Política

Progressista na berlinda

Redação DM

Publicado em 6 de junho de 2018 às 02:00 | Atualizado há 8 anos

As relações entre PP e Palácio das Esmeraldas não andam as melhores. O partido sempre foi fiel escudeiro do Tempo Novo, mas ultimamente as li­deranças da legenda andam se com­portando como biruta de aeroporto, aquele instrumento que muda de lu­gar conforme sopra o vento. O presi­dente do PP em Goiás, o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, ora sina­liza com apoio à reeleição do gover­nador José Eliton, ora mira conversas com o MDB de Daniel Vilela e com o DEM de Ronaldo Caiado. Baldy sofre pressão do Palácio do Planal­to para que, a exemplo de Brasília, o PP em Goiás tenha como principal aliado o MDB.

O presidente nacional da legenda, o senador Ciro Nogueira (PI), está fe­chado com o MDB de seu Estado na reeleição do governador Wellington Dias (PT) e sela aliança com os eme­debistas em outros Estados. No final do mês de maio, Nogueira e Baldy se reuniram num jantar com o deputa­do federal Daniel Vilela, mas nada de concreto saiu da reunião.

Enquanto a direção partidária não define rumos, deputados fede­rais da legenda em Goiás ampliam as reivindicações para continuar na base do governo. Heuler Cruvinel, que trocou o PSD pelo PP, cobra mais espaço para o partido, que já coman­da a Secima (Meio Ambiente), tem diretores na Agehab e noutras pas­tas, mas mira a presidência da Sanea­go, que é ocupada pelo ex-prefeito de Goianésia Jalles Fontoura.

Para tornar ainda mais confusa a situação do partido, Vanderlan Car­doso, recém-filiado à legenda, deu declarações à imprensa que o PP reivindica a vice em uma das cha­pas em disputa, ou seja, pode ser na situação ou na oposição. Esta elasti­cidade política dos pepistas come­çou a gerar reações do Palácio das Esmeraldas. Num discurso, duran­te evento no Basileu França, o gover­nador José Eliton (PSDB) reclamou da cobrança por cargos por mem­bros do PP para manter a aliança com o governo. “Nada mais retró­grado, mais ultrapassado”, conde­nou. O presidente da Assembleia Le­gislativa, deputado José Vitti (PSDB), também emendou críticas, estas en­dereçadas não ao PP, mas ao pró­prio Vanderlan, considerando que como cristão novo no PP, após pas­sar por três outros partidos (PMDB, PR. PSB) e que por isto ele não teria como falar em nome da legenda.

Duas vezes candidato ao gover­no do Estado (2010 e 2014), duas vezes prefeito de Senador Canedo (2005-2010), Vanderlan Cardoso reagiu na mesma medida, lembran­do que Vitti também passou por ou­tras legendas, inclusive o DEM do senador Ronaldo Caiado.

Decano no PP, o deputado fede­ral Roberto Balestra tem interesse na manutenção na aliança com a base situacionista, assim como o suplen­te Sandes Júnior. A situação deles é parecida com a do deputado fede­ral Thiago Peixoto, do PSD, que tam­bémquerficarnabasegovernista, en­quanto que o presidente do partido, o ex-deputado federal Vilmar Rocha, demonstra interesse em estreitar con­versas com o MDB de Daniel Vilela e o DEM de Ronaldo Caiado.

Do ponto de vista dos deputados federais, pesa o histórico do “cha­pão”– a coligação que é formada en­tre PSDB, PP, PTB e DEM -, que ao longo dos anos tem garantido a elei­ção da maioria das vagas de deputa­do federal em disputa no Estado. Em 2002, por exemplo, o governo ele­geu onze dos 17 deputados federais, sendo três pelo PPB (PP), três pelo PFL (DEM) e cinco pelo PSDB. Em 2006 foram nove eleitos: quatro pelo PSDB, um pelo PL, dois pelo PTB e dois pelo PPB (PP). Nesta eleição, o PFL, que teve como candidato a go­vernador Demóstenes Torres, elegeu Ronaldo Caiado para mais um man­dato na Câmara Federal.

2010

Nas eleições de 2010, Caiado re­tornou à base governista indicando o jovem advogado José Eliton na vice deMarconiPerillo(PSDB) eabasedo Tempo Novo elegeu 10 deputados fe­derais: trêspeloDEM, trêspeloPSDB, dois pelo PP, um pelo PTB e um pelo PMN.Em 2014, com o DEM apoian­do a eleição de Iris Rezende ao go­verno do Estado, o chapão governis­ta garantiu treze cadeiras na Câmara Federal, com seis eleitos pelo PSDB, dois pelo PSD, e com um deputado cada o PTB, PDT, PR, PP e PPS.

É esta esperança de eleição que mantém os deputados do PP e PSD mais próximos do governo, diferindo sua posição da direção das legendas. O governo sabe disto e por esta razão é que reage aos pedidos de mais es­paço na administração.

 

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