Cortes orçamentários na educação preocupam reitor
Redação DM
Publicado em 23 de agosto de 2018 às 00:38 | Atualizado há 8 anos
Os cortes orçamentários, previstos na Emenda Constitucional 95 (EC 95), serão prejudiciais ao ensino superior, segundo o reitor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madureira Brasil, na solenidade de diplomação de formandos de oito cursos ligados à Engenharia. A entrega dos diplomas ocorreu, à noite passada, no auditório Centro de Cultura e Eventos. Ao ato compareceu mais de cinco mil familiares dos concluintes dos cursos de Engenharias Civil, Computação, Elétrica, Mecânica, Ciências da Computação, de Softwares e Sistemas de Informação.
Edward Madureira discorreu em seu discurso sobre o que considera travas impostas pela lei do teto de gastos (Emenda Constitucional 95) para o crescimento da educação: “Não haverá um novo país sem investimento na educação”, acusou, lamentando que há pessoas nos poderes Executivo e Legislativo propondo esses cortes. Conforme o reitor, amarras no Orçamento da União, previstos a partir do próximo ano, “impedirão que formaturas como estas desta noite ocorram em 2019”. Em sua visão, os tempos atuais são difíceis, mas a educação significa investimento. Dá retorno à sociedade e ao País.
EDUCAÇÃO É INVESTIMENTO
Para Madureira, um engenheiro agrônomo que dirigiu a Faculdade de Agronomia da UFG, em decorrência dos investimentos anteriores, os cursos dobraram na universidade. E discorreu sobre os desafios a partir de 2017. Das então 3.600 vagas atualmente são mais de sete mil, praticamente dobradas em quatro anos. Dos 13 mil estudantes, hoje são 29 mil, dos dez cursos de doutorado, na atualidade o quadro se compõe de 40 cursos.
Conforme o reitor Edward Madureira, “a história se repete no Brasil como um todo”. São mais de um milhão de novas matrículas, observa, abrangendo mais de 300 municípios. Para Madureira, qualquer alteração na proposta orçamentária para reduzir gastos na educação, significa impedir o desenvolvimento e avanços tecnológicos ao País. “Ninguém pode impedir a nossa garra e os nossos esforços para não comprometer o que temos feito nem correremos riscos em decorrência do baixo orçamento ao ensino superior”, discorreu sobre aplausos da massa presente.
A universidade é responsável pelos avanços nas ações de pesquisa que resultam na implantação de novas tecnologias. A universidade pratica, ainda, inclusão social sem precedentes. “Por isso, os filhos dos pobres estão sendo formados aqui hoje”, apontou o reitor em seu emocionado discurso. Conforme ele, fazendo uma reflexão, “96% dos jovens não poderiam estar participando de formaturas hoje”, caso a UFG estivesse sobre o crivo dos cortes orçamentários anteriormente.
Na realidade, o ensino particular está impraticável para os pobres. Aliás, 130 novos profissionais encontram-se aptos a partir de hoje nas áreas de engenharia submetidos ao desafio de um mercado que sofre paralisia econômica e crise moral política.
DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) que tramita no Congresso tem como objetivo não criar um orçamento que traga dificuldades para o próximo governo, segundo o relator do projeto da LDO, senador Dalirio Beber (PSDB-SC). Segundo ele, a proposta procurou preservar a responsabilidade fiscal ao restringir reajustes e a criação de cargos no serviço público e ao obrigar a redução do custeio administrativo (manutenção da máquina pública) em 5% no próximo ano.
“Qual é o nosso espírito a propósito [da LDO]? É não criar mais dificuldades para o novo governo. Os candidatos, durante o debate eleitoral, vão conhecer em profundidade todo esse quadro de dificuldade que vive o desequilíbrio fiscal brasileiro e também vão entender que o Congresso atual não quer criar mais dificuldades para o novo governo”, declarou o parlamentar.
Segundo Beber, a introdução do dispositivo que obrigará os benefícios fiscais a serem revistos periodicamente e reduzidos em 10% em 2019 e em 50% nos próximos dez anos teve o objetivo de racionalizar os gastos do governo num cenário de escassez de recursos. “Esses mais de R$ 300 bilhões de renúncias fiscais passarão a ser revistos periodicamente. Em primeiro lugar, para saber se eles estão dando o retorno que acenaram quando foram instituídos”, acrescentou o senador.
O relatório original da LDO obrigava o governo federal a cortar o custeio administrativo – gastos do dia a dia, como água, luz, telefone, aluguéis e diárias – em 10% no próximo ano. Após negociações no início da tarde de hoje, a redução ficará em 5%. Apesar de o corte ficar menor que o previsto, Beber disse que o projeto manteve a responsabilidade fiscal como eixo central.
“Eu me sinto absolutamente tranquilo [após as negociações]. O sentido principal do projeto de não aumentar despesa pública está sendo atingido. O fato de [o corte de custeio administrativo] ser de 5% em vez de 10% não vai macular todo um projeto que é a favor do Brasil”, declarou.
CONGELAMENTO DE CARGOS E SALÁRIOS
Em relação ao congelamento de cargos e de salários nos servidores públicos, o senador esclareceu que o texto aprovado pela Comissão Mista de Orçamento preservou o preenchimento de vagas nas áreas essenciais. Ele explicou que o sacrifício no funcionalismo federal será temporário, até que o próximo governo defina as políticas fiscais para os anos seguintes.
“Preservamos as áreas de educação, de saúde, de assistência social, como também de segurança pública e de defesa, no sentido de fazer com que ali possam ocorrer as substituições, mas apenas para os cargos que vagarem. Nas demais áreas, pedindo um ano de sacrifício até sabermos o que novo governo trazer à luz o que pode trazer ao debate para apresentar solução para que o Brasil não continue produzindo déficits”, disse.
CONCURSOS NA ESPERA
O relator esclareceu que concursados aprovados em seleções com vencimento até o fim de 2019 poderão ser admitidos, desde que o número de vagas estivesse previsto no edital do levantamento do concurso. Ele disse que os concursos de cadastro de reserva – para estocar nomes e até a disponibilidade de vagas – poderão ser realizados no próximo ano, dependendo do planejamento do próximo governo.
Beber explicou que admitiu flexibilizações à criação de cargos no próximo ano para casos de órgãos novos ou que tenham ganhado novas obrigações, como a Agência Nacional de Águas (ANA), que passou a assumir a responsabilidade por políticas de saneamento, até agora a cargo do Ministério das Cidades, depois de medida provisória publicada. “Não é justo que esses órgãos tenham de assumir funções sem a implementação dos cargos necessários”, justificou.
O relator da LDO também explicou que concordou em excluir das receitas do Ministério da Educação o pagamento de serviços prestados por profissionais qualificados das universidades federais para entes públicos. O dinheiro dessa forma ficará diretamente com as instituições de ensino para dar flexibilidade e incentivar a prestação de serviços “Com isso, se dá mais folga para aproveitar o potencial que as universidades federais construíram ao longo do tempo”, concluiu.