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CD de canções inéditas de Adoniran Barbosa é lançado

Redação DM

Publicado em 23 de novembro de 2016 às 00:42 | Atualizado há 1 ano

Se Assoprar, Posso Acender de Novo, cantava Adoniran Barbosa na música Já Fui Uma Brasa, lançada no final de sua carreira, quando os ritmos da Jovem Guarda ameaçavam tomar o lugar do samba no cenário musical brasileiro.

E Adoniran estava certo! Sua brasa foi assoprada e acendeu de novo em 2016, quando Cassio Pardini, produtor de cinema e sócio da Latina Estudio, encontrou um legado inédito com partituras nunca antes musicadas do cantor e paulista. O produtor musical Lucas Mayer, do selo DaFne Music, então deu vida à obra, por meio de um mergulho no universo do Adoniran.

A partir daí surge o disco e DVD Se Assoprar, Posso Acender de Novo, que apesar de utilizar como título o verso de uma música que Adoniran cantava ao final de sua vida, reúne somente canções inéditas. São 14 faixas interpretadas por importantes e ecléticos ícones da música brasileira.

“Fico muito feliz ao ver, finalmente, gravadas as músicas que estão editadas desde 1990, logo após o Juvenal Fernandes, grande amigo do meu pai, me procurar com muitos papeizinhos rabiscados com a letra inconfundível do Adoniran”, afirma a filha Maria HelenaRubinato Rodrigues de Sousa sobre a autenticidade das obras inéditas do pai.

“Tinha a expectativa de encontrar apenas uma partitura, mas me surpreendi com essa incrível quantidade de composições. Quando o Lucas as musicou, ficamos encantados e surpresos com a qualidade da obra”, confessa Pardini, que assina a produção do DVD.

No dia 25 de novembro, em meio às comemorações de 100 anos do samba, será lançando o box Se Assoprar, Posso Acender de Novo com CD e DVD, pois o pai do samba paulista não poderia ficar de fora dessa homenagem. O produto, disponível apenas em formato de combo, poderá ser encontrado em lojas físicas pelo Brasil e digitais, bem como as todas as plataformas de streaming.

“O álbum não é apenas um disco de samba”, afirma Lucas. Mas, como assim um CD de inéditas do Adoniran que não é de Samba? Isso porque o intérprete do personagem paulista João Rubinato não era apenas um compositor de samba. “As suas poesias e crônicas falam de uma São Paulo em constante mudança com uma linguagem muito simples e tocante, que o fez transitar facilmente por diferentes públicos, e a superação é um tema muito recorrente nessas canções”, explica Pardini. O artista encarava sua cidade como algo miscigenado e em tudo enxergava estórias, mesmo das coisas mais simples como sovar uma massa de pizza, ou de uma menina que passava por ele em uma fila da lotação.

Esse disco é sobre isso, sobre o que ele escrevia e como os artistas enxergam essas poesias com seus próprios olhos e ouvidos. “Meu papel foi roupar aquilo que saía pronto nas vozes de cada um, de cada interpretação que surgia daquelas frases do grande cronista”, finaliza Lucas.

O DVD captura as gravações em estúdio de todas as faixas do disco e é uma codireção de Lucas Mayer e Pedro Serrano. Este último escreveu e dirigiu o premiado curta Dá Licença de Contar, baseado em personagens e locais célebres narrados em algumas das músicas do Adoniran. Foi a bem-sucedida experiência desse projeto, entre os festivais e a crítica audiovisual, que incentivou a procura pelo acervo inédito do Adoniran. O resultado disso é uma plataforma em celebração ao artista que inclui, além do CD/DVD, um documentário biográfico e longa-metragem de ficção com lançamento previsto para 2017 e uma exposição do Acervo particular da família de Adoniran, todos esses trabalhos sob responsabilidade da Latina Estudio.

O disco se tornou uma miscigenação musical, igual o próprio Adoniran fez com a cultura paulistana. Levou-se em consideração ritmos musicais admirados pelo compositor como tango e bolero, juntamente com a influência dos próprios artistas convidados, que trouxeram identidade própria ao disco.

Ney Matogrosso, Criolo, Fernanda Takai, Kiko Zambianchi, Criolo, Liniker, Simoninha e a dupla folk Versos Que Compomos na Estrada são alguns dos intérpretes que fizeram a obra de Adoniran se aventurar por outros caminhos.

Logo na faixa um do disco, uma boa surpresa, Fernanda Takai e Leo Cavalcanti, tocando juntos pela primeira vez e a participação mais que especial de Seu Cléusio, cavaquista do grupo Talismã, último conjunto que acompanhou Adoniran no final de sua carreira.

Criolo que prontamente escolheu a música Até Amanhã, talvez por tratar-se de uma crítica social, passeia pelo samba, trazendo identidade a sua interpretação.

A última faixa é a única totalmente instrumental e une Lulinha Alencar, Nicolas Krassik e Gabriel Selvage, fazendo um gipsy jazz manuche totalmente gravado ao vivo! Além das interpretações, essas músicas retomam importantes parcerias entre Adoniran e compositores que ao lado do poeta, foram essenciais para a cultura musical brasileira como Pepe Ávila, Paulinho Nogueira, Zaé Junior, Antonio Rago, entre outros.

“O Ney cantou de uma forma dramática e única, e fez de Passou uma canção, que também foi sua. Por telefone ele me disse: Lucas, quero cantar essa música muito mais lento do que você me mostrou. Baixamos então 60bpms e depois ainda mais 8 na hora de gravar. De um samba alegre fomos a um tango que com a interpretação do Gabriel Selvage no violão de 7 cordas, traz lágrimas aos olhos de quem ouve. Mas como o próprio Ney afirmou: não é uma canção triste, é uma canção de superação. E dessa superação vem a beleza. Já a Fernanda Takai e Leo Cavalcanti viram em Rostinho de Maria uma singeleza única. Uma homenagem ao samba antigo, mas com aquele som atual onde o vintage é misturar caixinhas de fósforos a leves arranjos vocais”, comenta Lucas Mayer produtor do disco e que também assina a direção do DVD.

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