Cotidiano

Bochecha simétrica

Redação DM

Publicado em 17 de setembro de 2016 às 03:23 | Atualizado há 1 ano

Em busca de autoestima e boa aparência, as pessoas estão cada vez mais em busca de procedimentos estéticos. O número de cirurgias plásticas realizado em brasileiros também surpreende. De acordo com uma pesquisa da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps), o Brasil realizou 1,22 milhão de procedimentos em 2015, sendo que em 2013 chegou a liderar o ranking dos países que mais fazem cirurgias plásticas no mundo. Um dos procedimentos estéticos que têm atraído a atenção dos goianos é a bichectomia, ou seja, a retirada total ou parcial de duas bolsas de gorduras presentes uma em cada lado da boca, entre o maxilar e a mandíbula, chamada bolas de Bichat.

Como explica o dentista Fabio Paes, essas bolsas de gordura estão presentes no corpo, não importa se a pessoa está ou não acima do peso, e diferente da gordura de outras regiões após sua retirada, não há chances de voltar a acumular novamente, é um procedimento sem volta. ”A finalidade da bichectomia era inicialmente apenas funcional. Quando o paciente morde a bochecha por dentro da boca, por exemplo, é usada para reabilitação oral. Nesse caso é feita para aumentar o espaço bucal”, explica.

Anos depois de seu surgimento, começou a ser usada nos EUA para fins estéticos, muitas atrizes e atores já fizeram o procedimento. A partir deles, a técnica começou a se tornar famosa. “Eu particularmente faço a técnica há um ano, mas no Brasil tem cerca de dois anos que é realizada particularmente para fins estéticos. Normalmente é indicada para aquelas pessoas que têm o rosto muito redondo ou achatado e querem uma impressão mais longilínea. E não é indicado em casos de pessoas muito magras, que já tenham o rosto naturalmente fino”, esclarece.

É importante frisar que essa gordura não é retirada em sua totalidade, mas apenas de 30 a 40%. Fabio explica que sua função básica no corpo humano é para o momento da amamentação, quando o bebê precisa fazer a sucção do leite materno. “ Depois de adultos, ela perde um pouco a função, passa a ser amortecedora e de lubrificação. Fica entre dois músculos da mastigação, então com o tempo a diminuição dela não fará falta para o paciente“, diz.

No entanto é preciso ter cautela, uma vez feita, a gordura retirada do rosto não se forma novamente. “Por esse motivo é importante que a pessoa conheça muito bem o profissional que irá realizar o procedimento, que ele saiba de fato o que está fazendo. Assim como qualquer outra cirurgia, a bichectomia tem riscos”, avalia.

Fabio Paes explica que a avaliação do profissional é primordial para que não haja arrependimento depois, ele deve observar o formato do rosto do paciente, existem casos em que a técnica não é indicada. “A bola de Bichat é uma gordura que não modifica muito com o emagrecimento ou ganho de peso da pessoa, pois é formada no período embrionário. Caso ele se arrependa do procedimento é possível fazer preenchimento facial, mas é algo mais complexo, por isso a importância de se ter certeza da necessidade antes de partir para o procedimento”, diz.

Cirurgia e riscos

O dentista explica que para fazer a cirurgia é feito corte por dentro da boca de mais ou menos um centímetro. Pode haver a sedação do paciente ou a  anestesia local. A gordura é tracionada e removida, evita-se fazer uma incisão profunda com o intuito de diminuir os riscos da cirurgia. “Como toda cirurgia existem riscos, como a hemorragia, por exemplo. É normal o inchaço do rosto e pode acontecer de ter hematomas. Costumo fazer uma comparação com a extração dos dentes  sisos, tanto para o procedimento quanto para o pós-operatório”, explica.

Fábio lembra que a recuperação acontece de cinco a dez dias, desde que o paciente siga à risca as orientações do dentista, e tome a medicação corretamente. “Outro sintoma frequente no pós-operatório é o trismo, ou seja, a dificuldade para abrir e fechar a boca pela influência dos músculos que estão envolvidos no processo. É indicado que a pessoa evite conversar muito, ela ficará alguns dias com os movimentos mais limitados”, ressalta.

Entre os riscos mais sérios pode acontecer pelo fato da região ser muito vascularizada, portanto é de suma importância a higiene e preparação do profissional, além dos cuidados pós-operatórios a fim de evitar a contaminação. “Depois da cirurgia é indicado o uso de um antisséptico bucal e higienização dos dentes e da boca de forma criteriosa”, ressalta. A neuropraxia, ou seja, quando se lesa algum ramo nervoso, pode ocorrer. “Então outro risco seria a perda da sensibilidade principalmente por dentro da boca, e em casos mais extremos a paralisia facial se a técnica não for feita corretamente” esclarece.

A cirurgia demora cerca de 30 a 40 minutos para ser feita, e custa entre R$ 4 e R$ 7 mil a depender do tipo de anestesia, da estrutura do consultório e do profissional em questão.

A estudante Larissa Peres, 20, fez a cirurgia há quatro meses para fins estéticos. Disse que adorou o resultado e sentiu que seu rosto ficou com uma expressão mais madura, algo que ela aprovou. “Ele tira um pouco daquele aspecto infantil que temos quando o rosto é um pouco mais redondo, não me arrependo e faria novamente”, diz. Ela conta que ficou sabendo da cirurgia pela TV, acompanhando o procedimento feito por celebridades, depois pesquisei na internet e decidi fazer a cirurgia após ter a certeza de que seria segura e eficaz para o fim que gostaria.

A jovem Thaliny Vizza, 23, também fez a cirurgia para fins estéticos. “Eu era muito bochechuda, isso me incomodava, sinto que até mesmo minha autoestima melhorou após o procedimento. O pós-operatório é muito tranquilo, além disso também tinha o incômodo de sempre morder a parte interna da boca sem querer e acabava me machucando, então resolvi os dois problemas, o estético e o funcional”, explica.

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