Política

‘‘Estão condenando o futuro do Brasil”

Redação DM

Publicado em 10 de janeiro de 2017 às 00:52 | Atualizado há 2 anos

  •  Edward Madureira diz que ainda é cedo para se afirmar candidato, mas é quase uma unanimidade dentro e fora da Universidade. Sobre  a reforma no ensino médio, Edward expôs que mudanças eram necessárias, mas da forma como foram realizadas, sem ouvir a sociedade, e cortando conteúdos importantes é preocupante.
  •  Para o educador, a PEC 241 é o maior motivo de preocupação de todos os educadores e gestores da Educação. Um recado claro de que o Plano Nacional de Educação não será cumprido. “Uma das metas do PNE é a expansão do número de matrículas, mas com cortes de investimentos é impossível cumpri-la”.

  •  Edward diz que vivemos tempos de desmantelamento das políticas sociais e afirma estar temeroso até pelo futuro do Enem. “O ministro da Educação falou em mudanças no Enem. O programa precisa ser aprimorado, mas o que preocupa é que muitas medidas estão sendo tomadas sem ouvir a sociedade. Os sinais não são bons”.
  •  Sobre as cotas, Madureira diz que os números da UFG mostram que o medo que parte da sociedade tinha de os cursos perderem a qualidade não se concretizou. “O desempenho dos alunos cotistas e não cotistas são extremamente semelhantes. Quem tem essa oportunidade se agarra a ele e consegue bons resultados”

 

Quando em 2006 o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), Edward Madurera, era eleito para reitor, a história da UFG estava se dividinho em duas. Uma antes e outra depois de sua gestão. Durante seus mandatos, Madureira dobrou o tamanho da instituição. De 200 metros quadrados de área contruída para 400. De 75 cursos para 150. De 13 mil estudantes para 25 mil. Na pós-graduação, praticamente foram triplicados os cursus stricto sensus, mestrado e doutorado.

Tudo isso não aconteceu por acaso. Se em 2006 Edward assumiu a liderança da UFG, em 2007, sob o comando do ex-presidente Lula, foi lançado aquele que é considerado o maior programa de restruturação e expansão das Universidades Federais que o Brasil já teve, o Reuni. O bom momento para a educação não seria o suficiente se os reitores das universidades federais do Brasil não estivessem atentos e preparados para elaborar projetos que permitissem a captação das verbas. Muitas universidades deixaram passar boas oportunidades. Não foi o caso de Goiás, que além de aproveitar todas as verbas destinadas a UFG, também captou o dinheiro de outras instituições que não conseguiram ficar com os recursos por falta de projetos.

Administrar uma universidade como a UFG, com toda sua complexidade, um orçamento de um bilhão de reais por ano, 40 mil pessoas, entre alunos, funcionários e professores, equivale a administrar uma cidades de médio porte. Então com o impacto de sua gestão, Edward começou a despertar atenção de gestores goianos e nacionais. Recebeu convites para ser secretário de Educação de Maguito Vilela, quando prefeito de Aparecida de Goiânia, foi sondado por integrantes do governo de Marconi Perillo. Este ano chegou a ser disputado pelos prefeitos de Goiânia e Aparecida, Iris Rezende e Gustavo Mendanha. Mas Edward preferiu seguir seu trabalho na UFG. Ele diz que só aceitaria convites para secretário se tivesse certeza que teria condições e total autonoma.

Como candidato a deputado federal, Edward não conseguiu se eleger, apesar o segundo mais votado da coligação da qual fazia parte. Foram quase 60 mil votos que garantiram a ele a vaga de primeiro-suplente de deputado federal. Madureira é contundente em afirmar que se vier a ser reitor mais uma vez, não deixará o cargo para disputar nenhum cargo eletivo.

 

Entrevista

Sabrina Ritiely  – Edward, quais foram as principais obras realizadas na UFG durante seus dois mandatos e quais as políticas públicas que mais te auxiliaram?

Edward Madureira – Para mim foi uma felicidade muito grande assumir a universidade no auge das política públicas para educação do govenro Lula e depois no Governo Dilma. Nós tivemos inúmeras políticas para as Universidades Federais nesse período, mas três merecem destaque.  O que chamamos de expansão I, que foi uma política de interiorização das universidades, que começou no final de 2005, portanto, logo antes de eu assumir, que foi em janeiro de 2006. Nessa época teve uma grande expansão da regional de Catalão e da regional de Jataí, que permitiu mais do que dobrar o tamanho daquelas unidades, em termos de cursos e infraestrutura.

