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Arte goiana

Redação DM

Publicado em 16 de maio de 2017 às 02:54 | Atualizado há 1 ano

A artista goianiense Marilda Passos está completando 25 anos de atividades artísticas e comemora a data com uma exposição retrospectiva de seu trabalho. A mostra, intitulada “Marilda Passos – Oscilações entre o real e o infinito”, tem curadoria do crítico de arte, também de Goiânia, Miguel Jorge, que assina o texto de apresentação da artista. Marilda tem um de seus trabalhos exposto na Praça Universitária, local que abriga um dos maiores museus a céu aberto da América Latina.

A mostra “Marilda Passos – Oscilações entre o real e o infinito”, que ocupa todo o espaço expositivo do MAG, seguirá aberta ao público até 16 de julho, de terça a sexta, das 9 às 12 horas e das 13 às 17 horas e aos sábados, domingos e feriados das 8 às 18 horas.

O catálogo da exposição inclui ainda um texto analítico da obra de Marilda assinado pelo crítico de arte José Neistein, de Washigton, EUA, que dirigiu o Brazilian American Cultural Institute, na capital estadunidense, durante mais de três décadas.

A exposição, que sucede a mostra retrospectiva de Sandro Torres e a exposição “A quântica rara”, de Marcelo Solá, no MAG, será aberta nesta terça feira, dia 16 de maio, às 19 horas, reunindo cerca de 100 obras da artista, entre pinturas, esculturas, desenhos, técnicas mistas sobre papel e fotografias.

Segundo Miguel Jorge, Marilda Passos, que reside e trabalha em Goiânia e São Paulo, “em sua multiplicidade de formas, de abstrações, de buscas, de achados, move-se de modo orientado em meio aos ruídos de São Paulo, dentro da medida certa, com organizada maturidade. A artista, cada vez mais exigente, retorna frequentemente ao limiar perceptivo do tradicional e do moderno sem abdicar-se da limpeza, clareza de pontuações de linhas, dos instrumentos matemáticos ou arquitetônicos existentes em formação de seus trabalhos, que a conduziram a ser o que é”.

Referindo-se às fotografias da artista, afirma o curador: “A artista começa por fotografar edifícios em construção para, daí, apurar com sensibilidade a situação de cada uma delas, os blocos de concreto, as placas de vidro, os guindastes, as sombras, o próprio azul do céu recortado geometricamente criam uma poderosa poética, a poética da construção já mencionada pelo concretista Haroldo de Campos. Trabalho que requer pesquisa, informação, paciência, interferências e as imprescindíveis exigências de abertura que conduzem para o enriquecimento de sua arte.” E conclui: “O que resta desta experiência são abstrações, com possibilidades de significados. Tem-se ai, então, o expressar de sua arte no tempo de agora.”

 

Texto analítico sobre a obra de Marilda Passos escrito pelo crítico de arte José Neistein

As várias técnicas de que Marilda Passos se serve para expressar sua arte são desdobramentos de algumas ideias e intuições básicas que se manifestam com igual coesão e intensidade, sempre obedecendo às exigências específicas de cada uma das várias modalidades alternativamente escolhidas, as quais ela domina com igual mestria.

Todas elas, cuidadosamente elaboradas com a energia e sutileza que seus quase trinta anos de criatividade profissional gradualmente sedimentaram curvas, sóbrias e líricas. Nelas, a cor também é pesquisada, sempre que ela usa técnicas mistas sobre telas. Estas, por sua vez, são feitas de arquiteturas imaginárias, onde os ventos circulam por vãos amplos ou estreitos. Nas marinhas, as águas e as brisas apenas se insinuam na trama de traços delicados, onde o devaneio da poética da artista vem de encontro aos devaneios de quem os vê.

Mas quando suas composições combinam traços ou pinceladas vigorosas, ela nos remete às prisões de Piranesi, onde o sufoco claustrofóbico dos espaços fechados e imensos nos levam a ansiar a liberdade, ao viajarmos pelas grades amplas e arejadas e pelos traços finos das estruturas interiores que nos deixam entrever a luz.

É particularmente no desenho a nanquim sobre papel que esse diálogo entre as estruturas espessas e fortes e as linhas feitas como teias nos deixam experienciar espaços oníricos, enredados que somos em benignos pesadelos.

Mas todas as curvas que Marilda deixa de usar nas telas e nos papéis, emergem vitoriosas em suas esculturas em pedra sabão e em argila. Toda a sensibilidade contida e disciplinada nas outras técnicas, desabrocha triunfante na tridimensionalidade dos materiais.

Fotógrafa igualmente exímia, o olho e a câmara de Marilda se apropriam de estruturas preexistentes de pontes, prédios, vidraças e pormenores de objetos aleatórios nos quais, de novo, predominam as linhas retas, para torná-las suas próprias estruturas, estas mais especialmente projeções e metáforas de suas estruturas interiores, íntimas, fortes, sutis e belas.

 

[box title=”JOSÉ NEISTEIN”]

Art in Brazil–Handbook of Latin American Studies

Library of Congress, Washington, D.C.

Abril de 2017.[/box]

 

 

[box title=“Marilda Passos – Oscilações entre o real e o infinito”]

Local: Museu de Arte de Goiânia – MAG, localizado no Parque dos Buritis, Rua 1 nº 605, Setor Oeste

Abertura: 16 de maio, terça-feira, às 19 horas

Duração: de 17 de maio a 16 de julho.[/box]

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