Nas bases eternas do amor
Redação DM
Publicado em 20 de junho de 2017 às 02:52 | Atualizado há 9 anos
Muitas vezes trazemos recalques. Não podemos ver o adversário sem que a cólera nos inflame o coração. Mas irados, assim, não estamos aptos a acertar: o desequilíbrio já tomou conta de nós. E desequilibrados geramos flagelos de toda natureza. E esse momento grave deve ser sanado com a prece, com o esforço de reconciliação, de paz íntima, de harmonia para com todos. Readquiriremos o equilíbrio se soubermos amenizar os pensamentos, harmonizando-os à bondade, ao perdão, à tolerância.
Se alteramos com alguém e esse alguém deu crédito ao que falamos, também é um fraco e tem melindres no coração – porque igualmente se irritou. Irritou-se porque a vibração arrasadora da nossa cólera, transmitindo desequilíbrio e ódio, suscitou-lhe sentimentos idênticos, explodindo daí o desentendimento de consequências imprevisíveis. Como podemos notar, portadora de irradiações devastadoras e odiosas, a cólera transmite ao adversário as mesmas vascas de malquerença e destruição que sentimos e emitimos, pois vibramos – nós e ele – na mesma faixa negativa.
E todas as nossas emanações interiores, após perturbarem o próximo, voltam a nós porque são produtos do nosso “eu”. Funciona aí a lei do retorno. O potencial energético promanado dos nossos sentimentos bons ou maus – repetimos – após envolver a pessoa que mentalizamos, retorna à sua fonte criadora que somos nós, porém acarretado de mais energias similares colhidas no decurso entre nós e a criatura que focalizamos. Assim como um enxame de abelhas sai a castigar uma pessoa que passa e depois retorna ao viveiro acrescido às vezes de outras irmãs que voejavam esparsas, também aos nossos pensamentos e sentimentos voltam ao nosso espírito que os gerou, cumulando-o de bênçãos ou de flagelos, conforme tenha sido o teor de tais manifestações. Daí, a lógica do ensinamento divino do Mestre: “Tudo o que fizerdes ao próximo, a vós mesmos estareis fazendo”. “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra (que é produto do sentimento) que sai de sua boca.”
Falando, portanto, em prejudicar os outros, estamos prejudicando também a nós mesmos. Odiando o semelhante, a nós mesmos estamos malquerendo. Se somos rancorosos, somos dementes. Acarretamos doenças e perturbações para nós mesmos toda vez que desejamos o mal para quem quer que seja. Se pretendemos aborrecer o próximo, acumulamos aborrecimentos para nós mesmos. Se gostamos de atirar lama nos outros, é porque já estamos enlameados não é de agora.
Com o nosso proceder forjamos o nosso próprio mundo, o nosso clima pessoal, o nosso ambiente. Nossa vida externa é o reflexo da nossa vida interior; quem vive no Bem, vive bem; quem vive no mal… (não tem razão de revoltar-se contra Deus!).
Sejamos bons e mansos, que é melhor.
Que de nossos corações a alegria e o otimismo possam ser alentadoras energias para os tristes e pessimistas, despertando-os para a gloriosa ascensão rumo à felicidade maior pelas trilhas do trabalho, do esforço e da renúncia às ilusões parasitárias e neutralizantes da vida.
Que de nossos lábios emane o cântico vigoroso da fé racional, a todos inspirando fraternidade, tolerância, paciência e humildade.
Que dos nossos próprios exemplos de retidão e bondade, sacrifício e redenção, todos possam colher estímulo para viverem felizes dentro do Bem, da harmonia e do trabalho intenso na implantação do reino de Deus entre nós.
…Que sejamos, enfim, para todos, a candeia que ilumina o caminho certo da felicidade geral, e que os nossos gestos de caridade representem, para todos, os meios pelos quais poderemos conquistar a paz interior de que tanto necessitamos, uma vez que só conseguiremos construir a nossa felicidade nas bases eternas do Amor.
(Iron Junqueira, escritor)