Depois, em 2007, houve aquele que para mim é o maior programa e mais importante que já existiu para educação pública superior brasileira. O Programa Reúne. O programa de restruturação e expansão das Universidades Federais. Ele permitiu que as universidades apresentassem projetos que ampliavam significamente suas vagas e com todo o suporte em termos de quadro de pessoal de recursos para a infraestrutura e também com recursos de custeio.

A terceira expansão foi no governo Dilma em 2011, no qual se criaram novos campus da UFG. O de Aparecida, já em funcionamento, mas com atraso na entrega das obras devido a dificuldade em orçamento nos últimos anos. Também o campus de Cidade Ocidental, que está em fase de definições. Além da expansão na área da saúde. Surgiu o curso de medicina de Jataí, que já é consolidado. Também foram criadas condições para a contrução de um curso de medicina em Catalão.

 

Sabrina Ritiely  – Edward, quando você foi reitor os tempos eram de expansão e investimentos. Mas agora como será com a PEC 241 (Proposta de Emenda Constitucional) que congela os gastos públicos aos índices da inflação?

Edward Madureira – Essa PEC é o maior motivo de preocupação de todos nós educadores e gestores da Educação. E pelo que percebo essa preocupação não chegou ao cidadão comum, que não acompanha os dados do orçamento. Talvez não se tenha entendido o tamanho do problema que estamos criando para o Brasil ao congelar, corrigir pela inflação é congelar o nível de investimentos nas universidade e fazer isso por 20 anos. Em 2014 foi aprovado o Plano Nacional de Educação(PNE), e dentre suas 20 metas ele coloca a expansão do número de matrículas no nível superior, que atige hoje menos de 17% entre jovens de 18 a 24 anos, em todo o ensino superior.

O PNE propõe a expansão para 33% do número de matrícula. Ou seja, o objetivo é duplicar o número de matrículas na educação superior. O plano é elevar para o 1/3 do jovens nas universidades. E não existe mágica para alcançar esses números. Qualquer país desenvolvido tem uma taxa de matrícula líquida próximo a 50%. Alguns países chegam a 80%, como a Coréia do Sul. Então um projeto de País precisa de mais jovens nas Universidades. E ainda temos um agravante. O número de jovens no País tende a descrecer. O nosso bônus demográfico, que é a população de jovens maior que de adultos e idosos está acabando. Nossa pirâmide vai ficar cada vez mais com a base estreita. E é nessa fase que nós desenvolvemos os talentos que vão gerar as patentes, as tecnologias e que vão fazer diferença no futuro do País. Então, ao congelar o recado é claro: nós não vamos expandir mais. Pode-se pensar em dar mais bolsas para as universidades privadas, mas os gastos estão congelados. As famílias não conseguem mais pagar para seus filhos estudarem. Ou são universidades públicas ou são programas como o Prouni.

 

Sabrina Ritiely  – Qual será o resultado dessa política econômica para a educação?

Edward Madureira – Com essa PEC, nós estamos fadados a esse número irrisório de estudantes jovens no ensino superior e estamos condenando o futuro do País. A PEC é estremamente danosa. Uma estimativa: se em 1998, quando viviamos uma crise econômica, tivesse sido aprovada uma PEC como essa, hoje a UFG teria deixado de receber investimentos de mais de seis bilhões de reais. Não teríamos 2500 professores trabalhand, não teríamos duplicado o tamanho da Universidade e levado a UFG para o interior do Estado. Não teríamos os laboratórios com o equipamentos mais modernos do mundo. Viveremos momentos muito dificéis se essa decisão não for repensada. A necessidade de investimento nas universidades ampliam em proporção maior do que a correção da inflação.

 

Sabrina Ritiely – Quais foram os programas mais importantes para a Educação no Brasil?

Edward Madureira – O Reuni, no caso das Universidades federais, e o programa de expansão dos institutos federais foram os mais importantes. Além de terem sido criadas cerca de 25 universidades federais, o número de campus dessas universidades aumentou de pouco mais de 100 para 300 campus. Então são 300 municipios atendidos. Nos intitutos federais esse número foram até mais significativos. De 120 escolas técnicas, é bom frisar que nos governos anteriores foi proibido a crianção de escolas técnicas federais, para mais 600. Praticamente 1 a cada 5 munícipios brasileiros com uma instituição federal provendo educação de qualidade.

