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Baleia é indicada ao Grammy Latino

Redação DM

Publicado em 30 de setembro de 2016 às 02:47 | Atualizado há 10 anos

A Baleia disputará o Grammy Latino de “Melhor Projeto Gráfico de um Álbum” com o seu segundo trabalho, Atlas, lançado digitalmente em março e em versão álbum-livro no último dia 29. A banda concorrerá ao prêmio junto com Love os Lesbian (El Poeta Halley), Bareto (Impredecible), Melnik (Umbral) e Mario Diníz (Relevante). A Cerimônia do Grammy Latino acontece dia 17 de novembro, em Las Vegas, nos EUA.

– Ser indicado ao Grammy Latino é de uma importância enorme. A Lisa Akerman (designer e ilustradora) esteve com a gente desde o início do processo de criação – e a ideia foi de realmente criar um link visual pra música, trabalhar a arte gráfica como uma continuidade de toda a sonoridade do disco. Acho que isso é o que fez a banda toda acreditar tanto nele! Em um momento onde o disco físico perde cada vez mais espaço, criar um projeto diferente e ver que ele foi reconhecido pelo maior prêmio da música latina dá um orgulho muito grande. Não só por levar o nome de uma banda e uma ilustradora brasileiras pra fora do Brasil, mas por ser uma categoria onde muita gente legal, como Caetano Veloso, já teve indicações com trabalhos incríveis!– diz Gabriel Vaz, um dos vocalistas da Baleia.

Depois de lançar o álbum digital e motivada pela vontade de trabalhar um produto fora do convencional, a banda desenvolveu o álbum-livro Atlas em parceria com Lisa e a editora independente Pipoca Press. O projeto tem como principal objetivo transportar as pessoas para dentro do universo lírico do CD. “Hoje, estamos na era da internet. Comprar um álbum em formato físico é algo que vem perdendo o sentido faz um bom tempo. Por outro lado, ter um objeto que se pode segurar, mexer, explorar, visualizar é um modo do público se aproximar ainda mais do trabalho, de se aprofundar no universo da banda. Com ele, podemos abrir outra porta para o contexto simbólico do trabalho e criar um novo sentido para o objeto físico. Acho que isso é o futuro desse mercado”, opina.

Para a artista, toda versão física de um álbum tem que ser uma edição especial. “Com o Atlas, por exemplo, quisemos sair do âmbito somente musical e trazer à tona outros universos estéticos, gráficos, visuais e plásticos que foram pensados juntamente à sonoridade, mas não são palpáveis num streaming, por exemplo. Ou seja, criar a materialização não só dos arquivos musicais, mas das ideias, conceitos e universos poéticos. Algo que você pode botar na mesinha da sala, colocar na estante junto com seus livros favoritos e fazer, da capa, um quadro que você pode emoldurar”, diz.

O álbum-livro funciona como uma enciclopédia de um mundo imaginário, com oito universos e oito personagens habitantes. A proposta é dar uma nova perspectiva artística para cada uma das músicas do Atlas e trazer as pessoas para dentro do universo que, até então, era puramente auditivo. “Se no cinema a música é usada para potencializar ainda mais as emoções e sensações do espectador, o mesmo pode acontecer, inversamente, com o disco de uma banda. Nossa ideia foi criar essa espécie de enciclopédia misteriosa, da qual ninguém sabe quem é o autor e que contém estudos sobre uma terra desconhecida, repleta de ambientes e criaturas estranhas. Todo o universo poético do disco foi traduzido nesse contexto”, explica Gabriel.

Hiato, por exemplo, fala basicamente sobre o excesso de informação constante que todos nós vivemos hoje. Por isso, a criatura é um ser mecânico, todo feito de estática. Uma espécie de aspirador, que absorve tudo que está perto dela. Já Língua aborda a dificuldade de comunicação, então a criatura é composta por dois corpos, unidos por uma raiz, que passam a vida inteira de frente um para o outro, mas nunca podem se comunicar, já que não têm olhos, bocas e nem nariz. Desde o momento em que começamos a gravar esse disco, sabíamos que ele necessitaria de extrapolar o universo musical, para poder ser inteiro. Se as músicas representam a alma do Atlas, agora, finalmente, demos o corpo que ela tanto merecia” – contextualiza o músico.

Foram, ao todo, seis meses para o desenvolvimento do projeto. As ilustrações, diagramação e design são assinados por Lisa Akerman. A produção gráfica é por conta da editora independente Pipoca Press. A Walprint (RJ) é a responsável pela impressão, e a Entrecampo (MG), pela produção do mapa em risografia. O álbum-livro Atlas tem 32 páginas impressas em papel pólen bold, um mapa impresso em papel manteiga, que envolve o livro, e o CD da Baleia com oito músicas

 

Sobre o “Atlas”

Depois do elogiado CD de estreia, Quebra Azul (2013), a Baleia lançou em março de 2016 seu segundo trabalho, Atlas. Considerado pela banda o resultado de todo o amadurecimento das experiências vividas nos últimos anos, Atlas traz uma evolução natural do primeiro trabalho. Neste álbum, a Baleia se apropria de vez de sua linguagem provocativa, acessível e estimulante. Para produzir o novo CD, o grupo ficou reunido por 10 dias no Estúdio do Pepê, na serra de Araras, no Rio, para ficar totalmente imerso no universo das novas canções.

O projeto é composto por oito músicas que traduzem, de um jeito particular, o universo pop e um tanto experimental que a banda habita. Para a banda, Atlas conversa com o lado mais enérgico e intenso do primeiro disco (Breu, Motim e Despertador), com uma sonoridade mais robusta e percussiva – muitas vezes usando o rock como diretriz. Atlas traz novamente a parceria da Baleia com Bruno Giorgi, que assina a produção musical junto com a banda. É ele também o responsável pelas gravações, ao lado de Diogo Guedes, e pela mixagem e masterização, finalizada em analógico no Estúdio Trilha. As músicas foram gravadas no Estúdio do Pepê (RJ), com exceção do baixo acústico e cello, gravados no Estúdio Maravilha8 (RJ) e as vozes, gravadas no Estúdio O Quarto (RJ). O álbum marca o primeiro lançamento da banda pela Sony Music.

 

Sobre a Baleia

Formada em 2010 por um grupo de amigos do colégio, a Baleia surgiu como uma banda que fazia covers jazzísticos de músicas pop. Depois do sucesso das versões de artistas como Andrew Bird, Justin Timberlake e Britney Spears, a banda lançou sua primeira música autoral, Killing Cupids, em 2011, que rendeu a eles uma indicação ao Prêmio Multishow. A partir deste trabalho, a Baleia começa a explorar novas vertentes nas composições que resultam no primeiro álbum de inéditas, o Quebra Azul, em 2013. Elogiado pela crítica, o CD figurou entre as principais listas de melhores álbuns do ano. A música Casa chegou a ser a 30ª música mais compartilhada do mundo na plataforma Spotify e foi trilha da campanha mundial da marca Melissa. Além disso, em 2015, a banda fez uma turnê pelo país, passando por palcos importantes, como o do Lollapalooza, abriu os shows da banda Imagine Dragons no Brasil e se apresentou com a cantora Elza Soares a convite do prêmio Trip Transformadores. Em 2016, Baleia lançou seu segundo trabalho, Atlas, primeiro com a gravadora Sony Music.

 

 

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