Pobre, apesar de rico!
Redação DM
Publicado em 27 de junho de 2017 às 04:41 | Atualizado há 9 anos
Fiquei conhecendo um trabalhador especial, nascido em Minas Gerais. Digo especial porque é assim que considero as pessoas inteligentes e honestas, trabalhadoras e simples, sensatas e equilibradas no que dizem e no que fazem. Sua profissão é dessas que abrem as portas dos casebres e das mansões, onde, queira ele ou não, acaba vendo e sabendo muitas coisas.
Por se tratar de um trabalhador com tais características, a lembrança se torna oportuna pela data desta terça-feira, 27, quando o mundo comemora o Dia dos Trabalhadores Industriais Mundiais.
Conversando sobre pessoas ricas, ele então me disse:
– O senhor devia de ver a pobreza da vida do Fulano de Tal. Ele é um dos mais ricaços da cidade. Nem dá pra saber o dinheiro que ele tem. Mas eu acho ele pobre, pior do que eu, porque ele tem dinheiro só pra guardar.
Pedi-lhe que explicasse o que era “dinheiro só pra guardar”. Explicou:
– O senhor vê só uma coisa: eu, que ganho trezentos e poucos reais por semana, sou mais generoso que uma pessoa assim. Eu conheci um tantão de gente que trabalhava para esse Fulano, e ninguém nunca teve carteira assinada. Ele tem loja e obriga o pessoal a trabalhar depois da hora, sem pagar certinho tudo que deve. Nunca que ele deu um lanche, mesmo vagabundo, para os trabalhadores dele… Que é que adianta uma pessoa assim ter tanto dinheiro? Pra mim, ele vive na maior das pobrezas. Deve ser por isso que a vida desse Fulano é um inferno. Nem o pessoal da família gosta dele…
Ouvindo com toda a atenção aquelas palavras de alguém que nem chegou a completar o primeiro grau, concluí que elas encerravam algo de sabedoria. Ser rico é algo mais do que possuir riquezas. Ser rico é, também, ser capaz de viver ricamente, e não só no aspecto material, como vivem os que só pensam em si mesmos. Para que sejamos verdadeiramente ricos, é necessário que saibamos aproveitar o dinheiro para pôr em marcha muitos pensamentos de bem, deixando um rastro luminoso na trajetória de nossas vidas.
Mas o Fulano de Tal de nossa história é diferente. Seu dinheiro é sua desgraça. Seu grande objetivo da vida não é fazer o bem com o muito dinheiro que tem, e sim viver preocupadíssimo em ganhar mais, em ter sempre mais. E seguirá assim, agitado, desconfiado e entristecido, até que venha o caixão e lhe mostre, definitivamente, que a riqueza simplesmente passou por ele, dando-lhe em vão uma maravilhosa oportunidade de fazer o bem a muitas pessoas. A morte será a única capaz de convencê-lo de que a riqueza material não pertence de fato a ninguém. Pertence ao mundo, e no mundo deve ficar.
A ciência logosófica assinala várias deficiências psicológicas ligadas a vidas como a do Fulano de Tal. Entre elas, destaca-se a ambição egoísta, que no mundo sempre foi e é uma das principais causas do desentendimento, da guerra, da infelicidade de indivíduos, famílias e povos.
(Dalmy Gama, escritor, professor e docente de Logosofia)