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Grupo Sonhus Teatro Ritual apresenta Travessia Kanü-Shi no Teatro Goiânia

Redação DM

Publicado em 24 de setembro de 2016 às 02:54 | Atualizado há 1 ano

O Grupo Sonhus Teatro Ritual apresentará ao público goianiense o “Travessia Kanü-Shi” neste sábado (24) e domingo (25) no Teatro Goiânia. A entrada é apenas um quilo de alimento. O espetáculo é resultado da investigação da linguagem da dança-teatro butô japonesa que durou oito anos. Ambas as apresentações acontecerão às 20 horas. Esta apresentação integra o “Se Oriente Goiás – Simpósio Ser e Não Ser do Grupo”, sobre dança, teatro e lutas orientais.

No palco, a plateia assistirá a uma peça com muito movimento e pouco texto. “É um poema corporal que exige do público empenho, atenção e sensibilidade. Convida o público a respirar em outro tempo, a desacelerar e mudar de marcha, a voltar à sopa primordial de nossa essência humana e animal, nossa condição de bicho pensante”, comenta o diretor, Nando Rocha.

Esse espetáculo, um dos mais novos do grupo (estreado em 2015), é o resultado da junção e síntese de outros três espetáculos intitulados “Travessia”. Hoje eles estão extintos do repertório, mas já participaram de mais de 20 festivais em todo Brasil, além de ter passado pela Alemanha, Itália e Estados Unidos. Também ganhou, por duas vezes, o Prêmio Funarte de Teatro Miriam Muniz, além de dois editais da Lei Municipal de Incentivo à Cultura e um da estadual – Goyazes.

Sobre o processo de criação

Quem conhece o trabalho de duas décadas do Grupo Sonhus Teatro Ritual sabe que o trabalho corporal é bastante presente em suas criações. “Desde o início estudamos bastante esses movimentos artísticos modernistas do início do século XX, especialmente o expressionismo, o minimalismo e o surrealismo que nos fascinavam em seus conceitos e visualidades”, comenta Nando. Alguns anos depois o grupo conheceu a dança-teatro butô.

Esse movimento artístico no Japão se inspirou nessas mesmas linguagens modernistas da arte ocidental e as mesclou às artes tradicionais japonesas, como o teatro Nô e Kabuki. De acordo com Nando, esta era uma busca por uma expressão que pudesse expor o trauma japonês pós bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki ao final da Segunda Guerra Mundial.

“A identificação estética foi imediata para nós. Também tínhamos uma memória de infância de mutilação e horror causada pelo acidente radioativo do Césio 137, em Goiânia. Queríamos expressar nossas memórias sobre este episódio sem sermos óbvios, muito menos literais”, explica Nando. A dança butô foi a expressão que encantou o grupo e, para dominá-la, trabalharam duro.

“Viajamos muito atrás dos mestres dessa arte pelo Brasil e no exterior. Fomos na Alemanha, Argentina, EUA e Japão para trabalhar diretamente com esses mestres. Não falamos sobre o acidente do Césio 137, assim como o butô no Japão e no mundo não se fala das bombas atômicas lançadas sobre eles. Porém, esses traumas foram os grandes motes para essa expressão radicalmente expressiva como se quisesse mostrar o corpo em seu avesso, em sua máxima expressividade e sensibilidade”, explica o diretor.

Para que o espetáculo se tornasse um trabalho consolidado, contaram com coreógrafos e diretores como Tadashi Endo, japonês residente na Alemanha, onde os atores do grupo estiveram em 2008; com Gustavo Collini italiano residente na Argentina, onde estiveram em Buenos Aires em 2010. Joane Lagge nos EUA, onde estiveram em Seattle em 2008; com Natsu Nakagima e Yoshito Ohno no Japão, onde estiveram em Tóquio em 2010, e Norberto Presta, argentino, e Sabrine Uitz, alemã, ambos à época residentes na Itália, onde estiveram em Vighzollo D’este em 2007.

Sinopse

Kanü-Shi em japonês quer dizer canoa de papel. Quando estamos em mar revolto, um barco é preciso, navegar, viver é impreciso. Navegar é como dançar. É preciso dançar o entre as coisas, o viver e morrer, entre céu e terra, entre começos e fins, entre encontros e partidas. No tempo da travessia vemos memória e imaginação se misturarem neste espetáculo que brinca com o tempo natural da vida cotidiana e o recria no tempo poético da cena. Uma mudança no passo para entrar no compasso impreciso da vida. Dançar, nesse caso, é a transgressão necessária, contrária ao tempo do viver à deriva, fora da canoa, onde tanto queremos embarcar. Dança no balanço de jangada no mar, de brancas nuvens no céu e dos pássaros lutando para voar. Tempo de sonho, sinfonia de vento. Se orientar é preciso.

“Travessia” é um poema corporal. O corpo que é morada de toda a vida. É impreciso expressar rastros por onde passamos. Um corpo que evoca ancestralidade é preciso. Uma canoa de papel é imprecisa, vulnerável como a vida. Completar a travessia é preciso. Infinito não é preciso. Meu coração não contenta: o porto, não!

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Ficha Técnica

Diretor: Fernando Rocha

Dançarinos-atores: Pablo Angelino, Jô de Oliveira e Lorrana Flores

Trilha Sonora e Fotografia: Layza Vasconcellos

Desenho de luz: Nando Rocha

Figurinos: Solange Amarilla, Ana Maria Mendonça e Jô de Oliveira

Confecção: Solange Amarilla (algumas peças atuais), Criatto (figurinos 2010), Maria Eunice Angelino Queiroz (figurino 2008) e Jô de Oliveira (figurinos 2008 e algumas peças atuais)

Confecção Canoa Cenário: Marabá Artesanato

Identidade Visual: Caio Vinhal

Secretaria e Apoio: Zenaide Andrade e Daniele Cassiano

Produção Executiva: Helaine Paula

Assistente de Produção Executiva: Eduardo Araújo

Assessoria de Imprensa: Nádia Junqueira

Produção, Cenário e Realização: Grupo Sonhus Teatro Ritual

 

Espetáculo: Travessia – Kanü-Shi

Datas: 24 e 25/9

Local: Teatro Goiânia

Horário: 20 horas

Ingresso: 1 kg de alimento

 

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