Câmeras goianas
Redação DM
Publicado em 22 de outubro de 2016 às 01:36 | Atualizado há 2 anosA produção cultural de Goiás e da Capital se mostra crescente todos os anos. Na proximidade do aniversário da cidade fazendo uma breve retrospectiva, pode-se observar que a poesia, prosa, música e produção audiovisual de Goiânia e entorno não param.
Habitando fora do eixo, a arte goiana encontra espaço no cenário cultural nacional. A nossa cidade, que continua sendo uma jovem senhora de pouco mais de oitenta anos, caminha no sentido de ser parte importante do roteiro brasileiro de cinema, mesmo com menos recursos e visibilidade.
Para marcar os 83 anos de Goiânia, o DMRevista lista o que a cidade e o Estado produziram e que se tornam parte da história cinematográfica do País neste 2016:
Longa-metragem, Taego Ãwa
No quesito longa-metragem, este ano Goiás apresentou Taego Ãwa, que teve sua pré-estreia nacional em janeiro, durante a 19ª Mostra de Cinema de Tiradentes. A pré-estreia internacional foi em Paris, no 39º Cinema du Réel, mais antigo e tradicional festival de filmes documentários do continente europeu, cinema goiano ganhando o mundo.
No festival de cinema mais tradicional do Estado em Goiás, a obra foi selecionada para a Mostra Competitiva Internacional do XVIII FICA (Festival Internacional de Cinema Ambiental.)
Taego Ãwa foi o único filme goiano a concorrer na categoria longa-metragem internacional no Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental – Fica. Taego Ãwa conta a história dos índios Ãwa, mais conhecidos como Avá-Canoeiros do Araguaia. A obra foi dirigida pelos irmãos Henrique e Marcela Borela e realizado pelas produtoras goianienses Barroca e F64.

Curta-metragem, Quarto 10
Quarto 10 é uma ficção baseada no caso Vilma Martins, julgada por sequestro de crianças, que veio à tona no ano de 2012. De acordo com a cineasta Isabela Eva, idealizadora dessa produção, o filme não só representa um caso policial de grande repercussão da época mas principalmente os desdobramentos destes episódios de sequestro.
Isabela Eva, que dirigiu, construiu o roteiro e atuou no curta, conta que a produção tem como principal objetivo homenagear o delegado responsável pelo caso, Antônio Gonçalves. O delegado faleceu em 2012 em uma trágica queda de helicóptero onde morreram mais sete pessoas incluindo o piloto. Entre os passageiros estavam integrantes da Polícia Civil e o suspeito de uma chacina em Doverlândia.
Em Quarto 10 participaram atores como Stepan Necerssian no papel de delegado do caso. O ator Igor Cotrim, com extensa carreira no cinema e na tv, que desenvolve o personagem de Rúbio, um médico que ajuda a sequestradora em seu crime.
Também integram o elenco os atores goianos: Leopoldo Rodrigues, Márcia Gomes, MirianSeir, Isabella Naves, Kleber Alves, Jade Barbosa, Adriana Brito, Fernando Naser, Cynthia Borges, Úllima Eduarda e a pequena Ísis Gama Lira. O cantor Sérgio Reis, com sua canção Coração de Papel, entra na trilha sonora do curta-metragem.

E o Galo Cantou, vencedor no Goiânia Mostra Curtas
Filme do diretor Daniel Calil, E o Galo Cantou é uma obra que aborda o conflito de intenções de um pai personagem de Chico Diaz e seu filho vivido pelo ator goiano Allan Jacinto. O pai projeta para o jovem uma vida dura de trabalho na lavoura, mas este deseja conhecer a cidade e deixar o leito da família para trás, como fez seu irmão, num gesto que deixou marcas de mágoa na família.
O filme recebeu o prêmio de melhor direção no Festival Goiânia Mostra Curtas. A direção do filme registrou em sua página no facebook o seguinte relato em relação ao prêmio: “É muito importante receber esse prêmio, especialmente nesse festival. Foi nesse evento que ao longo dos anos eu formei e reformei, formulei e reformulo sempre meu olhar a respeito do cinema e de curtas, entendendo que esse formato é acima de tudo um espaço para exercer experiências de linguagens, um campo para experimentação, mesmo que o objetivo seja dialogar com o cinema clássico – como é o caso do Galo”.

Documentário, Operação 2,80
O documentário que foi lançado neste ano intitulado Operação 2,80 retrata episódios do ano de 2014 um momento histórico na luta pelo transporte coletivo em Goiás. Quatro militantes foram presos em uma operação da Polícia Civil nomeada como “Operação 2,80”, nome relativo ao preço da passagem na época. As prisões de Heitor Vilela, Ian Caetano e João Marcos mobilizaram todos os setores progressistas do Estado na luta contra a criminalização dos movimentos sociais figuradas nessas prisões.
Para não deixar que esse momento de dura repressão seja esquecido, Gabriel Cunha e Lucas Xavier do coletivo de mídia independente “Desneuralizador” construíram com entrevistas e registros das manifestações de 2013 e 2014 este registro audiovisual.
Lucas, um dos realizadores do documentário, conta quais são os objetivos políticos do filme, que mostra uma denúncia contra o autoritarismo do Estado em defesa das empresas de transporte “Queremos, com isso, reacender o debate sobre essa manobra, esclarecer para a população e pressionar pelo andamento do processo. Tanto pelo que aconteceu há dois anos quanto porque até hoje três jovem continuam com suas liberdades cerceadas”. Lucas se refere ao fato que os processos abertos com essa operação ainda correm e os indiciados seguem medidas restritivas estabelecidas em seu habeas corpus.
