Escravos da pós-modernidade
Redação DM
Publicado em 28 de junho de 2017 às 00:14 | Atualizado há 9 anos
Homens pós-modernos, escravos de um Senhor chamado tempo, tempo relativo que voa nas asas ultrapassadas do absoluto, tempo de desencanto com o encanto cronológico, tempo de um fim que já chegou e não é mais fim, pois, é o começo de um novo fim que nunca terá fim. Homens pós-modernos, pragmáticos, estáticos, melancólicos, psicodélicos por natureza, vivendo a verdade na mendacidade e a mendacidade na realidade do cotidiano. Homens pós-modernos, perdidos na imensidão dos conceitos, afogados em um mar de informações mais novas que as novidades recentes, desafiando o futuro pela saudade de um passado que, nos ensinava a contar estrelas e a conversar todas as noites com a lua.
Homens pós-modernos, que residem no trânsito, neuróticos enfadados pelas buzinas, Seres aparentes respirando fumaça e vomitando gasolina. Homens pós-modernos, amor virtual, paixão por correspondência, amantes do relógio, teclando com a máquina e dialogando com as paredes. Homens pós-modernos, que perdeu o luxo e agora abraça o lixo, que perdeu a esperança e vive o hoje envelhecido pelo agora. Homens pós-modernos, chorando lágrimas de enxofre, testemunhas oculares de um Capitalismo tardio. Homens pós-modernos, sufocados pela linguagem da metalinguagem do simulacro.
Homens pós-modernos, autômatos regidos por números e por senhas, místicos ao extremo, incrédulos ao máximo, consumistas escravos do próprio consumo, modernos perdidos na razão que se tornou volátil, inimigos da essência que se transforma diariamente na diversidade das interpretações individuais. Homens pós-modernos, injustiçados pela própria justiça e jogados no mundo á mercê da sua própria sorte. Homens pós-modernos, sem rumo, sem ida e sem volta. Homem pós-moderno! Um sonâmbulo cujo travesseiro é o celular.
(Giovani Ribeiro Alves, filósofo, professor de Filosofia na Rede Pública Estadual, em Goiânia, escritor, poeta e articulista do Diário da Manhã)