Cotidiano

O exemplo de São Luís de Montes Belos

Redação DM

Publicado em 4 de outubro de 2018 às 04:17 | Atualizado há 1 ano

  •  O primeiro da série de reportagens é São Luís de Montes Belos que, somente com recursos municipais e em um ano e meio de gestão, regularizou a questão salarial dos professores, reformou nove escolas e construiu uma. Diversas outras aquisições e melhorias também foram alcançadas

 

O Diário da Manhã, em uma série de reportagens, vai acompanhar a gestão mu­nicipal em áreas administrativas específicas (saúde, educação, as­sistência social, lazer, etc) em vários municípios do estado. O primeiro da série é São Luís de Montes Be­los, município localizado no centro­-oeste do estado (120Km de Goiâ­nia). Em pouco mais de um ano e meio de gestão, escolas foram refor­madas; professores recebem piso e reajustes salariais são respeitados sem precisar de reivindicação sin­dical; frota de veículos foram reno­vadas; cardápios de merendas são elaborados e supervisionados por nutricionistas; e até mesmo uni­formes são distribuídos gratuita­mente para as crianças montebe­lenses. “Na nossa administração o investimento na área de educação se mostra não somente eficaz, mas moderno e dinâmico”, afirma com orgulho o secretário municipal de educação, Erly Kiel Rosa.

De acordo com o secretário, novas 400 vagas já foram criadas, e modernização na gestão desa­foga escolas com o abandono das filas para matrículas através da informatização. “Na nossa ges­tão foi criado o Sistema URAAN, onde os pais podem fazer a ma­trícula dos filhos em casa, com o celular. A Central URAAN fica aqui, na sede da Secretaria Muni­cipal de Educação, e através des­se sistema é possível acompanhar o desempenho pedagógico dos alunos, a frequência escolar, exer­cícios feitos ou não, notas, bole­tim, enfim, todas as informações que o pai precisar, o sistema ofe­rece. Até mesmo o cardápio da merenda do dia pode ser acessa­do”, explica o secretário.

Para executar os projetos, foram usados recursos próprios. A Secre­taria Municipal de Educação, lide­rada pelo professor Erly, já refor­mou 9 escolas, construiu uma nova e transferiu de lugar o Cmei Sheki­ná, que funcionava numa casa cuja estrutura já estava comprometida. A frota de veículos também foi reno­vada, e brinquedotecas e berçários tabém foram construídos. Acom­panhe a seguir a entrevista como o secretário municipal de educação.

 

ENTREVISTA COM PROFESSOR ERLY KIEL ROSA DE AGUIAR SILVA, SECRETÁRIO MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DE SÃO LUÍS DE MONTES BELOS:

Diário da Manhã: Os projetos que estão em ação foram imediatamente colocados em prática quando assumiu a secretaria, ou ainda foi preciso um tempo para ajustar as contas e ver o que podia ser feito com os recursos que tinham?

Erly Kiel: A pasta da educação foi icumbida a mim logo quando a nova administração assumiu o poder, em janeiro de 2017, en­tão logo tratamos de desenvol­ver os projetos que resolvessem os problemas mais imediatos da área. A princípio, detectamos que a estrutura física das escolas não passavam por reforma há cerca de vinte anos, então além de comprometer o bem estar das crianças e dos profissionais, a segurança deles também era um risco. E a estrutura comprome­tida também limitava a quanti­dade de crianças que determi­nada escola podia comportar. Os professores não tinham rea­juste salarial há muito tempo, e os recursos da merenda não eram bem gerenciados, o que acarretava desperdício. O pro­blema maior, ao meu ver, era administrativo, e acredito que o trunfo dessa equipe à frente da prefeitura tem muita com­petência e está, de fato, fazendo um ótimo trabalho na gestão.

DM: Mas em relação aos recursos do município, que vem passando por dificuldades, como se conseguiu fazer tanta coisa? Reforma, pagar reajustes salariais, até mesmo oferecer uniformes gratuitos para os estudantes.

EK: Mas a prefeitura tem re­cursos, ela tem uma arrecadação que não só nos permitiu realizar o trabalho que vocês podem ver, como também temos condições de manter. O que faltava era um apreço, um respeito ao dinheiro público e otimização da gestão. O prefeito Eldecirio me deu total autonomia para gerir a pasta e eu mesmo acompanhei, e conti­nuo acompanhando, as obras de reforma e construção das unida­des de educação, e meu trabalho para com ele é o de prestar con­tas. Os programas tiveram uma ótima aceitação por parte dele, bem como da população.

DM: Em relação ao Projeto Valorizar, que visa tornar a administração pública municipal em dia com os profissionais da educação, houve alguma reivindicação por parte do sindicato, alguma exigência para que se tomasse essa iniciativa?

EK: Não, nenhuma. Ao iniciar a administração em janeiro do ano passado, em janeiro mesmo os professores já começaram a receber o piso. Logo em seguida tratamos de resolver as questões das licenças-prêmio, que há anos os profissionais esperavam por elas. Nós conseguimos conceder mais de 50 licenças-prêmio, além de resolver todas as progressões horizontais. Falta agora somen­te as progressões verticais, e se não me engano, são oito profis­sionais que precisamos atender, mas que neste ano já iremos so­lucionar. E nenhuma dessas me­didas foram tomadas a partir de protestos ou “brigas” com sindi­cato. Eu sou professor também, eu sei o que é ser desvalorizado, e nossa administração reconhe­ce que uma boa educação não existe com profissionais que não são valorizados.

