Cotidiano

O desafio da tuberculose

Redação DM

Publicado em 11 de setembro de 2016 às 02:49 | Atualizado há 1 ano

A  tuberculose (TB) é uma doença infecciosa e transmissível que afeta prioritariamente os pulmões. Em 1993, a tuberculose passou a ser reconhecida, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma emergência global. O Brasil ocupa a 18ª posição em carga de tuberculose, representando 0,9% dos casos estimados no mundo e 33% dos estimados para as Américas.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a cada ano são notificados cerca de 70 mil casos novos e ocorrem 4,6 mil mortes em decorrência da doença no País. O Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA), em Goiânia, registrou um crescimento no número de notificações da doença. Em 2014, foram 163 casos e em 2015 – 215. Este ano, informou o órgão, até 15 de agosto foram 83 casos de tuberculose.

Dados do boletim epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde apontam que, até fevereiro de 2016, haviam sido diagnosticados e registrados, em 2015, 63.189 casos novos de tuberculose no Brasil. Contudo, o coeficiente de incidência de tuberculose passou de 38,7/100 mil habitantes. em 2006 para 30,9/100 mil habitantes. em 2015, o que corresponde a uma redução de 20,2%.

“Na realidade do ponto de vista global, a taxa de incidência da tuberculose diminui, o número de caso por população se mantém estável, mas a população tem aumentado. No Brasil houve tanto a diminuição do número total de caso como da incidência, apesar disso, o País ainda ocupa uma posição preocupante em números de casos novos por ano”, explica o infectologista e patologista do HDT/HAA João Alves de Araujo Filho.

Abandono do tratamento

Levantamento do Ministério da Saúde (MS) aponta que a proporção de abandono de tratamento de tuberculose no Brasil ainda é alta (11,0%) e, com exceção do Acre e do Amapá, esse resultado está acima do que é preconizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) (5%) em todos os demais Estados brasileiros.

Para o infectologista e patologista do Hospital de Doenças Tropicais Dr. Anuar Auad (HDT/HAA) João Alves de Araujo Filho, as consequências do abandono do tratamento de tuberculose são danosas tanto para a saúde do paciente quanto para as pessoas à sua volta e o próprio sistema de saúde.

“Quando a pessoa abandona o tratamento, ela continua transmitindo a doença, e o abandono piora o quadro clínico, o que vai custar mais caro para o sistema e para a própria pessoa. O abandono aumenta a incidência da tuberculose a qual fica resistente às drogas habituais para o tratamento, o que vai dificultar muito posteriormente”, avalia.

O MS estima que, em 2035, caso o percentual de abandono não sofra alteração, o coeficiente de mortalidade por tuberculose será de 1,17/100 mil habitantes. Com a melhoria progressiva daquele indicador (5% de abandono), no período de 21 anos, seriam evitados 7.092 óbitos por tuberculose no País.

Prevenção

Para prevenir a tuberculose, o infectologista João Alves esclarece que é necessário imunizar as crianças obrigatoriamente no primeiro ano de vida ou no máximo até quatro anos com a vacina BCG. “A vacina BCG só protege as crianças de ter as formas graves da doença, por isso é importante a vacinação dos recém-nascidos para evitar que tenham tuberculose de forma grave”, esclarece.

Ele explica que a prevenção inclui evitar aglomerações, especialmente em ambientes fechados, mal ventilados e sem iluminação solar. “A tuberculose é uma doença vinculada a aspectos sociais e a melhora global das condições sociais, moradia, estão diretamente relacionadas com o combate da enfermidade”.

O especialista ressalta a importância do diagnóstico precoce: “Qualquer pessoa que tiver com tosse há mais de duas semanas deve procurar o serviço de saúde, esse é o principal sintoma da tuberculose, tosse que não para. Por isso a necessidade do diagnóstico precoce para a realização do tratamento adequado”, orienta.

Em 2014, foi aprovada na Assembleia Mundial de Saúde a Estratégia Global e Metas para a Prevenção, Atenção e Controle da Tuberculose. As metas, para cumprimento até o ano de 2035 visam reduzir o coeficiente de incidência para menos de 10 casos por 100 mil habitantes bem como reduzir o número de óbitos por tuberculose em 95%.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu que o alcance da meta de redução do coeficiente de incidência de tuberculose para menos de 10 casos por 100 mil habitantes representa o fim da tuberculose como problema de saúde pública. Para isso, a estratégia prevê o estabelecimento de três pilares: prevenção e cuidado integrado e centrado no paciente; políticas arrojadas e sistemas de apoio; e intensificação da pesquisa e inovação.

De acordo o infectologista e patologista do HDT/HAA João Alves, o Ministério da Saúde tem metas compactuadas para diminuir a incidência em Goiás.  “O Estado de Goiás é um dos Estados com menor incidência de tuberculose no Brasil. Goiânia e Aparecida de Goiânia estão entre os municípios prioritários do combate à tuberculose por concentrarem grande parte dos casos da doença, no Estado”.

Ele acrescenta que, no caso de Aparecida de Goiânia, a prioridade é pelo fato de o município ter o maior presídio do Estado. “Esses grandes presídios são amplificadores dos focos da doença, e caso um preso contraía a doença, ele pode contaminar vários, num círculo vicioso”, observa.

Em 2015, o Brasil atingiu a meta proposta nos ODM (coeficiente de incidência), bem como a redução dos coeficientes de prevalência e de mortalidade previstos pela OMS. Entretanto, a análise dos indicadores epidemiológicos e operacionais dos casos novos e de retratamento demonstrou que o controle da tuberculose ainda continua sendo um desafio no País. A proporção de cura ainda precisa ser incrementada e a de abandono precisa ser diminuída.

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