Política

O xerife voltou

Redação DM

Publicado em 30 de setembro de 2018 às 01:11 | Atualizado há 8 anos

Abdul Sebba é uma figura legen­dária da polícia civil de Goiás. Ele era delegado de polícia num tem­po em que a polícia civil saía às ruas para trocar tiros com delinquentes, e fazia piquetes em pontos estraté­gicos da cidade para reforçar a vi­gilância. Ficou famoso como de­legado durão, corajoso e eficiente. Dentro da polícia, sua reputação era de lealdade aos companheiros. Os policiais que serviram com ele nas várias delegacias por onde passou se orgulhavam de tê-lo como che­fe. Ser designado para a “equipe do Abdul” era quase uma promoção.

Hoje em dia, compete à Policia Militar o policiamento ostensivo e as ações de combate direto a grupos armados. A polícia civil, ou judiciá­ria, se encarrega apenas da investi­gação, da produção de provas e de­senvolvimento o inquérito.

Delegado da velha escola, ele as­sume abertamente suas opiniões acerca deste tipo social – ou, no caso, antissocial – que e o “bandi­do”. Tanto que, no seu material de propaganda eleitoral, ele reproduz uma frase que, de tanto ser repeti­da, caiu em domínio público, mas que pertence ao lendário policial carioca Sivuca, um dos fundadores da Scuderie Le Cocque, apelidado de “Esquadrão da Morte”. Diz o tex­to: “Bandido bom é bandido mor­to, enterrado de pé para não ocu­par espaço e de cabeça para baixo para não brotar”.

O delegado aposentado Abdul Sebba, de 83 anos, está de volta à disputa eleitoral, depois de ter exer­cido três mandatos de deputado es­tadual. Candidato pelo PSL, cuja chapa de deputado estadual corre solteira, isto é, sem coligação, o ve­terano policial se diz entusiasmado e disposto a colocar sua experiên­cia a serviço do Estado.

“Acho que posso contribuir para melhorar a policia. Eu amo a polí­cia. Eu a conheço por dentro. Um bom secretário de segurança pú­blica deveria conhecer os bastido­res da organização policial”, afirma. Vem daí a crítica que ele faz aos úl­timos secretários de segurança pú­blica, não excluindo sequer Irapuan Costa Jr., o atual secretário.

“Eu acho um absurdo pagar apenas 1500 reais a um agente de polícia, que é o elemento cha­ve da ação policial. Este salário indigno e um estimulo aos des­vios de conduta. Como um poli­cial pode dar conforto e dignida­de com um vencimento irrisório desse?”, protesta Abdul.

“Observando o que acontece hoje, em que a insegurança paira sobre a sociedade, eu me vejo na obrigação de voltar à luta. A policia trabalha, mas falta planejamento; o secretário é honesto, mas não conhece a polícia nos seus basti­dores”, afirma o Abdul.

Como funcionário público apo­sentado, depois de 38 anos de ser­viço, Abdul não pode mais exer­cer atividade policial, mas, afirma, “quero prestar serviços à polícia, pois eu amo a polícia, e posso, como deputado, defender os di­reitos dos policiais em geral, sobre­tudo dos que atuam nos escalões inferiores, que são os que enfren­tam os maiores perigos, passam pe­las maiores dificuldades e recebem os menores vencimentos”, afirma.

Abdul afirma que segurança pública é, e será, sempre, o seu tema prioritário. “É a minha ban­deira de luta, a minha vocação, o objetivo ao qual consagrei toda a minha vida, uma vida profissio­nal sem um único delize, sem ne­nhum reparo”, garante.

Abdul diz que apoia a candida­tura de Caiado para governador e Wilder Moraes para senador. Ele conta que não tinha mais interes­se em voltar à vida pública, depois de três mandatos parlamentares. Mas, afirma ele, “tenho o dever de voltar à luta, mesmo chegando a uma idade em que poderia, dig­namente, desfrutar de uma apo­sentadoria tranquila ao lado da mi­nha família”. E conclui: “Enquanto eu puder servir à polícia goiana, ao estado de Goiás e ao Brasil, colo­cando uma experiência acumu­lada em anos de atuação contra a bandidagem a serviço da socieda­de, não posso me omitir – por isso decidir voltar”, explica.

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