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Alien – covenant

Redação DM

Publicado em 13 de maio de 2017 às 03:19 | Atualizado há 1 ano

Antes de tudo, quero deixar claro que não considero “Prometheus” uma porcaria de filme. Há os problemas estruturais de roteiro, mas ao menos é uma obra em que Ridley Scott, que foi o diretor do original de 1979, “Alien – O Oitavo Passageiro”, retorna à franquia que lhe colocou no mapa de Hollywood para expandir a mitologia Alien no cinema e fugir da repetida história de “monstro assassino versus. grupo de cientistas”.

Porém, um problema que eu tenho com “Prometheus” é justamente o filme ter receio em se assumir como um prelúdio do longa original e uma dentro do universo “Alien”. Como se não bastasse, apesar deste novo, e sexto longa-metragem da cinessérie se chamar “Alien – Covenant”, Scott, que retorna mais uma vez como diretor, pode até ter colocado Alien no título para não causar mais infortúnios, porém, o filme continua receoso e relega a criatura como coadjuvante de sua própria história. O resultado obtido é uma obra que engana o espectador e se maquia para parecer algo novo, mas na realidade, “Alien – Covenant” volta ao clichê do já citado “monstro assassino versus. grupo de cientistas” e entrega a obra mais preguiçosa e estúpida da franquia. Nem mesmo o básico do básico é executado com dignidade.

Vamos começar falando sobre a bestialidade dos cientistas do filme. Em “Prometheus” o grupo já não era formado por profissionais muito inteligentes e racionais, e aqui a situação é ainda pior. Os tripulantes da nave Covenant estão em sono induzido até sua chegada ao planeta Origae-6, escolhido após muitos estudos e pesquisas como o lugar ideal para iniciar uma nova colônia de terráqueos. Durante o caminho, acontece um acidente que desperta estes cientistas do sono, eles recebem uma mensagem gravada qualquer – uma mensagem, diga-se, que não diz nada plausível ou entendível – e então, interessados em saber a origem do sinal, conseguem rastrear e identificar a origem. A mensagem vem de um planeta próximo e que, vejam só, aparentemente tem capacidade e características muito melhores para se viver do que o planeta escolhido para a missão – lembrando que eles chegam a esta conclusão só de digitar no computador. Agora, como um planeta assim foi passar despercebido eu não sei – provavelmente culpa de um estagiário – mas então, estes cientistas resolvem mudar o curso da missão, sem provas concretas de que realmente o novo planeta é um local adequado, e comprometem os milhões gastos em pesquisa e estudos numa escolha movida por sentimento baseada em uma mensagem gravada que não diz absolutamente nada. Isto não só coloca em risco a vida deles, como a dos próprios colonos e embriões à bordo. E não vamos entrar em detalhes sobre as medidas de segurança tomadas quando estes cientistas chegam ao novo planeta que mal conhecem, e mal sabem dos perigos e riscos de contaminação. É um tópico para uma discussão mais aprofundada, podemos dizer.

7-3

Se “Alien – Covenant” é uma continuação de “Prometheus”, que já deixava muita coisa aberta para futuros filmes, então, não parece. Todas as perguntas realizadas por “Prometheus” sobre os engenheiros, a origem da humanidade, ou mesmo acerca do destino da personagem de Noomi Rapace que fugia com o androide David (Michael Fassbender) para o planeta que é cenário deste “Covenant”, tudo isso continua sem respostas e mal são abordadas pelo roteiro. “Alien – Covenant” é um dos filmes mais mentirosos dos últimos anos, que engana o espectador se vendendo como algo que não é, e no fim, o que temos é um genérico da própria franquia que mal serve como continuação ou filme do meio – já que o próprio Scott confirmou que o roteiro do próximo longa está pronto e as filmagens começam em breve. Todo filme de terror ou suspense com um grupo de pessoas é natural que se dê características a cada personagem e faça o público se identificar com eles para, consequentemente, o mesmo público vir a sentir com a morte de cada um. Neste “Alien – Covenant” nós temos o grupo de personagens mais apáticos e desinteressantes não só da franquia “Alien” como de qualquer filme de terror ou suspense. Além de não existir desenvolvimento de ninguém ali – nunca sabemos ao certo qual a utilidade de alguns – o filme tão pouco acerta na catarse, que é o mínimo que você requer de um filme de monstro. Há mortes tensas e visualmente grotescas, mas que são desprovidas de suspense, beleza visual e são pobres em concepção. Não há uma cena de morte memorável, e isso só prejudica o nível de ameaça do personagem Alien.

Se a intenção de Ridley Scott é sucumbir estes novos filmes com o nascimento de Ripley e uni-los ao longa de 1979, então até agora só tivemos “Prometheus” para unificar o processo. O que deveria ser um passo adiante na nova trilogia (?) que precede o original, “Alien – Covenant” é o pior genérico possível do gênero. O que deixa mais triste? É saber que ele não foi dirigido por um novato qualquer, mas justamente por aquele responsável pelo começo de tudo. Ou seja, sem desculpas.

 

(Matthew Vilela, comentarista de cinema do DM e do blog “Blog do Matthew Vilela”)


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