Política

“É fazer com que haja total transparência do gasto público”

Redação DM

Publicado em 6 de outubro de 2018 às 02:37 | Atualizado há 8 anos

Em entrevista ao programa “Papo Cabeça” da rádio Interativa, Ronaldo Caia­do (Democratas) declarou que caso seja eleito Goiás começará um novo ciclo com transparên­cia nos gastos, incentivos fiscais com retorno social e fim do in­chaço da máquina para abrigar apadrinhados e sustentar um pro­jeto de poder. O candidato ao go­verno respondeu perguntas dos apresentadores e ouvintes, que expuseram preocupação com a si­tuação fiscal do estado, com o au­mento dos índices de violência e a degradação dos mananciais hídri­cos, agravando a crise de abaste­cimento de água em Goiás. Além disso, o governadoriável mostrou compromisso com o combate às desigualdades regionais que fa­zem com que o estado tenha rea­lidades muito distintas.

O senador falou sobre o dire­cionamento dos incentivos fiscais do estado, que devem ter um re­torno em forma de empregos, pos­sibilitando o combate às desigual­dades entre as regiões de Goiás. “É obrigatoriedade o Estado poder cobrar o retorno em forma de em­prego e ao mesmo tempo um ou­tro fator importante: combater as desigualdades regionais. Não po­demos fechar os olhos para uma realidade do Entorno de Brasília, do Nordeste goiano, para o Nor­te do estado e tendo apenas uma renda per capita maior na região Sul e Sudeste”, pontuou.

Caiado também explicou como vai implantar um novo ciclo no Estado: “É fazer com que haja to­tal transparência do gasto públi­co. Dar condição de trabalho para a Procuradoria-Geral do Estado, que é uma estrutura capaz de de­tectar o uso indevido do dinheiro como também implantar regras­–o chamado compliance–dentro da Secretaria de Governo”, afir­mou o senador sobre o conjunto de procedimentos adotados para ter eficiência, controle e transpa­rência na gestão de uma empresa.

O parlamentar foi ainda ques­tionado sobre o inchaço da má­quina pública e gestão do funcio­nalismo público. “Nas estruturas criadas para absorver políticos do interior e da capital para fazer parte de um projeto de poder e que de repente passaram a ocu­par cargos públicos, que não re­tornam em nada em atendimento para a sociedade, pode ter certeza que faremos um corte significati­vo. Temos a responsabilidade de rediscutir os contratos em termos de resultados se eles estão tendo retorno dentro daquilo que foram contratados. Criaremos a transpa­rência total nos gastos públicos para que o cidadão se sinta com­prometido em ajudar a recupe­rar o estado de Goiás”, ponderou.

 

ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

 

NOVO CICLO

“Dentro da prática do mandato de governador do estado, o gestor precisa ter a humildade de reconhe­cer que é um funcionário público sem estabilidade. Ele tem que go­vernar dando satisfação à socieda­de de todas as suas ações. É fazer com que haja total transparência do gasto público. O servidor público é fundamental para o funcionamen­to de estado e o atendimento à po­pulação. Eu acredito que todos es­tarão imbuídos de um sentimento de recuperação de Goiás, já que nós sabemos que a maior preocupação hoje é a situação fiscal caótica do es­tado. Goiás não pode contrair ne­nhum empréstimo em banco oficial e nem em bancos privados. Temos que recuperar a economia do es­tado de Goiás para depois, rapida­mente, voltarmos a investir.”

EQUILÍBRIO FISCAL

“Pode ter a tranquilidade que não vai ter atraso de salário (fun­cionalismo público) porque é um compromisso e o estado tem que se comprometer a pagar em dia. Te­remos a responsabilidade de redis­cutir os contratos em termos de re­sultados, se eles estão tendo retorno dentro daquilo que foram contrata­dos. Criaremos a transparência total nos gastos públicos. Acho que a au­toridade moral é fundamental neste momento para qualquer governan­te, para que ele tenha a credibilida­de da população, como também dos servidores públicos.”