 

Sabrina Ritiely – Algum outro?

Edward Madureira -Outro marco foi a criação do Enem como principal mecanismo de entrada nas universidades. Só o fato de as pessoas prestarem uma prova e com a nota ter acesso a qualquer universidade federal do País, significa uma abertura de oportunidades sem precedentes. Anteriormente, apenas quem conseguia pagar para fazer uma movimentação pelo país nas épocas das provas é que tinham essa oportunidade de fazer vários vestibulares de diferentes universidades. O Ciência sem Fronteiras também foi muito importante. Apesar de alguns problemas, é um programa extremamente estratégico e tem muito a contribuir com o desenvolvimento do País. Quem tem a oportunidade de estudar fora volta com outra mentalidade.

 

Sabrina Ritiely – Qual foi o resultado das cotas na UFG?

Edward Madureira – A inclusão. Os números da universidade mostram que o medo que a sociedade tinha de os cursos perderem a qualidade com a política de cotas não se concretizou. O desempenho dos alunos cotistas e não cotista são extremamente semelhantes. As pessoas que conseguem a oportunidade se apegam a ela e se superam. Claro que política de cotas tem que ser uma coisa temporária. De maneira nenhuma isso pode substituir os investimentos na educação básica, para que um dia todos possam concorrer de igual para igual. Ai então poderemos abrir mão dessas políticas de cotas.

 

Sabrina Ritiely – O que você achou da reforma realizada no ensino médio pelo governo de Michel Temer?

Edward Madureira – Ninguém nega a necessidade de uma reforma na educação do ensino médio. Mas de maneira nenhuma concordamos com a maneira com que foi feita. Com medidas provisórias, retirando conteúdos importantes. Essa reforma é motivo de muita preocupação.

 

Sabrina Ritiely – Por que você deixou o governo federal depois da queda de Dilma Rousseff?

Edward Madureira – Eu deixei o governo por uma questão de princípios. Eu não concordo com a forma que a presdente Dilma foi retirada do cargo. A retirada da Dilma do poder foi uma decisão política baseada na sua baixa popularidade. Eu não poderia continuar a fazer parte de um governo que não tem a legitimidade das urnas. Apesar de estar fazendo um trabalho importante, eu não estava a vontadade.

 

Sabrina Ritiely – Por que você negou todos os convites para secretário de educação dos prefeitos Maguito Vilela, Marconi Perillo, Gustavo Mendanha e Iris Rezende?

Edward Madureira – Essa minha passagem pela reitoria da UFG me deu visibilidade e por eu ter contado com uma equipe coesa e um govenro federal apoiando, me permitiu ousar bastante. Fomos além devido as condições que tivemos. Essa vontade de fazer, de realizar ensejou alguns convites, sondagens. Mas para mim é essencial que eu perceba que minha atuação vai ter um nível de autonomia e enxergar possibilidades reais de realizar. Não é meu objetivo ocupar cargos por visibilidade. O que me move é a vontade de fazer e transformar a sociedade. Então eu preciso estar seguro de que posso fazer e contribuir com a sociedade. Não descarto a possibilidade de um dia participar de um governo municipal ou estadual, mas alguns convites desses vieram quando eu estava no meu mandato como reitor. E jamais abandonaria meu compromisso para assumir outro cargo.

 

Sabrina Ritiely – Então se você for candidato a reitor e for eleito não irá concorrer a cargos eletivos nesse período?

Edward Madureira – Se acontecer de eu ser candidato e acontecer de eu ser eleito exercerei o mandado até o fim, como foi das outras duas vezes que fui reitor. Não existe a possibilidade de por uma oportunidade ou situação favorável abandonar um cargo de tamanha responsabilidade e relevância para buscar outro cargo no sentido de alcançar outro objetivo político. Isso está fora de cogitação.

 

Sabrina Ritiely – Quais serão os maiores desafios do próximo reitor?

Edward Madureira – O próximo reitor tem muitos desafios pela frente. Administrar a universidade com poucos recursos. Uma tarefa fundamental é trabalhar na união da universidade. A oposição sempre vai existir, e é saudável que exista, mas as pessoas precisam etender quando é hora de unir as forças para enfrentar uma situação adversa comum. E eu percebo movimentos que ao invéz de somarem dividem as forças e nos enfraquecem como instituição perante a situação adersa. Essa capacidae de aglutinar e de formular uma proposta de universidade que vai enfrentar orçamento restritivos, política públicas sendo desmontadas.

