Cidades secas
Redação DM
Publicado em 22 de agosto de 2018 às 03:59 | Atualizado há 8 anos
Em março de 2018 o governador do estado de Goiás decretou situação de emergência nas Bacias do Rio Meia Ponte e Ribeirão João Leite, devido a escassez hídrica. As hortaliças e as lavouras de cana de açúcar são os principais usuários das águas que seriam direcionadas para os reservatórios de tratamento e abastecimento.
O Brasil possui quase um quinto do estoque hídrico do mundo. A Região Norte concentra a maior parte das reservas. Parece controverso, mas, somos impactados pela insuficiência das águas. Deparamos com desperdícios, vazamentos e redução dos níveis de chuvas. Estamos vivenciando mudanças climáticas significativas. No entanto, o goiano continua despreocupadamente, higienizando o carro, a moto e as calçadas com água potável. A crise hídrica provoca a redução da oferta de alimentos e abalos devastadores nos pilares da economia.
Em breve seremos afetados por rígidas medidas de racionamento. Os reservatórios estão apresentando baixos níveis. É imprescindível preservar os mananciais e margens dos rios. Evitando o assoreamento. Ocorre diariamente a poluição do lençol freático através da deposição de esgoto. Observam-se reincidentes os rompimentos de adutoras. É notória a obsolescência da infraestrutura básica de armazenamento e distribuição. A captação indiscriminada também é um desafio a ser superado com afinco.
A barragem João Leite tem condições para suprir as necessidades de Goiânia e região metropolitana até 2025. O Estado precisa estabelecer estratégias sustentáveis em parceria com os agricultores, pecuaristas, fábricas, construção civil e comerciantes. Além disso, ter em seu plano administrativo o foco nas consequências do crescimento populacional. A adoção rotineira do reuso nas indústrias e em residências faz-se preponderante. A Superintendência de Recursos Hídricos deve ampliar seus esforços desenvolvendo estudos e projetos. Cabe ao mercado fornecedor disponibilizar melhores tecnologias para o campo da irrigação. É fundamental aprimorar o sistema de abastecimento nas cidades. Tudo isso, amparado por um trabalho efetivo de aculturação.
(Ronaldo Marinho, gestor, escritor)