ICMS

“Sabemos que a taxa (ICMS) é definida pelo estado, mas a defi­nição dela é constitucional, tanto é que todos os candidatos à presi­dência da República estão falando da importância de haver uma dis­cussão e votação de uma reforma tributária o mais rápido possível. Posso garantir a todos que não terá um milímetro a mais de carga tri­butária. Esta é a garantia que pode ser feita. Queremos apresentar um diagnóstico de onde pode se dimi­nuir a incidência de ICMS, diante de uma situação fiscal onde o esta­do deve R$ 60 milhões, a Bolsa- uni­versitária tem três meses que não é honrada, mesma situação na me­renda escolar, não repassaram os recursos para o passe livre dos estu­dantes também. Todos os emprésti­mos consignados são descontados na folha dos funcionários públicos. Atualmente os funcionários estão sendo levados ao SERASA, sendo processadas por não quitar as suas dívidas e, no entanto, elas tiveram o dinheiro debitado na conta no mo­mento que o salário foi depositado. Então, o estado não está quitando nem aquilo que é de sua respon­sabilidade. Este quadro, quero ser bem enfático. Vamos organizar a casa, você pode saber que eu darei o bom exemplo. Eu cortarei na car­ne para que cada vez mais o goiano tenha certeza que estado existe com a finalidade única de dar qualidade de vida ao cidadão.”

SEGURANÇA

“O Estado existe para dar segu­rança, educação, saúde e garan­tir a segurança jurídica. São fun­ções específicas do governo. Se você buscar os dados, qual a in­cidência da criminalidade maior ou da maior taxa de homicídios? Oscila entre 17 e 24 anos de idade. Nós precisamos, primeiro, criar um núcleo de combate com ca­pacidade de trazer membros da Receita Federal, da Secretaria da Fazenda, da Polícia civil, da par­te da inteligência, da Polícia Mi­litar para nós podermos atacar os que são comandantes do proces­so. Eles é que manipulam todo o processo, levando os jovens a esse quadro que eleva a taxa de crimi­nalidade. Não adianta nós tratar­mos o sintoma sem tratar a causa”.

MEIO AMBIENTE

“Essa cultura (preservação) tem que ser cada vez mais impregnada na formação das nossas crianças. O compromisso é de fazer valer a lei. A lei hoje é referência, posso dizer por­que fui um dos membros entre os quais aprovamos o Código Flores­tal brasileiro, que é o mais moderno e o mais atual que existe no mundo. Não tem nenhum Código tão avan­çado nem tão exigente quanto o Có­digo Florestal brasileiro. Posso dizer que será emblemática a recupera­ção do Araguaia, assim como de to­das as outras bacias hídricas do esta­do, junto com uma orientação cada vez maior próxima aos produtores e em parceria com setor urbano. Pre­cisamos conscientizar os goianos para fazer a nossa parte.”

FUNCIONALISMO PÚBLICO

“O que temos é uma diminui­ção do funcionalismo público sen­do repassado para comissionados. Então, são 66 mil funcionários pú­blicos. Você tem em torno de sete mil comissionados e mais de 25 mil pessoas que têm funções em car­gos temporários. Precisamos fa­zer concurso público para atender as áreas que são necessárias, com­bater o número excessivo de pes­soas que não estão cumprindo o serviço ao qual foram designados. Esse inchaço da máquina vem em decorrência de um projeto de po­der, mas esse ciclo será encerrado.”

INCENTIVOS FISCAIS

“Eles estão cumprindo as cláu­sulas do contrato? Eu vou fazer o cumprimento ipsis litteris daquilo que está escrito e contratualizado. Em relação aos outros incentivos, que são prerrogativas do governa­dor, se não estiverem cumprindo a função social, eles não continuarão porque isso é obrigatoriedade, o es­tado poder cobrar o retorno em for­ma de emprego. Precisamos fazer um Goiás que contemple as condi­ções mínimas de saúde, educação e segurança e de oportunidade de emprego para a população e prin­cipalmente para os jovens.”

 



Não adianta nós tratarmos o sintoma sem tratar a causa”

 

Precisamos fazer concurso público para atender as áreas que são necessárias, combater o número excessivo de pessoas que não estão cumprindo o serviço ao qual foram designadas”

Tags

Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia