Cotidiano

Não quero ser o próximo

Redação DM

Publicado em 29 de junho de 2017 às 01:03 | Atualizado há 1 ano

Universitários se reúnem e fazem campanha “Não quero ser o próximo” após acidente com estudante na Escola de Veterinária da Universidade Federal de Goiás (UFG). A campanha tem como foco principal denunciar as situações precárias dos prédios, aparelhagens e equipamentos de segurança individual (EPI) da UFG.

Os relatos partiram após campanha lançada por uma mídia on-line e independente (Desneuralizador) com a mensagem “Não quero ser o próximo”. De forma anônima e através de comentários e mensagens, os estudantes dos mais diversos campi da UFG trazem à tona problemas estruturais e corriqueiros que colocam em risco a vida e a saúde desses estudantes que transitam pelos prédios da faculdade e fazem atividades práticas exigidas pela grade curricular.

Denúncias 

Em um dos relatos, um estudante recém-formado em Agronomia pela UFG diz não estar surpreso com a tragédia ocorrida com Lucas Silva Mariano. Ele diz ainda que tem grande respeito e amor pela universidade, mas afirma que a instituição deveria zelar pelos seus alunos acima de tudo. “Infelizmente, o caso do Lucas foi apenas a concretização de uma prática que vem sendo feita na UFG há anos. A total negligência da UFG e dos professores responsáveis pelos estágios desenvolvidos nas áreas experimentais da universidade. Durante meu período de graduação sempre procurei participar ao máximo das atividades desenvolvidas pela Escola de Agronomia (EA), graças a isso tive a oportunidade de vivenciar e presenciar toda sorte de negligência com os alunos”, revela o estudante.

“Eu vi alunos sem nenhum treinamento e uso de EPI aplicarem pesticidas em ensaios experimentais (lembro de uma vez que o aluno ficou ensopado de glifosato, pois ele realizou a montagem do equipamento errada), eu vi alunos sendo ‘obrigados’ a irem colher soja com as próprias mãos sem nenhum tipo de proteção debaixo de um sol escaldante numa área que fica atrás da EA, onde ocorre a desova de carros roubados e cadáveres, sem água potável e comida”, segue o relato.

Em outro relato, uma universitária que preferiu não se identificar revela a situação precária do prédio da Faculdade de Educação, que fica no Setor Universitário. Segundo a jovem, o piso de madeira do local se encontra totalmente desgastado e fragilizado e já foi responsável por causar acidentes no prédio.

“Já ocorreram vários acidentes em que o piso cedeu e a faculdade tenta sempre abafar os casos para não gerar revoltas. O mais recente foi o de uma ex-aluna formada em Pedagogia em 2016/2. Ela tinha uma doença na perna que havia sido controlada depois de muito tratamento. O piso cedeu com ela no local onde era bolsista Pibid, no Laboratório de Informática (Labin), e ela ficou com a perna presa por horas até chegar o Corpo de Bombeiros. Posteriormente passou semanas hospitalizada, pois a doença voltou a atacar sua perna. Sem nenhuma assistência da universidade, ela saiu do hospital e arcou com o tratamento sozinha”, descreve o ocorrido.

A tragédia 

No dia 24 de junho, o estudante de medicina veterinária Lucas Silva Mariano, de 21 anos, morreu após cair em uma máquina para preparação de ração de gado, na Universidade Federal de Goiás (UFG). Testemunhas contaram que ele estava em cima de um trator em uma atividade do curso quando o acidente aconteceu.

Lucas Silva Mariano participava, junto com outros estudantes, de uma atividade de rotina no confinamento experimental de bovinos de corte da EVZ, no campus Samambaia, quando se acidentou fatalmente no equipamento de processamento de ração animal.

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