Voos perigosos
Redação DM
Publicado em 4 de abril de 2017 às 02:39 | Atualizado há 1 ano
Ativismo e sensibilidade é o que a artista plástica Edivania Santos pretende demonstrar na exposição “Os Outros Moradores da Cidade”, que abre hoje, às 20h, no Teatro Sesi. Através do colorido do desenho feito com lápis de cor, a artista coloca em foco a perigosa migração das aves do campo para a cidade. Ela se inspira nos pássaros que chegam às metrópoles em busca de alimento e abrigo, fugindo das queimadas e do desmatamento, mas acabam vivendo em situação de perigo fora de seu habitat natural.
O trabalho surgiu de uma pesquisa de campo, na qual a artista percorreu a cidade por três anos fotografando as espécies das matas, que são facilmente encontradas em Goiânia. As fotos deram sim, mais fôlego à sua criação, contudo a artista esclarece, que “Os Outros Moradores da Cidade” não trata-se de cópias deste registro fotográfico. “São trabalhos únicos, coloridos que tem também o interesse de transmitir às pessoas a alegria, a paz a serenidade da natureza”, define.
Na mostra são expostos 17 quadros, nos quais espécies como: bem-te-vi, joão-de- barro, rolinha, pardal e beija-flor interagem com a cidade. E a artista deixa bem claro que esta interação pode ser perigosa, já que alguns objetos ou moradores das metrópoles – a exemplo de: vidraças, fiações elétricas, linhas de pipas, carros e até gatos e cachorros – podem causar sérios riscos aos pássaros.
“Hoje é mais fácil avistar um beija-flor na cidade do que no campo, já que o plantio de árvores e espécies que dão flores para a ornamentação das ruas, praças e jardins particulares fornece-lhes mais alimento que o cerrado”, explica.
E para a artista é preciso viver em harmonia com este novos moradores da cidade com a preservação e a manutenção das áreas verdes nas cidades, como parques, Área de Preservação Permanente (APPs), jardins botânicos e a arborização das ruas. Mas, a artista explica, que estes locais devem dar preferência para a vegetação nativa do local, que no caso aqui em Goiânia, é o Cerrado.
“Vale lembrar que nem todas as aves tendo seu habitat destruído vão se adaptar aos centros urbanos. As chamadas espécies endêmicas (que só se adaptam a uma determinada região) desaparecerão, pois elas dependem de condições”, esclarece.
Magia do lápis de cor
O que é preciso dizer ainda sobre a exposição, além da mensagem ecológica, é claro, seu valor artístico. E, um dos maiores objetivos da mostra é ressaltar a versatilidade do lápis de cor. Acessível e sem contraindicações, o material, para a Edivania não recebe todo apreço que merece. “Com lápis de cor é possível fazer desde esboços, traços e cobertura simples a ilustrações riquíssimas em detalhes”, conta a artista.
Para usar o material de forma que se confunde até com uma pintura, a artista usa a técnica camada sobre camada, o que confere aos trabalhos aspecto realista exigindo da artista uma boa coordenação motora, concentração e um pouco mais de paciência.
“Com a prática descobri novos meios de se fazer a pintura, adaptei técnicas, criei novos métodos e possibilidades dentro do meu estilo. Com o lápis de cor pode-se ainda fazer aquarelas, pinturas abstratas e impressionistas, croquis, ilustração. Ou seja: pode brincar, criar e ser profissional”, argumenta.
A artista
Edivania Santos é natural de Porangatu (GO). Formada em Geografia pela UEG, mudou-se para Goiânia em 2011. Em 2014, completou o Curso Técnico em Artes Visuais – Habilitação em Desenho e Pintura, no Centro de Artes Basileu França. É especialista em pinturas a óleo e lápis de cor, sendo atualmente professora desta última técnica na escola de artes Milagre dos Peixes, no Setor Jaó.
Como nasceu e viveu na zona rural até os 13 anos, Edivania Santos estabeleceu uma forte ligação com a natureza e o meio ambiente, sendo toda a sua vida dedicada ao estudo do bioma Cerrado, integrando assim o ambiental com o artístico.

