Em 20 anos, festival mudou sua cara
Redação DM
Publicado em 9 de junho de 2018 às 02:00 | Atualizado há 8 anos
O Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica) passou por transformações nos últimos 20 anos e provocou críticas em comerciantes que deixaram de lucrar com a seletividade do público. Antes, as apresentações musicais e declamações de poemas eram a tônica do festival que pretendia ser de cinema e meio ambiente, mas acabou se tornando um paraíso para jovens que iam a cidade de Goiás com o intuito de festar. Na tarde de ontem, dois coordenadores do festival disseram ao Diário da Manhã que foi necessário repensar a finalidade do Fica e, assim, investir mais em discussões relacionadas à temática central.
Em entrevista concedida no Teatro São Joaquim minutos antes de começar uma sessão cinematográfica, o coordenador geral Fica, Nars Chaul, disse que o objetivo pensado em 1999, época em que ocorreu o primeiro festival, foi alcançado com êxito. De acordo com ele, ao contrário das queixas dos comerciantes e lojistas de “Goiás Velho”, o propósito do evento não é atender as necessidades de quem ganha a vida no ramo de bares e restaurantes – reportagem do DM publicada na edição de anteontem mostrou insatisfação no número de vendas por parte dos empreendedores. “A questão não é se aumentou ou diminuiu o número de pessoas. O Fica não é feito para atender os comerciantes”, afirma.
Na conversa, ele relatou ainda que, durante a primeira reeleição do ex-governador Marconi Perillo (PSDB), foi decidido que a organização do festival deveria ser de responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação Cultura e Esporte (Seduce), ao contrário do que era antigamente quando a Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Infraestrutura, Cidades e Assuntos Metropolitanos (Secima) participava desde o início da produção do Fica. “Nas primeiras edições, resolvemos tirar as outras artes que tinham no festival e, atualmente, o Fica é um evento de cinema e meio ambiente”, explica.
O coordenador geral de produção do Fica, Rodrigo Santana, disse que os comerciantes reclamam pelo fato de que o Fica mudou seu público nos últimos anos. De acordo com ele, a sujeira que é possível encontrar na cidade após o término do festival vem da própria população. “Andei pela cidade inteira hoje (ontem) e não consegui ver nenhum lixo sequer nas ruas”, relata ele, que é natural da cidade de Goiás. Idealizador do projeto Fica Limpo, ele afirmou que foram entregues 40 lixeiras na cidade, o que contribuiu para que esses resíduos sumissem das ruas da antiga capital. “As lixeiras são oriundas do projeto Fica na Comunidade e Fica Limpo. Doamos os equipamentos para a cidade”.
Anteontem, a reportagem conversou com proprietários de estabelecimentos comerciais da cidade de Goiás. Embora tivesse quem fosse entusiastas dos dias em que acontecem exibições de filme e mesas de debate, a maioria adotou posturas críticas em relação ao pouco movimento das últimas edições. Por outro lado, o DM checou em três hotéis da cidade se havia vagas para turistas se hospedarem nos próximos dias, mas todos os locais estavam lotados. Segundo uma recepcionista, que não quis ser identificada, a rede de hotelaria fecha com o governo do Estado com meses de antecedência.
OFICINA
No mercado municipal da cidade de Goiás, durante uma oficina de artesanato que foi realizada ontem, a professora de literatura da Universidade Estadual de Goiás e presidente da associação mulheres coralinas, Ebelim Siqueira, afirmou que a função da mostra é fazer com que as mulheres ganhem independência financeira. “A intenção também inseri-las no contexto da cultura local, pois nosso tema de inspiração, desde a nossa logo, são as mulheres coralinas”, diz, ressaltando que a obra da poetisa goiana Cora Coralina permeia toda atividade realizada na oficina. “A ideia é encerrar a oficina com um poema de Cora”.
O jornalista Helverton Baiano, 58, disse que o clima o Fica é “muito bom”. Segundo ele, o maior barato do festival é unir várias pessoas de diferentes matizes e orientações ideológicas. “A melhor característica do festival é justamente essa coisa de unir um monte de gente”, diz ele. Para Helverton, a iniciativa de priorizar o cinema e a temática do meio ambiente dão mais força ao evento. “Não adianta ter várias atrações musicais, sendo que se trata de um encontro que tem como objetivo abordar questões relacionadas a esse temas”, salienta o jornalista.
A questão não é se aumentou ou diminuiu o número de pessoas. O Fica não é feito para atender os comerciantes”Nars Chaul, coordenador do Fica