MP apura compra de votos em Nazário
Redação DM
Publicado em 15 de setembro de 2016 às 02:50 | Atualizado há 10 anosA promotora eleitoral de Nazário, Villis Marra, instaurou investigação para apurar suspeitas de que estariam ocorrendo casos de abuso de poder econômico e compra de votos na cidade. Além de depoimentos pessoais de eleitores que foram assediados para garantir voto no candidato a prefeito pelo PR, Valtuir Francisco Vieira, o Tuíra Buzina. “Denúncias de abuso do poder econômico chegaram a essa promotoria, que decidiu investigar os casos”, explicou.
Segundo a promotora, há relatos de dinheiro oferecido para eleitores em setores da periferia de Nazário, com valores considerados “irrecusáveis” para os padrões das pessoas de baixa renda que foram procuradas. “São ofertas de até R$ 2.000,00 para a família garantir que irá votar em Tuíra Buzina e isso ficou difícil de ficar escondido”, garante um dos investigadores.
Um dos casos mais emblemáticos que chegou ao conhecimento da promotora é o registro em áudio de um dos principais articuladores da campanha de Tuíra. O ex-prefeito Fábio Gabriel de Amorim, que também teve o mandato cassado por compra de votos, aparece na gravação oferecendo R$ 500,00 para um eleitor pregar adesivos de Tuíra em seu carro.
A gravação revela que Fábio conversa com o eleitor sobre a possibilidade dele pregar adesivo de Tuíra e garante que ele será agraciado com alguma vantagem. Na gravação fica claro que Fábio liga para Tuíra explicando que muitos eleitores estão esperando para pregar seus adesivos nos carros, mas que precisam de “todynho, de leitinho”, sugerindo que se trata de dinheiro ou outra vantagem para divulgar a candidatura de Tuíra no carro com o adesivo.
A gravação foi mandada para a promotora. Quem ouviu o áudio identifica de pronto a voz do ex-prefeito Fábio Amorim fazendo a transação financeira por apoio para Tuíra. Além dessa forma ostensiva de propor negociação de dinheiro por voto Fábio, que está com seus direitos políticos suspensos, fala nos palanques da campanha de Tuíra que ele “manda na política da cidade”.
Crime
Para a promotora Villis Marra, o caso é “muito grave” e requer apuração integral da Justiça Eleitoral. Ela diz que pode se caracterizar crime previsto na legislação eleitoral, cuja pena é de até 4 (quatro) anos de reclusão e multa. “Isso é um patente caso de abuso de poder econômico e que se for realmente comprovado poderá ensejar até mesmo cassação do registro de candidatura ou de mandato, caso o responsável seja eleito”.
Quem se habilita a vender o voto também incorre na forma passiva do crime, ou seja, também pode ser preso em flagrante ou responder a processo criminal por vender o voto. “A Justiça, o Ministério Público e a polícia estarão atentos e vigilantes para coibir essa prática criminosa, inclusive prendendo e processando penalmente quem abusar da forma de buscar votos e também de quem se habilita a vender seu voto”, explicou a promotora.
Áudio revela compra de voto
No áudio aparece a voz do ex-prefeito Fábio Gabriel de Amorim e de um homem não identificado (HNI)
Fábio – Nóis tem de arrumar sua vida pra dar um jeito de colocar adesivo nesse carro
HNI – Uai, vocês fica aí só barulhando minha vida, disgrama. Risos
Fábio – Eu vou arrumar isso aqui agora, você quer ver? Vou ver se eu garanto pelo menos uns 500 contos pra você.
HNI – Ótimo. Qualquer tanto que você ajeitar aí prá nóis, tá bom
Fábio – Esses quinhentinhos tá bom/
HNI – Uai, na hora.
Nesse instante Fábio liga para Tuíra para tratar da conversação que está mantendo com os eleitores na porta do comitê. Em dado momento ele se afasta, mas logo retorna e a gravação fica melhor.
Fábio – Oi, bão doutor, tranquilo. Hã, sei, sei demais, doutor. Uai, eu tô ajeitando um negócio aqui pra ele encher o carro dele de adesivo. Já vou adesivar e vou garantir que nóis resolve pra ele à tarde. Até meio dia você está aqui, né? Não demora muito hoje não que hoje é dia daqueles trem senão vai virar uma alvoraçada doida naquilo lá. Então, tá. Nóis encontra prá nóis resolver porque está aparecendo muito trenzinho. Eu vou anotando aqui porque não pode. Toda hora tem um companheiro que quer adesivar, mas cada um quer um “todynho, um leitinho”, sabe. Então tá, falou.
Nesse instante ele fala mais claramente que será “quinhentão lá pra você” e que até as 3 horas estará na mão. Adiante o diálogo se torna uma sucessão de palavrões sobre outras pessoas e encerra com Fábio dizendo que outra pessoa iria em uma chácara encontrar Tuíra para pegar a “bolada”.