Tosse persistente e falta de ar podem ser sinais de câncer de pulmão, alerta pneumologista
Léo Carvalho
Publicado em 7 de agosto de 2026 às 11:00 | Atualizado há 1 hora
Tabagismo é a principal causa do câncer, mas 85% dos diagnósticos chegam tarde demais, explica pneumologista | Foto: Reprodução/Divulgação
Uma tosse que persiste por semanas, falta de ar que se intensifica com o tempo, rouquidão sem causa aparente ou até catarro com sangue são sintomas que muitas pessoas costumam associar a problemas respiratórios comuns, como gripe, alergias ou bronquite. No entanto, esses sinais também podem indicar câncer de pulmão, doença que ainda é diagnosticada, na maioria dos casos, em estágios avançados no Brasil.
Durante o Agosto Branco, campanha dedicada à conscientização sobre o câncer de pulmão, médicos lembram a importância de reconhecer precocemente os sintomas e procurar atendimento médico diante de qualquer alteração persistente.
De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), cerca de 35,3 mil novos casos de câncer de pulmão, traqueia e brônquios deverão ser registrados anualmente no Brasil durante o triênio 2026-2028. A doença permanece como a principal causa de morte por câncer no país.
O diagnóstico tardio continua sendo um dos maiores desafios. Segundo dados do Observatório de Oncologia, entre 85% e 93% dos pacientes chegam aos serviços especializados quando a doença já está em fases mais avançadas. Apenas aproximadamente 15% dos casos são identificados em estágio inicial.
Essa diferença influencia diretamente as chances de sobrevivência. Quando o tumor é descoberto precocemente, a taxa de sobrevida em cinco anos chega a 56%. Na média nacional, porém, esse índice cai para 18%, refletindo o impacto do diagnóstico tardio.
A pneumologista Heloisa Costa explica que o principal alerta deve ser a persistência dos sintomas. “Quando aparecem sintomas, muitas vezes eles são confundidos com problemas respiratórios comuns. O mais importante é observar quando um sintoma não melhora ou se torna persistente, uma tosse que dura mais de três semanas, falta de ar que vai piorando, dor no peito, rouquidão, catarro com sangue ou cansaço excessivo sem causa aparente”, orienta.
Embora o tabagismo continue sendo o principal fator de risco para o desenvolvimento da doença, a pneumologista ressalta que o câncer de pulmão também pode atingir pessoas que nunca fumaram. “Cerca de 10% a 20% dos casos acontecem em pessoas que nunca fumaram. Nesses pacientes, a doença pode estar relacionada ao tabagismo passivo, à poluição do ar, ao gás radônio, ao contato com amianto e sílica no ambiente de trabalho e até a alterações genéticas. Por isso, ninguém está totalmente livre do risco”, afirma Heloisa.
Rastreamento pode salvar vidas
Para pessoas com maior risco de desenvolver a doença, o rastreamento pode aumentar significativamente as chances de diagnóstico precoce. Segundo a pneumologista, o exame é recomendado principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos que fumam atualmente ou que deixaram o cigarro.
“O rastreamento é indicado principalmente para pessoas entre 50 e 80 anos que fumam atualmente ou pararam de fumar. O exame utilizado é a tomografia computadorizada de tórax de baixa dose, que consegue identificar tumores muito pequenos, antes mesmo de surgirem sintomas”, explica.
A médica também alerta que ignorar sintomas persistentes pode comprometer as possibilidades de tratamento curativo.
“O câncer de pulmão tem muito mais chance de cura quando é descoberto cedo. Não ignore uma tosse persistente, falta de ar ou qualquer sintoma que não melhora. E, se você fuma ou já fumou por muitos anos, converse com seu pneumologista sobre a possibilidade de fazer o rastreamento. Cuidar da saúde hoje pode fazer toda a diferença no futuro”, conclui a pneumologista Heloisa Costa.