Brasil

Pior dos animais. Chegou o momento, eu vou te julgar

Redação DM

Publicado em 24 de dezembro de 2016 às 02:06 | Atualizado há 10 anos

O meu sentimento neste Natal não é alegre e festivo. É um misto de viver as lições de humildade e simplicidade que o nascimento de Jesus no ensina e indignar-me com as maldades praticadas contra os seres humanos, por aqueles que foram levados aos mais altos cargos da nação, para representar o país, muito sofrido hoje, com milhões de desempregados, saúde e educação precárias.

Temos hoje muitas famílias vivendo em crise financeira, a fome em muitos lares. Consequência da desonestidade, do roubo, da ganância de homens e mulheres que integram a classe mais rejeitada e condenada no país, classe política. Chegamos a um momento que a empresa Odebrecht corrompeu, humilhou e debochou dos políticos brasileiros.

Parece até que os seus diretores em uma grande mesa regada pelas melhores bebidas decidiam o quantitativo de suborno para cada político e ainda aos risos os identificavam com apelidos. A imprensa divulgou esses apelidos hilários e vex-atórios.

“Boca Mole”, senador Heráclito Fortes. “Caju”, senador Romero Jucá. “Cerrado/Pequi”, senador Ciro Nogueira. “Indio”, senador Eunício de Oliveira. “Campari”, senador Gim Argello. “Gripado”, senador José Agripino. “Justiça”, senador Renan Calheiros. “Feia”, senadora Lidice da Mata. “Primo”, ministro Eliseu Padilha. “Angorá”, ministro Moreira Franco. “Caranguejo”, ex-deputado Eduardo Cunha. “Polo”, ex-ministro e ex-governador da Bahia, Jacques Wagner. “Gremista”, deputado Marco Maia. “Babel”, ex-ministro Geddel Vieira. “Bitelo”, deputado Lúcio Vieira Lima. “Botafogo”, deputado Rodrigo Maia. “Misericórdia”, deputado Antônio Brito. “Ferrari”, ex-senador Delcídio do Amaral. “Corredor”, Duarte Nogueira, prefeito de Ribeirão Preto. “Todo Feio”, Inaldo Leitão, do PP da Paraíba. “Jovem”, deputado estadual Adolfo Viana. “Comuna”, deputado Daniel Almeida. “Goleiro”, Paulo Magalhães Júnior. “Diplomata”, Hugo Napoleão. “Moleza”, Jutahy Magalhães, e por fim, entre muitos outros, o “Velhinho”, Francisco Dorneles, vice governador do Rio de Janeiro, e que exerceu na vida pública altos cargos da nação. A que ponto chegamos. Usando o bordão do jornalista Boris Casoy, “Isto é uma vergonha!”.

Estes e muitos outros que ainda serão identificados e estão tremendo de medo, tiraram a comida da mesa do Natal. Fulminaram seres humanos, perseguiram órfãos e viúvas. Estão sendo julgados pela justiça terrena, mas tem ainda de se apresentarem e o farão nus, perante o Divino Mestre Jesus. Não adianta querer passar de arrependidos, uns com a bíblia na mão, outros em orações falsas, alguns vestindo-se de camisetas com dizeres como “Jesus Salva”. Não, Jesus é pela honradez, pela honestidade, pelos pobres, por aqueles que têm fome, por aqueles que estão desempregados, que vocês roubaram e são causas pela situação que o país se encontra.

Mas nesta noite de Natal e na passagem para o ano de 2017, a necessidade da esperança deve ser ex-perimentada, mesmo na precariedade da vida, do desemprego, da insegurança das empresas, falta de direitos dos trabalhadores, meio ambiente ameaçado, nos desencontros na família, relacionamentos difíceis, falta de vida espiritual. A esperança no coração de cada um de nós, buscando possibilidades de um futuro melhor, não cruzemos os braços. Lutando construiremos algo melhor.

Já temos uma certeza. Homens e mulheres que com o dinheiro do povo compraram jóias, perfumes, roupas de marca, luxuosas lanchas, casas de veraneio, carros de luxo e contas as mais recheadas estão sendo julgados proporcionalmente, recebendo as penas merecidas, inclusive, com a devolução do patrimônio amealhado desonestamente. Estão com justiça vivendo as prisões e os alimentos nas mesmas condições que outros criminosos, milhões de presos, vivendo nos porões, que são as penitenciárias brasileiras. Vocês não são diferentes, nem iguais, são criminosos de alto grau.

A vocês, piores dos animais, ofereço esta poesia de autoria do cantor sertanejo, Leo Canhoto, que foi sucesso em sua voz e seu companheiro de dupla, Robertinho, intitulada “O Último Julgamento”.

“Senta aqui neste banco, pertinho de mim, vamos conversar. Será que você tem coragem, de olhar nos meus olhos e me encarar. Agora chegou sua hora, chegou sua vez você vai me pagar. Eu sou a própria verdade, chegou o momento, eu vou te julgar. Pedi pra você não matar, nem para roubar. Roubou e matou. Pedi pra você agasalhar a quem tinha frio. Você não agasalhou. Pedi para não levantar falso testemunho, você levantou. A vida de muitos coitados você destruiu, Você arrasou.

Meu pai te deu inteligência para salvar vidas. Você não salvou. Em vez de curar os enfermos, armas nucleares você fabricou. Usando sua capacidade, você destruiu, você se condenou. A sua ganância foi tanta, que a você mesmo você ex-terminou. O avião que você inventou, foi para levar a paz e a esperança, não pra matar seu irmão, nem para jogar bomba nas minhas crianças. Foi você que causou essa guerra, destruiu a terra de seus ancestrais. Você é chamado de homem, mas é o pior dos animais. Agora que está acabado pra sempre vou ver se você é culpado ou inocente.

Você é um monstro covarde e profano. É um grão de areia frente ao oceano. Seu ouro falou alto, você tudo comprou, pisou nos mandamentos que a lei santa ensinou. A mim você não compra, com o dinheiro seu. Eu sou Jesus Cristo, o filho de Deus”.

 

(Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil – [email protected])

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