DM: O projeto que, visualmente, se mais destaca, além do Projeto Valorizar, é o Aquarela. Há mais de 20 anos nenhuma escola da rede municipal recebia qualquer reforma ou manutenção mais significativa. Como esse projeto foi executado?

EK: O projeto Aquarela visa re­formar todos os prédios escola­res do município, e em um ano e meio de gestão, conseguimos re­formar nove prédios, criamos uma escola e mudamos uma de lugar. O CMEI Shekiná que atendia 40 alunos, e funcionava numa casa com estrutura precária, levamos para um espaço que hoje tem pra­ticamente 10 salas de aula, e que atende 130 crianças. A escola que criamos, através do Projeto De­manda Zero, é o Jardim de In­fância Peter Pan, que hoje tem 237 alunos, mas tem capacida­de para atender 300, e levamos os alunos de educação infantil de 4 a 5 anos de idade para lá. Des­sa forma, as creches ficaram sem essas turmas e colocamos os ber­çários e o maternal nas creches e nos possibilitou conseguir mais de 400 alunos novatos na rede. Com isso nosso Fundeb aumen­tou, assim como nossos recursos.

DM: Existe também uma preocupação da pasta com o acompanhamento profissional especializado para os estudantes, com psicólogos e fonoaudiólogos. Qual a importância que você acredita ter esses atendimentos para as crianças?

EK: Com o Projeto Afagar con­seguimos criar 3 consultórios de psicologia, um de fonoaudiolo­gia e um de psicopedagogia. Não existiam consultórios dessa forma antes, e nós criamos cinco, aten­dendo mais de 250 crianças. A recepção a esse programa não poderia ser outra a não ser o de satisfação, porque os pais já procuravam por esse tipo de serviço, a demanda sem­pre existiu, e os próprios mé­dicos e profissionais da área já recomendavam o atendi­mento dessas áreas às crian­ças. Nessa fase a criança precisa de acompanhamento pois é muito importante para o seu desenvol­vimento, se algum aluno tem al­gum distúrbio, alguma limitação, ou qualquer tipo de trauma, isso já é tratado precocemente para obter resultados positivos o quan­to antes, de forma que não preju­dique o aprendizado. A resposta desse programa é muito positiva, e que a Secretaria Municipal de São Luís ainda não tinha.

DM: Além dos projetos já citados, quais outros foram de maior destaque, na sua visão?

EK: Criamos o Projeto Unir, onde professores do 4º e 5º ano foram divididos por núcleos: Português e matérias afins, e Matemática e matérias afins. Fizemos isso para que o professor, que antes era um só para essas séries, aperfeiçoe sua didática numa área mais especí­fica e procure se aprimorar seus conhecimentos, de forma que a qualidade da instrução e do apren­dizado sejam melhoradas. Cria­mos também o Projeto Segunda Língua, que coloca um professor de Língua Inglesa do 1º ao 5º ano para lecionar, e não o professor polivalente do ensino fundamen­tal. Isso não só tira uma sobrecar­ga dos pedagogos, como também melhora a qualidade do ensino da língua inglesa. Também criamos o Meu Transporte Seguro. Nos­sa frota era sucateada quando assumimos a administração do município, e agora, realizando um pedido do prefeito, temos 7 vans com ar-condicionado e cin­tos de segurança, e atendemos tan­to crianças da zona rural como na própria cidade, transportan­do cerca de 1000 crianças diaria­mente. Também adquirimos um ônibus novo, com o governo esta­dual, e já temos um planejamen­to para comprar outras 3 vans. E através do Meu Lanche Saudável as crianças que não estudam em período integral, além de poder tomar café da manhã às 7 horas, elas também têm direito a almo­çar antes de ir embora, coisa que antes não acontecia em nenhum CMEI. Só um detalhe, nós coloca­mos almoço em todas as nossas unidades escolares, em todas as 21. O cardápio das merendas são elaborados por nutricionistas e acompanhado por elas.

DM: E existe alguma fórmula específica ou algum suporte, seja do Governo Federal ou Estadual, que favoreceu o trabalho da administração da cidade?

EK: Além do que o município recebia, não. Nós iniciamos todos os projetos com recursos próprios, colocamos em prática tudo isso através de uma gestão competente e responsável. Nós buscamos a eficácia, trabalhamos o agora pensando principalmente no futuro, e obviamente não se­ria diferente com a educação, pelo contrário. Nós queremos uma gestão de excelência na educação, queremos que os pais não se preocupem quan­do se despedem dos filhos na escola no início do dia, que­remos que as crianças não só se alimentem bem, se vistam bem e estudem numa escola bonita, queremos que elas te­nha uma ótima base de ensino para que, lá na frente, no futu­ro, apresentem bons resulta­dos acadêmicos e sejam pro­fissionais competentes.

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