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Tempos de violência nas artes

Redação DM

Publicado em 29 de junho de 2017 às 22:28 | Atualizado há 9 anos

A artista plástica goiana Sophia Pinheiro expõe, até o dia 14 de julho de 2017, na Fundação Cultural de João Pessoa, em João Pessoa, Paraíba, personagens anônimos, supostamente invisíveis, violentados e injustiçados. É a Mostra Notas de Falecimento. Os trabalhos compõem a exposição coletiva ‘Etnopoéticas da Imagem’. Um diálogo entre artistas visuais, antropólogos e fotógrafos paraibanos e de outros estados do país. A curadoria é de Fabiano Regenhaux.

A mostra ‘Etnopoéticas da Imagem’ recupera fontes da etnografia. Trata-se de uma ferramenta metodológica da antropologia. Trocando em miúdos: ela concebe as culturas para além do texto escrito. Mais:
abrange sensibilidades. Segundo Fabiano Regenhaux, etnopoesia é um termo utilizado pelo poeta beatnik Jerome Rothenberg. Para promover tradução e interface das manifestações verbais de culturas não ocidentais, explica o curador.

– Com as formas de tradução provenientes de padrões da literatura ocidental.

Em Notas de Falecimento (2016), Sophia Pinheiro, apresenta 12 notas de “cem reais”. Detalhe: estampadas com o busto de pessoas marcadas pela violência dos abusos de poder. “Todos os dias o Estado brasileiro produz Notas de Falecimento. Quanto vale essas vidas? As notas são circuladas pelo sangue dessas vidas marcadas pelas ausências”, explica. A artista plástica de Goiás propõe uma reflexão sobre a violência, protagonizada pelo aparelho estatal brasileiro.

– Subsidiada por interesses econômicos, expondo rostos de brasileiras e brasileiros assassinados, ressaltando os marcadores sociais da diferença (gênero, classe, étnico-racial) que estão exprimidos nestes homicídios.

 

Laboratório

O conjunto das obras em exibição na Fundação Cultural de João Pessoa, Nordeste do Brasil, é resultado do Primeiro Laboratório de Curadoria, desenvolvido pela Galeria Casarão, para a formação de jovens curadores e estímulo da produção crítica. Não custa lembrar: Sophia Pinheiro é a única artista plástica goiana selecionada, entre os 12 artistas expositores, para apresentar seu trabalho etnopoético.

A assessoria de comunicação do evento artístico relata ainda que ela expõe na companhia de Bárbara Wagner e Benjamin de Burca (PE/Alemanha), Sarapó Pankararu e Renato Athias (PE), Potira Maia (PB), Roncalli Dantas (PB), Tony Neto (PB), Emiliano Dantas (PE), Renato Athias (PE), Philipi Bandeira (CE), Kel Baster (MG), Ricardo Peixoto (PB) e Saullo Dannylck (PB).

 

Serviço

Exposição Etnopoéticas da Imagem

Visitação: até 14 de Julho de 2017.

Local: Galeria Casarão 34

Endereço: Praça Dom Adauto, Av. Visconde. de Pelotas, 34, Centro – João Pessoa. Telefone: (83) 3218-9708

Horário: segunda-feira a sexta-feira, de 10 às 16h.

Classificação indicativa: Livre

 

Saiba mais

As vítimas da violência

Amarildo Dias de Souza, 47 anos; Claudia da Silva Ferreira, 38 anos; e Eduardo de Jesus, 10 anos, assassinados pela polícia militar do Rio de Janeiro no Morro da Congonha, Rocinha e Morro do Alemão. Roberto de Souza, 16 anos; Carlos Eduardo da Silva Souza, 16; Cleiton Corrêa de Souza, 18; Wesley Castro, 20, e Wilton Esteves Domingos Junior, 20, assassinados por 111 tiros deflagrados pela PM-RJ contra o carro que estavam em Costa Barros, subúrbio do RJ. Luana Barbosa dos Reis, 34 anos, mulher, negra e homossexual, espancada pela PM de Ribeirão Preto (SP). Laura Vermont, jovem transexual assassinada pela polícia militar na Zona Leste de São Paulo. Araceli Cabrera Crespo, 8 anos, raptada, drogada, estuprada, morta e carbonizada, no Espírito Santo (SP), em 1973. A indígena Guarani-kaiowá Marinalva Manoel, 27 anos, estuprada e assassinada com 35 facadas no Mato Grosso do Sul em 2014.

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