Política

“Vamos tirar do armário os esqueletos do governo”

Redação DM

Publicado em 15 de maio de 2018 às 03:57 | Atualizado há 8 anos

O pré-candidato ao gover­no estadual Ronaldo Caia­do (Democratas) afirmou, ontem, que irá tirar do armário os esqueletos do governo de Goiás. O senador referia-se aos dados e in­formações que o governo oculta e que podem revelar quais os desvios que não permitiram, por exemplo, a aplicação do mínimo constitucional na saúde de Goiás. “Estamos bus­cando informações do Tesouro Na­cional e do Ministério da Fazenda para que tenhamos uma radiogra­fia completa do Estado. Vai ser um processo difícil porque a dita trans­parência do governo deixa muito a desejar. Sabemos que ele tem vários esqueletos no armário e, se chegar­mos lá, vamos constatar o quanto são grandes e têm complicado mui­to a vida de Goiás”, alertou.

Ronaldo Caiado afirma que tudo deverá ser exposto para a socieda­de e que o principal objetivo é res­gatar a confiança desta no governo. “Quando tivermos acesso a estes dados vamos tirar esses esquele­tos do armário e levar ao conheci­mento da sociedade. Vamos mos­trar quais as medidas tomaremos. Vamos mostrar como esses esque­letos inviabilizaram investimentos e pedir o entendimento da sociedade para fazer as mudanças”, garantiu.

Durante a entrevista à Rádio Sa­gres, o parlamentar também falou sobre as alianças para as eleições deste ano. Ronaldo Caiado refor­çou a necessidade de a oposição chegar unida ao pleito deste ano. Segundo ele, o deputado federal Daniel Vilela (MDB) é encarado com um aliado importante.

 

CONFIRA A ENTREVISTA

 

A campanha neste momento entrou em compasso de espera até a Copa passar?

A campanha este ano está mui­to mais estimulada junto a popula­ção do que em anos anteriores. An­tigamente a maioria da população estava discutindo Copa do Mundo nessa hora. O clima agora é total­mente diferente. Existe uma preo­cupação do eleitor, após um proces­so de Lava Jato, de se inteirar mais, de discutir mais a política.

Há aliados próximos ao senhor que fazem muitas críticas a pré-candidatura de Daniel Vilela e vice-versa. A oposição não está muito dividida?

Estamostrabalhandoexatamen­te pela unidade da oposição. Não cabe a mim me envolver num pro­blema interno de um partido. O que cabe é promover a unidade. Já con­quistamos o apoio de 11 partidos. Não adianta dividirmos a oposi­ção porque estaríamos fazendo o jogo do Palácio das Esmeraldas. Eles sempre jogaram assim. Qual o grau de amadurecimento que a oposição de Goiás chegou? É unir e tender para uma candidatura que seja viável em 2018 para ganhar o governo do Estado.

Daniel Vilela é um adversário do senhor nessa oposição?

Pelo contrário. Não há nenhu­ma oposição ao Daniel Vilela. Não tem motivo para isso. O MDB me apoiou na eleição para o Senado. Estive com o partido naquela elei­ção majoritária e em 2016 cami­nhamos juntos por vários municí­pios. Não existe nenhuma ruptura. Até porque Daniel Vilela é uma li­derança jovem e que tem espaço na política de Goiás. Agora é hora de buscarmos o nome aglutinador para resgatarmos a esperança dos goianos de que é possível superar as dificuldades. Todo goiano tem orgulho de Goiás. Além de orgulho ele precisa ter confiança. A palavra confiança é algo fundamental para promover as mudanças e avançar..

Como o senhor avalia a iniciativa do governo estadual de assumir a regulação das vagas estaduais, tirando da prefeitura de Goiânia?

O Tribunal de Contas do Esta­do de Goiás mostrou que o gover­no não respeita as normas constitu­cionais. Há quatro anos o governo não repassa os 12% aos municípios e nem aplica na saúde. O governo recebe o dinheiro da saúde do go­verno federal, joga na conta centra­lizadora e usa o dinheiro para pa­gar funcionários. Eu pergunto: qual é credibilidade para falar que está preocupado e que agora vai tomar uma atitude para atender os pa­cientes? Os prefeitos ficam até seis meses sem receber o repasse do fun­do de saúde. O governo quer agora que esqueçamos 20 anos de desca­so e nos concentremos nos últimos 30 dias. Isso é revoltante. O que fal­ta ao governo é compaixão com ci­dadão, amor ao próximo, solida­riedade.

Em relação a esse aspecto da regulação, como o senhor faria no governo?

