Política

“Daniel Vilela não conseguiu vestir a camisa da oposição”

Redação DM

Publicado em 23 de março de 2018 às 02:23 | Atualizado há 8 anos

Adotando um discurso mais conciliador e confiante de que será possível construir a unidade da oposição, o prefei­to de Goianésia, Renato de Castro (MDB), afirmou em entrevista ao Diário da Manhã que o seu apoio a Ronaldo Caiado (Democratas) – oficializado em evento na Assem­bleia Legislativa no último dia 20 de março – deve-se em grande parte ao papel que ele tem desempenha­do como oposição em Goiás. Para o emedebista, o democrata repre­senta a mudança que Goiás quer por ter vocalizado o anseio dos goianos por um modelo de gestão diferente do que está posto hoje.

Segundo o prefeito Renato de Castro, o MDB sempre represen­tou a voz da oposição em Goiás. Po­rém, Daniel Vilela (MDB) não con­seguiu assumir este papel por ter adotado um discurso mais ameno em relação ao atual governo e, tam­bém, pela proximidade do ex-pre­feito Maguito Vilela (MDB) com o governador Marconi Perillo (PSDB).

“Ronaldo Caiado tem o discur­so mais incisivo e expõe com pro­priedade as fragilidades do atual governo. O MDB é quem sempre teve esse papel, mas Daniel Vilela não conseguiu vestir a camisa da oposição justamente por ter o dis­curso mais ameno e também pela proximidade que o ex-prefeito Ma­guito Vilela tem com o governador Marconi Perillo”, afirmou.

Para o prefeito de Goianésia, Mar­coni Perillo estaria trabalhando para desunir a oposição. “O governador, em sua ânsia de dividir a oposição, o que traria vantagem ao seu grupo, tenta fomentar a candidatura de Da­niel Vilela. Isso interessa ao governo. Tanto é que algumas alianças têm sido fomentadas por ele para que a candidatura de Daniel Vilela não se desidrate a ponto dele desistir de uma candidatura”, avaliou.

 

ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

 

O senhor esteve em ato de apoio à pré-candidatura do senador Ronaldo Caiado na última terça-feira. Como prefeito de Goianésia e membro do MDB, o que motivou a sua decisão?

A conta matemática: se divi­dir perde, se juntar ganha. A opo­sição tem de, necessariamente, estar unida para vencermos as eleições. Mas para que essa união aconteça um dos dois terá de ceder, pois só existe uma vaga na cha­pa para o governo. Por isso preci­samos adotar critérios para esta definição. O primeiro é que um é senador, enquanto o outro é de­putado federal. O senador Ronal­do Caiado está no auge da vida pública, do seu amadurecimen­to político. Daniel Vilela, por ou­tro lado, tem apenas 34 anos e em 2022 até 38 anos. Além disso, Ro­naldo Caiado é o nome mais pre­parado hoje. Outro fator impor­tante que deve ser considerado é que Ronaldo Caiado tem 45% das intenções de votos nas pesquisas para o governo, e Daniel Vilela apenas algo próximo de 10%. Se tem a oposição tem de se unir e um dos dois ceder, é preciso que seja o Daniel Vilela.

Então o senhor acredita que Daniel Vilela ainda pode esperar para levar adiante este projeto?

Sim, claro. Não somos contra o Daniel Vilela. Inclusive ele tem o apoio desse grupo para disputar as eleições compondo como can­didato a vice-governador. Depois teremos eleições no futuro e ele poderá ser o candidato. Por isso temos pregado a união. Nosso adversário não é o Daniel Vilela. É o PSDB e o gru­po do governador Mar­coni Perillo. O povo já se cansou deste grupo, que não dá a resposta que a população espera de um governo. Você veja o desastre que é a segurança públi­ca, os valores altos de energia, de água. A água que consumimos é a mais cara do País e ainda não é de boa qualidade. A Enel, distri­buidora de energia em Goiás, foi classificada como a pior do Bra­sil. É por isso que os goianos não aguentam mais esse governo. É nossa responsabilidade, enquan­to oposição, não deixar o gover­no ganhar novamente.

O senhor comentou de pesquisas. Qual de fato a relevância delas neste momento?

Teremos este ano uma cam­panha mais curta, de 45 dias. E, ao mesmo tempo, uma pré-cam­panha mais longa, que já come­çou há um bom tempo. Um fa­tor novo hoje são as redes sociais, que têm sido preponderantes nas discussões nesse momento. O ce­nário com os três pré-candidatos atuais (Daniel Vilela, Ronaldo Caiado e José Eliton) está colo­cado há mais de dois anos e, de lá para cá, nada mudou. Ronal­do Caiado continua bem à fren­te, com 45 pontos, e José Eliton e Daniel Vilela oscilando nos 10%. Acredito que nada de novo poderá ser acrescentado até as eleições.

O ex-prefeito Maguito Vilela tem defendido a desfiliação do MDB dos prefeitos pró-Caiado. Ele também criticou o fato de não serem MDB de origem. O que o senhor tem a dizer?

Com muita tranquilidade. Per­cebo que nesse momento Magui­to Vilela e Daniel estão chateados. Mas esperamos que o tempo irá aparar todas estas arestas porque o nosso adversário é o PSDB, não é Daniel Vilela e nem Maguito Vi­lela. Não me senti particularmen­te ofendido com isso. Acho que ele está no direito de criticar e falar o que pensa. Mas tenho certeza de que na hora certa as coisas vão se acalmar e estaremos todos juntos.

