na campanha presidencial passada, quando militares chegaram a criar o movimento “general Heleno presidente”, cujo objetivo era inseri-lo na disputa presidencial.
Tido como um dos principais responsáveis pelo programa de Jair Bolsonaro na área de segurança pública, o militar é um dos cotados para ocupar o Ministério da Defesa. No mês passado, o pré-candidato do PSL afirmou que o general tem perfil adequado para chefiar esse ministério.

Vejo com muita preocupação as decisões que são tomadas apenas para o Lula. O que foge de lei é manobra, é artifício, conchavo para favorecer a candidatura de um condenado em segunda instância”General Augusto Heleno