Desativada 2

50 anos dos Mutantes

Redação DM

Publicado em 29 de outubro de 2016 às 01:26 | Atualizado há 1 ano

Há cinco décadas, um trio formado por Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias fundou, no auge do tropicalismo, uma das bandas brasileiras mais experimentais do mundo: Os Mutantes. Mesmo bebendo da fonte psicodélica de bandas dos anos 60 e 70, como Pink Floyd e os próprios Beatles, o grupo conseguiu emplacar uma identidade tão inovadora – e brasileira –, que mantém frescor até nos dias de hoje. Entre novas formações, o grupo está na ativa e arrasta multidões até fora do Brasil.

Sim, a história da banda que foi batizada no programa de Ronie Von, em 1966, não acabou, e Os Mutantes (que já se chamou Six Sided Rockers, O Conjunto e O´Seis e Os Bruxos) deve ser a banda mais duradoura da história da música brasileira. É fato que a formação original durou apenas seis anos. Rita saiu em 72, Arnaldo em 73 e em seguida Dinho e Liminha. Ou seja, sobrou só Sérgio.

Em 2006, a banda se reuniu, sem Rita Lee e Liminha, mas contando com a presença de Arnaldo Baptista e Zélia Duncan nos vocais. No ano seguinte, Arnaldo e Zélia se desligaram da banda, que foi recomposta com outros músicos e continua a fazer shows sob a liderança de Sérgio Dias.

A formação atual dos Mutantes, além de Sérgio, conta com a cantora Esméria Bulgari, o vocalista e tecladista Henrique Peters, o baixista Vinícius Junqueira e o baterista Claúdio Tchernev. Dinho deixou o grupo por problemas de saúde. “Vou tocar com Os Mutantes até cair morto”, disse Sérgio em uma entrevista ao G1.

Sobre sua saída da banda, Rita Lee nunca se pronunciou claramente. Mas o silêncio foi quebrado em sua autobiografia, que será mês que vem. Em trechos da publicação, ela revela o que disse Arnaldo Baptista (ex-marido de Rita), quando a expulsou da banda, na comunidade hippie em que moravam na Serra da Cantareira:

“A gente resolveu que a partir de agora você está fora dos Mutantes porque nós resolvemos seguir na linha progressiva-virtuose e você não tem calibre como instrumentista”. Depois disso, Rita conta que saiu da casa sem muito alarde, quase pedindo “desculpas por ser mulher”. Mas no meio da estradinha da Cantareira, conta que parou no acostamento e chorou, gritou, descabelou e xingou feito louca”.

 

Clássicos

O impacto da música dos Mutantes pode ser sentido com intensidade nos dias hoje, mas na época em que surgiu, na qual o rock era apenas o iê, iê, iê, da Jovem Guarda, tudo foi ainda maior. Eles mostraram, em plena ditadura, que ousar e instigar era o espírito da música. E isto não aparece apenas no declarado uso de drogas, na postura irreverente, que pregava o sexo livre, como ainda em seus arranjos musicais inusitados e criativos.

O grupo chamou atenção até de astros do rock, a exemplo de Kurt Cobain, David Byrne, Belle & Sebastian e Sean Lennon, fãs confessos dos Mutantes. E esta admiração até impulsionou a carreira internacional dos brasileiros, que em seu auge gravou nove álbuns, sendo dois deles – O A e o Z e Tecnicolor – lançados apenas na década de 1990.

O A e o Z, inclusive, é o álbum dos Mutantes mais influenciado pelo rock progressivo e todas suas faixas foram declaradamente produzidas e executadas sobre efeito de ácido lisérgico (LSD). A gravadora da época o considerou muito experimental e pouco comercial e demitiu o grupo.

Contudo, o brilho das canções dos Mutantes nunca foi ofuscado. Suas letras que questionavam o conformismo da sociedade, como Sala de Jantar, a apatia da juventude guardada Ando Meio de Desligado, ou toda a filosofia de Balada do Louco continuam inspirando muita gente e novas e consagradas vozes da MPB. Estas faixas, aliás, já foram gravados por grandes intérpretes da música nacional, a exemplo de: Marisa Monte, Cássia Eller e Ney Matogrosso.

 

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