E se a questão chegar ao Conselho de Ética do MDB?

Se chegar ao Conselho de Ética, caberá a ele decidir. O que que­remos é unidade para vencer as eleições. Uma terceira candidatu­ra só fortalece o governo. Por isso estamos trabalhando para evitar.

Muito se fala que uma boa parte da militância do MDB prefere Ronaldo Caiado, especialmente por causa das sucessivas derrotas do partido nos últimos anos. É o que o senhor tem visto?

O que a gente, que está no inte­rior, andando junto com o povo, vê é a militância ressaltando o papel de verdadeira oposição do sena­dor Ronaldo Caiado. Ele critica o atual governo de forma veemente e isso o levou a capitalizar para si o desgaste do governo. O Daniel Vilela, por outro lado, tem uma postura até muito parecida com a de Maguito Vilela. É mais ameno e, por isso, não conseguiu capitalizar o desgaste. E este é o sentimento da militância: de que o governo está fatigado e que Ro­naldo Caiado é a voz da oposição. Ronaldo Caiado tem o discurso mais incisivo e expõe com pro­priedade as fragilidades do atual governo. O MDB é quem sempre teve esse papel, mas Daniel Vile­la não conseguiu vestir a camisa da oposição justamente por ter o discurso mais ameno e também pela proximidade que o ex-prefei­to Maguito Vilela tem com o go­vernador Marconi Perillo.

Fala-se muito nos bastidores que haveria um acerto entre Maguito Vilela e Marconi Perillo para o PSDB apoiar Daniel Vilela em um eventual segundo turno com Ronaldo Caiado. Acredita nisso?

Sim, até em virtude do compor­tamento de Maguito Vilela, que sempre demonstrou muita proxi­midade com o governador Marconi Perillo. Em entrevista há poucas semanas o próprio governador ad­mitiu que poderia apoiá-lo no segundo turno. Por isso repito: foi exatamente essa proximidade que tirou do Daniel Vilela o pa­pel de voz de oposição. O governo atual está mal avaliado e Ronal­do Caiado, por outro lado, bem avaliado. A militância do MDB quer algo realmente novo, e Ro­naldo Caiado representa a mu­dança verdadeira.. Esta proximi­dade de Maguito com Marconi causa muito mal-estar na mili­tância, que acompanha a políti­ca muito de perto. Ela questiona se realmente os dois, Daniel e Ma­guito, fazem parte da oposição.

O senhor foi um dos apoiadores de Daniel Vilela em sua campanha a deputado federal. Como recebe a fala do pai dele de que os prefeitos pró-Caiado são traidores? Acredita que pode prejudicar a união?

Acredito que talvez possa pre­judicar sim. Para mim particu­larmente não há problema, mas alguns companheiros talvez pos­sam ficar ofendidos e isso dificul­tar a nossa união. Não me senti ofendido. As pessoas, em um mo­mento de raiva, às vezes podem dizer coisas que depois se arrepen­dem. Admiro muito Maguito Vile­la como pessoa pública, como ad­ministrador, como reserva moral do MDB. Mas creio que ele não foi muito feliz em suas entrevistas.

Que avaliação faz das alianças que estão sendo construídas até agora?

Acho que o governador, em sua ânsia de dividir a oposição na disputa, o que traria vanta­gem ao seu grupo, tenta fomentar a candidatura de Daniel Vilela. Isso interessa ao governo. Tanto é que algumas alianças têm sido fo­mentadas por ele para que a can­didatura de Daniel Vilela não se desidrate a ponto dele desistir da disputa. O governo está desespe­rado e por isso quer disputar com outros dois nomes, porque aí pas­sa a ter chance. Ele tem manda­do apoiadores para Daniel Vile­la para que a candidatura dele não morra de inanição.

Em relação à montagem das chapas proporcionais, como o senhor avalia? Daniel Vilela tem minimizado a questão ao dizer que não é hora de pensar em projetos pessoais, que o foco é o governo.

A grande verdade é que Daniel Vilela não tem chapa nem para deputado federal nem para esta­dual. O senador Ronaldo Caiado tem boas chapas, mas não com a força que teria se estivesse com Daniel Vilela. Unidos teremos cha­pas melhores. Mas nesse processo a dificuldade de Daniel Vilela cer­tamente será maior. Acredito que o deputado minimiza a questão exatamente por não ter chapa. Se tivesse, bateria no peito para dizer que tem. Mas a hora de fa­lar disso é agora, porque temos prazo até o dia 7 de abril para fazermos as filiações.

O senhor ainda acredita que a oposição marchará unida?

Sim. Acredito que lá na fren­te ainda estaremos juntos, va­mos derrotar este governo e fa­zer um grande trabalho. O Daniel só precisa ter um pouco de pa­ciência porque no futuro, talvez em 2022, será governador com o nosso apoio.



 

Não somos contra o Daniel Vilela. Inclusive ele tem o apoio desse grupo para disputar as eleições compondo como candidato a vice-governador. Depois teremos eleições no futuro e ele poderá ser o candidato

 

Percebo que nesse momento Maguito Vilela e Daniel estão chateados. Mas esperamos que o tempo irá aparar todas estas arestas porque o nosso adversário é o PSDB

 

A militância do MDB quer algo realmente novo, e Ronaldo Caiado representa a mudança verdadeira. Esta proximidade de Maguito com Marconi causa muito mal-estar na militância, que acompanha a política muito de perto”

 

 

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