Selecionados do Juriti
Redação DM
Publicado em 11 de janeiro de 2018 às 22:20 | Atualizado há 1 ano
A poesia é fruto da fala, mas não se apega apenas a vocalização das coisas. Também é o movimento, uma queda às vezes. Poesia tem significado amplo, a palavra em si é poesia apenas existindo ou sendo repetida, de boca em boca. Com a invenção da prensa móvel, de Gutenberg, a poesia, ou melhor, a literatura foi enclausurada nas páginas de um livro e o ato poético nas palavras se tornou individualizante. Nada mais de grandes encontros para se falar e ouvir poemas. A voz virou silêncio e o espaço comum virou um quarto vazio. Não que o livro seja um objeto enfadonho, é possível voar nas asas da imaginação após abrir um livro. Porém, o que pretendo dizer é que o formato não pode ser um limitante, mas ao contrário: deve alargar, misturar e dar cada vez mais possibilidades para a poesia acontecer.
O Festival Juriti de Música e Poesia Encenada resgata um pouco desse viés literário, pautado muito mais na voz, no corpo e na movimentação, do que o modelo robótico e individual de um livro. No caso da poesia, o desafio proposto aos poetas é construir uma cena teatral com base em algum poema autoral. O autor precisa fazer o poema “funcionar” num formato distante do papel, onde foi concebido. Por isso, o interessante do Juriti é esse caráter ao vivo, o poeta frente a frente com seu público, apresentando seu texto como está escrito dentro da cabeça, isso tudo permeado por dança, música, vídeos e outros elementos teatrais que podem ser utilizados.
Os participantes de música e poesia concorrem durante um final de semana. Os três melhores concorrentes de cada categoria receberão o troféu e uma premiação em dinheiro. Para o primeiro lugar o prêmio é de R$ 3 mil, para a segunda colocação o prêmio é de R$ 2 mil e para o terceiro colocado a premiação é de R$ 1 mil. Os curadores do festival, responsáveis por selecionar dos inscritos quem irá competir, recebem as propostas de cena e música sem assinatura do concorrente. O ponto de partida para a seleção se apoia em três critérios: diversidade, qualidade e originalidade. As propostas que conseguiram equilibrar essas três características vão ao palco, para concorrer ao vivo. Esta edição do Juriti teve número recorde de inscritos e por isso o número de concorrentes também aumentou, passando de 12 para 15 participantes em cada sessão.

MÚSICA
Na década de 60 e 70, os festivais musicais faziam muito sucesso em vários locais do Brasil. Na televisão, por exemplo, grandes músicos que marcariam suas canções na história do país concorriam ali, ao vivo. O modelo é apoteótico, pois é necessário trazer emoções fortes ao público, pois cada artista tem direito a reproduzir uma canção e esta apresentação que irá levá-lo ao topo ou a desclassificação. O caráter competitivo fica, na verdade, em outro plano talvez distante. No Festival Juriti de Música e Poesia Encenada os artistas goianos se encontram, confraternizam e muitas novidades brotam nesse palco.
VOO DO JURITI
Acontecimentos importantes, às vezes, ocorrem entre conversas simples e encontros aleatórios. Dessas conversas despretensiosas podem brotar grandes ideias. O Festival Juriti de Música e Poesia Encenada surgiu entre um grupo de jovens do Setor Criméia Leste, em Goiânia. O coordenador do Festival, o publicitário e jornalista, Ricardo Edilberto, fez parte desse grupo de jovens e conta um pouco sobre o surgimento do festival. “Começamos pequenos no bairro como alternativa de lazer com o fim do campo de terra que era a alegria da comunidade e deu lugar a uma praça vazia. Voamos para outros espaços culturais, mas nunca deixamos de pousar com pelo menos parte do evento em nossa aldeia que é o Crimeia”, conta
Ricardo conta orgulhoso das “revelações” que ocorrem em cada edição do Juriti, sempre alegre por possibilitar um espaço para os artistas locais. “Além de termos contribuído com o voo de bandas e cantores locais como a Carne Doce, Chá de Gim, Diego de Morais, Kleuber Garcez, Bebel Roriz, Rheuter, Lorranna Santos, Passarinhos do Cerrado; dos poetas Kesley Rocha Dias, Dayse Kenia de Morais, Luiza Camilo, Gilmaré, entre outros, além de diversos atores e companhias de teatro”, diz. Ele também lembra das atrações que fecharam o festival. Grandes nomes da música popular brasileira das décadas de 70 e 80: Jorge Mautner e Walter Franco fizeram show de encerramento em edições do Juriti, sendo que Jorge Mautner foi convidado para ser júri da 4ª edição do festival.
A atração que encerra o festival Juriti deste ano é o grupo Último Tipo. A formação se apresentou no Juriti, em uma edição realizada em 1991. O grupo atualmente vive em São Paulo, mas é formado por goianos. A banda também comemora nesta edição 30 anos de estrada. Os vencedores da última edição do Festival também vão se apresentar durante os dias de competição, trazendo o melhor do Juriti para o palco neste ano de 2018. Os classificados para participar desta edição do Festival Juriti de Música e Poesia Encenada você confere abaixo.
POESIA ENCENADA:
Além dos Bips com Fusos – Rosimar Souza de Faria
– A Terra Me Espera – Izabella Devoti
– Big Bang – Fabrício de Araújo Machado
– Coleção – Ana Letícia Lopes da Silva
– Coneccão – Icaro Fernandes Nogueira Brito
– Crocodilo – Isabel Maria de Fátima Roriz Pompeu de Pina
– Dandara Vive – Francielle Thaiane Guedes da Silva
– Eu Nasci Mulher – Sem Nome Cia Teatro
– Goiânia my Fashion Week – Gadiego Cieser de Araújo
– (In) Pulso – Diego Santiago Pereira
– Jogo da Verdade – Sandra Santiago Silva
– Na Trilha de Pindorama – Isabella Magalhães Rovo Dias
– Sete Cavalos – Guilherme Menezes Cobelo e Oliveira
– Vagalume – Alexandre Alves Silva
– XXI Garçonnière – Jheferson Rodrigues Neves
MÚSICA :
– Ambissinistra – Adalberto Henrique Castelo Branco Rabelo Filho
– Apenas Mais Um Dia – Felipe Moreira Chaves
– Balanço das Águas – Flávia Carolina de Almeida
– Cerratense – Isabella Magalhães Rovo Dias
– Encontro de Ilusão – Mariana Costa Amorim
– Estória de Um Poeta – Saulo Santos Fagundes
– Eu Corrupto – Luiz Porto / Eduardo Genuíno
– Ladino Trovador – Agnaldo Gonçalves da Silva
– Mandinga – Eduardo de Souza Teixeira
– Não Vão Calar a Nossa Voz – Murilo Matos Rodrigues
– Questão de Gênero – Kleuber Divino Garcês
– Raízes – Leonardo Bernardino Pereira
– Samba Blue – Bertrand de Oliveira Leal Júnior
– Serra Tensa – Marianna da Conceição Cardoso Nunes
– Xote Interrompido – Eduardo Machado Alencastro Veiga

