Política

PF prende Juquinha por lavagem

Redação DM

Publicado em 3 de junho de 2017 às 02:13 | Atualizado há 1 ano

Ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, o Juquinha, foi preso ontem por agentes da Polícia Federal em um desdobramento da Operação De Volta aos Trilhos, desencadeada na semana passada. Na primeira fase, o filho de Juquinha, Jader Ferreira das Neves, foi preso e ele foi alvo de um mandado de condução coercitiva.

O Ministério Público Federal havia pedido a prisão de Juquinha na primeira fase, deflagrada dia 25 de maio, sob o mesmo argumento que embasou a prisão de seu filho Jader. Na ocasião, o MPF acusou Juquinha de participar dos atos de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio adquirido com recursos que teriam sido originários de propina recebida durante as obras da Ferrovia Norte Sul. “Ocultando a proveniência, propriedade, origem e localização dos bens recebidos em pagamento, Jader os manteve, e os mantém até a presente, em nome dos proprietários anteriores, dando caráter contínuo e permanente ao crime de lavagem de dinheiro”, narraram os procuradores da República.

Entretanto, o juiz federal substituto da 11ª Vara Federal, Rafael Ângelo Slomp, entendeu que não ficara caracterizada a participação de Juquinha diretamente nos atos de lavagem de dinheiro, apesar de reconhecer que Juquinha “adquiriu vasto patrimônio incompatível com sua condição de empregado público” e que ele e seu filho Jader “encontram-se em plena atividade delitiva, continuando a lavar dinheiro, mantendo oculto e dissimulado patrimônio amealhado com os crimes praticados quando o primeiro presidiu a Valec”.

Após os depoimentos de Fábio Júnior Santos Pereira e Mário Césio Ribeiro, que foram conduzidos coercitivamente na primeira fase da operação, o MPF voltou à carga com novo pedido de prisão de Juqinha. Os depoentes teriam confirmado o envolvimento direto de Juquinha em todos os atos de lavagem de dinheiro, o que justificaria a prisão, segundo o magistrado.

Lavagem

Além de ter recebido vultosa soma de propina, o MPF acusa Juquinha e seu filho de terem ocultado patrimônio e lavado dinheiro para desviar os recursos recebidos de dinheiro desviado. Uma dessas ações de Juquinha e seu filho foi a negociação de uma fazenda de mais de 5.000 hectares no município de Nova Crixás pelo valor de pouco mais de R$ 12 milhões. Uma parte do pagamento foi feito em cheques de terceiros e o restante em dinheiro vivo. “Jader pagou a importância de R$ 4.388.888,52 às vendedoras (parte com depósitos em dinheiro, parte com depósitos em cheques de terceiros, realizados de modo fracionado ou diluído (técnica de smurfing, utilizada para dissimular a movimentação de grandes somas), a título de sinal, com recursos provenientes dos mesmos crimes antecedentes acima referidos, ficando o restante para ser pago até 15/04/2012”, narraram os procuradores da República.

Juquinha e seu filho já foram condenados na ação penal derivada da Operação Trem Pagador a dez e sete anos de reclusão, respectivamente, por formarem quadrilha e lavarem aproximadamente R$ 20 milhões provenientes da prática de crimes de cartel, fraudes em licitações, peculato e corrupção nas obras de construção da Ferrovia Norte-Sul, praticados por Juquinha quando presidiu a empresa pública Valec. Ambos aguardavam o julgamento de seus recursos em liberdade.

DE Volta aos Trilhos

A operação De Volta aos Trilhos é um desdobramento das investigações da Lava Jato e nova etapa das operações O Recebedor e Tabela Periódica. Conforme os procuradores da República, a ação baseia-se em acordos de colaboração premiada assinados com o MPF pelos executivos das construtoras Camargo Corrêa e da Andrade Gutierrez, que confessaram o pagamento de propina a Juquinha das Neves.

De acordo com o MPF, a ação também é embasada em investigações da Polícia Federal que levaram à identificação e à localização de parte do patrimônio ilícito mantido oculto em nome de terceiros (laranjas).

Assim, os procuradores destacam que um dos principais objetivos da operação é o sequestro e apreensão dos seguintes bens:

  • Apartamento no edifício IT Flamboyant, no Jardim Goiás, em Goiânia
  • Apartamento em construção no Edifício Residencial Applause-New Home, no Setor Coimbra, em Goiânia
  • Cinco casas populares localizadas no Condomínio Residencial Pôr do Sol II, na cidade de Bela Vista, Goiás
  • Aeronave King Air, prefixo PT-WFNAeronave Neiva Seneca III, prefixo PT-VOV
  • Nota promissória emitida no valor de R$750 mil

Cotas do capital social de Noroeste Imóveis Ltda., bem como dos imóveis registrados em nome dela: loteamento Jardim Noroeste, com quase 300 lotes, em Água Boa (MT); duas glebas de terra nos municípios de Breu Branco e Goianésia do Pará.

A Valec, informou, em nota, que “as irregularidades que motivaram a operação referem-se a períodos em que a empresa era gerida por outra Diretoria. Quando foi deflagrada a operação “O Recebedor”, a atual diretoria da Valec instituiu internamente uma Comissão Especial de Acompanhamento e Apuração com a finalidade de acompanhar fatos investigados e mantém seu compromisso com a probidade, a ética e a transparência no exercício da atividade pública”. (Com informações do G1)

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