Eu respeitarei os municípios. O repasse precisa ser feito imediata­mente. Não tem de entrar na con­ta centralizadora. Vou acabar com isso que é uma tutela, um encabres­tamento dos prefeitos em Goiás. O dinheiro é deles. É um absurdo que o governo faça festa para entregar algo que é obrigação dele repassar. E ainda o faz depois de meses de atraso. Isso é uma afronta comple­ta. O que é preciso é cumprir a Cons­tituição. Isso aí é obrigação do go­vernador.

O senhor mencionou um fundo de valorização de professores e policiais recentemente. Como funcionaria?

Nossa assessoria na área econô­mica já detectou vários desvios na aplicação do dinheiro público. Esse dinheiro que vinha sendo desvia­do será aplicado no fundo de valo­rização do professor e do policial. Mostraremos adiante que a peça do orçamento do governo é total­mente maquiada. O governo ale­gar ter um superávit. Mas como, se o Tesouro Nacional e o Ministério da Fazenda mostraram que Goiás acumulou uma dívida de mais de R$ 2 bilhões? O Estado a cada ano vai acumulando a sua dívida e am­pliando essa situação deplorável das finanças. Essa é a realidade.

O senhor já tem elaborado um plano de governo?

Temos reunido informações do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda para que tenhamos uma radiografia do Estado. Vai ser um processo difícil porque a dita trans­parência do governo deixa muito a desejar. Sabemos que o Governo de Goiás tem vários esqueletos no armário e, se chegarmos lá, vamos constataroquantosãograndesetêm complicado muito a vida de Goiás. Precisaremos ter os pés no chão e promovermos uma mudança subs­tantiva, priorizando o orçamento do Estado. Temos a preocupação de discutir o plano de governo com todos os segmentos da sociedade. Qual é o sentimento do interior? Os goianos querem a industrializa­ção, a regionalização da saúde, o combate ao narcotráfico, uma se­gurança pública competente. Que­rem uma escola com melhor Ideb. Hoje o sentimento é de total aban­dono. Para mudar é preciso ter con­fiança que o próximo governo terá autoridade moral e usar o dinhei­ro público com seriedade.

Se eleito o senhor vai tirar os esqueletos do armário?

Quando tivermos acesso a estes dados vamos tirar esses esqueletos do armário e levar ao conhecimen­to da sociedade. Vamos mostrar quais as medidas tomaremos. Va­mos mostrar como esses esquele­tos inviabilizaram investimen­tos e pedir o entendimento da sociedade para fazer as mu­danças. Vou depender dos fun­cionários públicos mais do que nunca para poder gover­nar, caso seja eleito. Te­rei uma parceria mui­to forte com todos eles para que haja um em­penho para tirar o esta­dodeGoiásdessemomen­to que se encontra.

O senhor gosta do modelo de colégios militares?

Sim, tem meu apoio com­pleto. Éprecisoavaliarquaissão os modelos que estão dando con­dição de educação de qualidade e um mínimo de segurança para os jovens que estão hoje muito vul­neráveis à violência. Quais os cri­térios de uma escola militar? Não é diferente do que vivenciei na in­fância e adolescência. É de uma es­cola onde se busca o conhecimento mas também o respeito às regras e hierarquia. Em qualquer país de­senvolvido o professor é tido como a maior autoridade, acima até das autoridades do executivo e legislati­vo. Quando falei do fundo de valo­rização é porque os professores hoje não se sentem, e com toda a razão, remunerados à altura da função. Temos também de dar condições a eles de se atualizarem. É impor­tante que façamos curso de profi­ciência para que os professores pos­sam se adequar às mudanças da grade curricular. A escola militar é referência e tem de ser defendida. Quais são os outros modelos? Res­peitaremos os outros desde haja um sentimento de hierarquia e de res­peito ao bem público.

E a opinião do senhor em relação às Organizações Sociais?

Quando a gestão é de qualida­de, existe resultado prático. Mas não é o que assistimos aqui. Veja o caso do Hugo. Antes atendia 800 pessoas, hoje são 140. Estão repre­sando atendimentos e pessoas fi­cam sem atendimento porque o go­verno não fez hospitais regionais. Tenho coragem de enfrentar o de­bate e defendo um complemento salarial aos médicos especialistas que queiram se instalar no interior. Existe uma emenda constitucional minha que trata médico como car­reira de Estado para que ele possa ter essas garantias de poder traba­lhar no interior. É um modelo que quero instalar aqui.

 



Pelo contrário. Não há nenhuma oposição ao Daniel Vilela. Não tem motivo para isso. O MDB me apoiou na eleição para o Senado”

 

Eu respeitarei os municípios. O repasse precisa ser feito imediatamente. Não tem de entrar na conta centralizadora. Vou acabar com isso que é uma tutela, um encabrestamento dos prefeitos em Goiás”

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