 

Sabrina Ritiely – Qual vai será a importância do diálogo para o próximo mandato?

Edward Madureira – Nós nos preocupamos com o futuro do Enem, há sinais que não são os melhores. Mas tudo isso pode ser construído no debate com o governo. O próximo dirigente tem que ter a capacidade, a habilidade de, mesmo divergindo das política, fazer o convencimento. Isso não é nehuma novidade. Na primeira versão do Reuni em 2007, o que o MEC apresentou para gente era um plano absolutamente inexequível. E por meio da Andifes, Associação dos Reitores, nós conseguimos, no debate com o governo federal, convecer a aprimorar o projeto, que se não foi perfeito, foi o mais próximo do que queríamos. Então o dirigente terá que ter essa habilidade, tanto para dialogar internamente na universidade, quanto para diálogar externamente, com como os governos federal, estadual e municipal.

 

Sabrina Ritiely – Os talentos do Estado estão sendo aproveitados?

Edward Madureira – Eu digo uma coisa, muitas vezes, o poder público estadual e municipal vai buscar competências em outros estados, sendo que as competências estão instaladas aqui. E eu não quero falar só das competências da UFG, mas da UEG, da PUC e do Instituto Federal, da Unievangélica e ainda outras. Nós temos uma massa crítica hoje no Estado que pode fazer frente a qualquer problema, mesmo que para isso precisamos recorrer a uma parceria de fora. Esse diálogo precisa estar muito presente. A Universidade precisa diálogar com a sociedade, com o empresariado, com os governos. Pois é assim que ela vai se fortalecer. Isso tudo sem perder o referencial de qualidade no ensino, tanto de graduação como de pós graduação e ser a excelência na pesquisa.

 

Sabrina Ritiely – Você foi candidato a deputado. O que você tem a dizer sobre o processo político no País?

Edward Madureira – Um caminho natural estando na política é ir disputando cargos. Eu sou encantado com a política. Me preocupa muito a política ser exercida por, prioritariamente, por profissionais da política. Eu sonho com a política sendo feita por amadores, no sentido de amam aquilo que fazem, que não tem a política como o fim. Eu vejo muitos mandatos de deputados que o fim é o mandato de si mesmo. Eles têm uma quantidade imensa de assessores cuidando de sua reeleição. Isso se replica a muitos outros cargos, como o de vereadores, até o senador, passando pelo cargos executivos. Isso tudo é uma deformação do nosso sistema político. Enquanto o dinheiro tiver um papel decisivo, e apesar dos pequenos avanços, como o fim do financiamente de campanhas por pessoas jurídicas, essa última eleição ainda teve o dinheiro como fator decisivo, o processo estará contaminado.

 

Sabrina Ritiely – Você acha possível ser feita uma reforma política?

Edward Madureira – A política virou emprego e virou profissão. Esses salários e todo esse aparato que envolve os cargos são para resolver problemas pessoais e não públicos da cidade, do estado e da Nação. Isso contamina. Para uma pessoa ganhar a eleição, com as devidas e honrosas exceções, ela precisa comprar votos. E para comprar votos ele precisa vender os mandatos. Isso compromete todo o processo. Enquanto não nos libertarmos dessa influência do poder econômico, inclusive essas remunerações de vereadores, deputados e senadores, não vamos avançar. E só uma reforma política pode salvar a política brasileira e reconstruir o Estado.

 

Sabrina Ritiely – Se o Lula viesse a presidente novamente e o convidasse para compor o governo, você aceitaria?

Edward Madureira – Claro, sem dúvida nenhuma. O presidente Lula teve papel fundamental na diminuição das desiguldades sociais do País. Tirar mais de 30 milhões de pessoas da extrema pobreza é uma conquista valiosíssima. Além das obras de infraestrutura. Claro que eu acho que é preciso apurar e apurar de forma imparcial, sem poupar nenhum partido. Mas eu tenho o presidente Lula como um dos maiores presidentes da história e não exitaria em paricipar de um governo dele, se fosse convidado.

 

Sabrina Ritiely – O que você espera para 2017?

Edward Madureira – Apesar de tudo, eu sou otimista. Eu penso que democracia é um processo a ser conquistado e construído. Não se faz democracia por decreto. E apesar de tudo o Brasil avança. Tenho certeza que a consciência coletiva vai exigir isso e essas mudanças virão dessa consciência.

