Entretenimento

Dançando ocupo meu espaço

Redação DM

Publicado em 17 de maio de 2018 às 22:07 | Atualizado há 1 ano

Ao existir, o corpo ocupa seu espaço. Não só fisicamente, pois a existência do corpo envolve uma constante construção e destruição daquilo que está em volta. O corpo, portanto, tem direi­to de existir e, mesmo apertado por prédios e carros, precisa de um espa­ço para que isto seja possível. Talvez por esse motivo tanto se discuta so­bre ocupação de espaços públicos. O ser humano parece cansado das grades das casas, das grades dos ba­res, dos locais de festas cada vez mais privativos. Coisas simples, como o movimento, são privilégios para o final do expediente, ações que “con­somem” apenas algumas horas do dia. Ocupar espaços com os corpos e o movimento sempre foi um dos principais motes do ¿por quá? gru­po de dança. Desde 2012 o coletivo realiza o POR ACASO, com o objeti­vo de ocupar a cidade de forma de­mocrática, unindo dança e música em tarde de improviso.

Aparentemente o evento é sim­ples, mas a forma como cria a rela­ção entre corpo e cidade (duas espé­cies de “casas) transforma o evento num acontecimento da agenda cultural de Goiânia, mas não só. A proposta é provocar dançarinos, músicos e desvairados para um in­tervenção sonorizada pelo grupo musical Vida Seca. A estrutura nada mais é que os instrumentos, um ta­pete e quem mais quiser chegar e lançar o corpo na dança mais im­pulsiva possível: “Para os dançari­nos, tatame no chão, e para os mú­sicos, instrumentos para o batuque”. Desta forma, o grupo consegue ocu­par espaços públicos com um convi­te para que o público participe ativa­mente da intervenção. Assim como em outros projetos do grupo, a in­tenção é produzir com um coletivo formado por qualquer tipo de pes­soa, fazendo da intervenção um es­petáculo diferente em cada edição.

O grupo realiza neste sábado (19/5) e na próxima quinta-feira (24/5) duas ações dentro do proje­to TRANSporquar, de manutenção do grupo ¿por quá?. “Dentro dele temos várias ações. Uma delas é a criação de fluxos entre três centros, localizados na região central, no Jar­dim Nova Esperança e na Cidade Jardim, em Aparecida de Goiânia”, conta a produtora Luciana Celesti­no. O evento acontece em tempo­radas, com ciclos de apresentações e intervenções nesses centros cul­turais, que incluem o POR ACASO_tardes de improviso e o espetáculo Aparecidas. Buscando novas loca­lidades, onde a intervenção ainda não foi realizada, o grupo propõe es­treitar as distâncias dentro da região metropolitana da cidade. As inter­venções serão realizadas no Ponto de Cultura Cidade Livre, em Apare­cida de Goiânia, e no Centro Cultu­ral Eldorado dos Carajás, no Jardim Nova Esperança. Sempre às 17h, com entrada gratuita ao público.

ALÉM DO CENTRO

O centro da cidade de Goiânia tem grandes possibilidades para eventos culturais. Os becos, as pra­ças, os prédios históricos, as ruas e pontos de cultura clamam por se­rem ocupados e, ultimamente, isso vem ocorrendo. O Goiânia Vive o Choro, realizado na frente do Gran­de Hotel, voltou a ser realizado com intenção de permanecer na progra­mação cultural da cidade. Com essa ideia na cabeça, surge a necessida­de de espalhar cada vez mais estas ações culturais, atingindo a popula­ção que, muitas vezes, é injustamen­te colocada à margem da sociedade que faz parte. Ampliar o público e es­treitar os laços é uma das intenções do grupo ¿por quá? com o TRANS­porquar. “O TRANSporquar coloca o grupo de dança num lugar de ex­perimentar o autoconhecimento a partir da relação com os outros. Ini­ciamos o projeto com residências ar­tísticas e em maio chegamos à etapa de apresentações”, afirma a produto­ra Luciana Celestino.

A intervenção artística já pas­sou por cidades da América Latina, como Buenos Aires e Uruguai, além de brasileiras, como Porto Alegre (RS), Alto Paraíso (GO) e Pirenópo­lis (GO). Neste mês chega ao Ponto de Cultura Cidade Livre no sábado, 19/05, e na quinta-feira, 24/05, ao Centro Cultural Eldorado dos Ca­rajás, sempre às 17h, com entra­da gratuita. Ação dentro do projeto TRANSporquar, que possui fomento do Fundo de Arte e Cultura do Esta­do de Goiás, edital de 2016. “Quere­mos explorar novos centros, conhe­cer novos públicos e sentir a dança numa realidade ainda desconheci­da para o grupo”, conclui Luciana.

NOVA REALIDADE

A dança, o teatro e os shows musicais não mais pertencem aos teatros ou centros culturais. O pú­blico é, cada vez mais, um agen­te da construção artística e, mui­tas vezes, é também um produtor, tal como o artista. A posição que cada agente ocupa nesse organo­grama invisível é momentânea, e quanto mais mudam-se as posi­ções, mais possibilidades se apre­sentam. O TRANSporquar não só possibilita aos produtores e artis­tas do ¿por quá? conhecerem no­vos realidades e locais. A propos­ta também inclui o contato entre o projeto e pessoas que ouviram muito pouco ou nunca ouviram falar estes conceitos de liberdade, às vezes reclusos aos cafés e espa­ços culturais mais centralizados da cidade. Não se trata apenas de ti­rar os eventos de locais privativos, mas também expandir cada vez mais as intenções, permitindo que a cultura seja algo cada vez menos restritivo e acolhedor, como supos­tamente deveria ser.

 

SERVIÇO

Programação POR ACASO_tardes de improviso no mês de maio de 2018

POR ACASO_tardes de improviso em parceria com Ponto de Cultura Cidade Livre

19 DE MAIO, SÁBADO

Horário: 17h às 20h

Local: Av. Progresso, Qd. 21 Lt. 04, casa 1, Aparecida de Goiânia

Entrada gratuita

POR ACASO_tardes de improviso em parceria com Centro Cultural Eldorado dos Carajás

24 DE MAIO, QUINTA-FEIRA

Horário: 17h às 19h

Local: Praça da Paz – Rua CM 8 – Jardim Nova Esperança, Goiânia–GO

Entrada gratuita

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