O peso Iris nas eleições de outubro
Redação DM
Publicado em 3 de abril de 2018 às 01:44 | Atualizado há 8 anos
O prefeito Iris Rezende Machado (MDB) se prepara este ano para completar 60 anos de vida pública. Desde que foi eleito vereador em 1958, Iris nunca deixou as lides políticas. Nem mesmo no período em que esteve cassado pela ditadura, deixou de articular politicamente com os companheiros do PSD, que ser tornaria MDB, PMDB e de novo MDB. É por isto que se reveste de importância a sua decisão de permanecer alinhado ao seu partido nestas eleições. A experiência política de quem disputou por quatro vezes o governo do Estado conta muitos pontos em favor do candidato do seu partido, o jovem deputado federal Daniel Vilela.
A última vez que um prefeito da Capital – eleito pela oposição – entrou de corpo e alma numa eleição estadual o resultado foi favorável ao seu candidato. Isto ocorreu em 1998 quando o então prefeito Nion Albernaz (PSDB) articulou o apoio da oposição à época para a candidatura de outro jovem deputado federal: Marconi Perillo (PSDB). Já nas eleições de 1996, Nion reuniu no palanque de sua candidatura a prefeito as principais lideranças oposicionistas daquele período: Ronaldo Caiado (PFL, atual DEM), Lúcia Vânia (PP), Maria Bahia Valadão (PTB), Roberto Balestra (PPR, atual PP), e Pedrinho Abrão (PTB). A chapa majoritária e proporcional que se reuniu em torno de Nion seria o embrião daquela que se formaria dois anos depois para a eleição de Marconi Perillo.
Além do respaldo da máquina administrativa municipal, a candidatura da oposição recebeu impulso do Palácio do Planalto através de articulações feitas por Nion Albernaz, juntamente com a então deputada federal Lucia Vânia e o ex-governador Henrique Santillo. O todo-poderoso de então, o ministro das Comunicações, Sérgio Motta (PSDB-SP), participou de almoço na casa de Nion, com a presença das principais lideranças oposicionistas, onde deixou claro o seu interesse em colaborar com a candidatura de Marconi Perillo.
Estas mesmas condições parece que estão se repetindo, vinte anos depois, tendo como personagem principal do prefeito Iris Rezende. Não é segredo que Iris goza de grande prestígio na executiva nacional do MDB, e também no governo do presidente Michel Temer (MDB-SP). Ex-ministro da Agricultura (1986-1990), ex-ministro da Justiça (1997-1998), ex-senador (1995-2002), Iris é um dos nomes mais respeitados na sua legenda. Ele é um dos últimos representantes de uma geração de emedebistas que teve papel fundamental na redemocratização. Sua eleição em 1982, com 68% dos votos, foi um marco entre os governadores eleitos à época, cacifando-o a participar das grandes articulações que viriam a culminar na campanha pelas Eleições Diretas para presidente da República, o Diretas Já.
Há 34 anos, no dia 12 de abril, foi realizado o último comício antes da votação da Emenda das Diretas, proposta pelo deputado federal Dante Oliveira (PMDB-MT). Pela importância de Goiânia, como a capital mais próxima de Brasília, o evento tratado como estratégico,e muito empenho foi feito para que tudo corresse bem. Foi, proporcionalmente, o maior comício daquele movimento cívico. Goiânia tinha pouco mais de 700 mil habitantes, e nada menos do que 300 mil pessoas se aglomeraram na Praça Cívica para ouvir os discursos do governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, do deputado federal Ulysses Guimarães (que viria a ser o Senhor Contituinte), do presidente da Frente Liberal, José Sarney (que seria eleito vice de Tancredo e tomaria posse como presidente), do governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT), do líder metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do governador Iris Rezende Machado (PMDB).
Tarzan de Castro era deputado estadual pelo PMDB. Ele destaca naquele dia o discurso de Tancredo Neves: “Meus irmãos de Goiás, eu nunca me dou conta, se sou mineiro dentro de Goiás ou se sou goiano dentro de Minas Gerais. É que as divisas que nos separam são linhas convencionais, elas não conseguem deter a torrente de afeto, de estima, de respeito e admiração que nossos povos nutrem. Hoje nesta noite nesta praça, eu me orgulho de ser goiano pelo sentimento, porque eu vejo a minha gente em praça pública não se se curvando, não se acomodando e se rebelando. As eleições diretas são uma imposição da consciência democrática de nosso povo. Impedi-las é desrespeitar a nação. Impedi-las é profanar a nossa gente. Impedi-las é amesquinhar a dignidade cívica de nossos irmãos”, pontou.
Em 1984, Iris reuniu o PIB político do País. Em 2018, pôde reuniu noutro palanque as principais lideranças da oposição em Goiás. Iris nunca foi de jogar pedra em cavalo arreado. Sempre abraçou os desafios que a vida política lhe impôs. E tudo indica que não será desta vez que irá fugir da raia.