 

Sabrina Ritiely – Qual o papel da educação nos rumos do País?

Edward Madureira – Sem educação nós não temos nenhuma perspeciva. Se pensarmos nas possibilidades de ascensão social e de ter um país mais justo, ela só vai se dar pela educação. Eu vejo os meus colegas de turma do curso de agronomia, e alunos meus de 22 anos de docência entrarem na universidade, passarem por um curso superior e desabrocharem para a vida e contribuindo para a produção de riqueza, criando possibilidades para outras pessoas. Isso fundamentado na ciência e tecnologia. Esse tripé é que vai ancorar o salto. Desde que nós mantenhamos um ambiente democrático, com liberdade individuais, compreendendo a nossa diversidade cultural, religiosa e todas as nossas diferenças. Para mim, não tem jeito de o Brasil dar errado. O ambiente político não está colaborando, mas isso pode ser mudado.

 

Sabrina Ritiely – O agronégocio é acusado de devastar o meio ambiente, como você enxerga o papel do agro em Goiás e no Brasil. É possível conciliar os interesses?

Edward Madureira – Utilizando bem o nosso solo e cuidando dos nossos ambientes, nós não temos o direito de não colocar todo nosso potencial agrícula a serviço de um País melhor. Todas as economias do mundo que se tornaram as maiores, a exemplo dos EUA, que é o maior produtor de alimento do mundo, promoveram o agronegócio. Essa potencialidade não podemos dispensa-lá. A soja, a cana-de-açucar, o algodão, as florestas. O mundo inteiro destruiu seu meio ambiente para se desenvolver. Nós não precisamos destruir. Essa que é a parte bacana. Então, com tudo que já temos hoje de áreas abertas, principalmente no Cerrado, que é sem duvida é o grande provedor de alimentos do mundo nos próximos anos, se a gente aproveitar bem o que já temos, poderemos ser o maior produtor de milho, de cana, de soja, sem precisar desmatar mais cerrado e sem sequer pensar em desmatar a Amazônia, que precisa ser preservada.

 

Sabrina Ritiely – O que Goiás precisa para se desenvolver mais?

Edward Madureira – Nós temos em Goiás munícipios com características completamente distintas. Uns, como Rio Verde, Jataí, Silvânia, Cristalina, tem o potencial agrícula para grãos inquestionáveis. E isso vai gerar riqueza e promover esses municípios. E que bom que isso vai gerar divisas para o país e com isso será possível investir em programas sociais e tirar as pessoas da pobreza e fazer o Brasil girar. Por outro lado, tem municípios que por equívocos históricos dos governos não tem a condição de ter assistência técnica adequada para exlorarar suas potencialidades.

 

Sabrina Ritiely – Quais são esses municípios?

Edward Madureira – Em Goiás, no município de Cocalzinho, vizinho a pirinópolis, um produtor produz o melhor vinho do país. O que tem de diferente na propriedade desse produtor: apenas tecnologia. Ele conseguiu, por ter algum nível de recursos e investimentos, bancar uma assistência técnica, foi atrás das melhores variedades de uva, estudou clima, tecnologia de poda e hoje ele produz. Ai eu eu pergunto: Por que nós não podemos agregar mais valor nesses municípios que estão fora do circuito da cana e da soja, por serem mais ondulados, com maior declividade? Por que não podemos trazer esses produtores rurais pequenos, que não estão conseguindo produzir e deixam suas propriedades para virem inchar as cidades, porque não podemos dar condições para eles produzirem?

Em Pirinópolis tem outro caso. Um suiço que produz um queijo de altíssima qualidade. O que ele fez? Financiamento e tecnologia. Por que não podemos fazer isso em maior quantidade e mudar a realidade do Estado de Goiás a partir do agro. As pessoas querem comprar orgânicos e tem dificulades. Nós poderíamos ter muito mais se tivéssemos uma visão estratégica de políticas públicas para investir em tecnologias.

 

Sabrina Ritiely – O que está faltando?

Edward Madureira – Não podemos desprezar o que a natureza nos deu e está pedindo pra gente: olha põe um pouquinho de tecnologia aqui e nós vamos produzir uva, vamos produzir frutas nobres, produtos de alto valor, frutas do cerrado, como a  baru, a mangaba. Só falta um pouquinho de inteligência para fazermos isso melhorar a vida das pessoas, do Estado e do País. Apesar do retrocesso em que vivemos.

 


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