STF autoriza inquérito da PF para investigar recursos destinados ao filme sobre Jair Bolsonaro
Léo Carvalho
Publicado em 23 de julho de 2026 às 20:30 | Atualizado há 56 minutos
STF autorizou investigação da PF para apurar destinação de recursos relacionados à produção do filme "Dark Horse" | Foto: Edu Andrade
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar a destinação de recursos relacionados ao filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, respaldado por parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo a manifestação da PGR, há elementos suficientes para a instauração de investigação formal sobre os repasses financeiros envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
No centro da apuração está um pedido de recursos feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. De acordo com o material que embasa a investigação, o parlamentar solicitou apoio financeiro a Vorcaro para custear a produção cinematográfica. Flávio sustenta que os valores tinham como única finalidade o financiamento do longa e afirma não haver qualquer irregularidade na operação. Procurado após a decisão do STF, o senador não comentou o caso.
A Polícia Federal pretende esclarecer se os recursos enviados aos Estados Unidos foram integralmente destinados ao filme ou se parte deles foi utilizada para custear despesas do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que reside no país desde fevereiro de 2025, além de verificar eventual financiamento de outras iniciativas de aliados do ex-presidente junto ao governo de Donald Trump. Eduardo nega qualquer irregularidade.
Em declarações anteriores, o ex-deputado classificou como “tosca” a suspeita levantada pela PF. Segundo ele, sua situação migratória nos Estados Unidos não permitiria o recebimento dos valores investigados. Eduardo também afirmou que apresentou às autoridades norte-americanas toda a documentação sobre a origem dos recursos e declarou que apenas cedeu seus direitos de imagem, sem exercer qualquer função de gestão no fundo responsável pela produção.
Segundo a investigação, os recursos teriam sido transferidos pela empresa Entre Investimentos e Participações, ligada a Daniel Vorcaro, para um fundo sediado no Texas e administrado por aliados de Eduardo Bolsonaro.
Ao justificar a necessidade da investigação, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou, em entrevista concedida em junho, que era necessário instaurar um inquérito para apurar todas as circunstâncias relacionadas às transferências financeiras destinadas ao projeto cinematográfico.
Além da iniciativa da Polícia Federal, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) também havia solicitado investigação ao Supremo após a divulgação, pelo site The Intercept Brasil, de um áudio em que Flávio Bolsonaro pede recursos a Daniel Vorcaro para o filme. A Procuradoria-Geral da República, porém, opinou pelo arquivamento do pedido apresentado pelo parlamentar. Posteriormente, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, definiu André Mendonça como relator do caso.
Em nota divulgada nesta quinta-feira (23), a Go Up Entertainment, produtora responsável por “Dark Horse”, afirmou receber a decisão do STF com serenidade. A empresa ressaltou que a autorização para abertura do inquérito não representa conclusão sobre eventual irregularidade, informou que já apresentou prestações de contas às autoridades competentes e declarou que continuará colaborando integralmente com as investigações.
Quando o caso veio a público, Flávio Bolsonaro afirmou que era falsa qualquer insinuação de que os recursos destinados ao filme tenham beneficiado Eduardo Bolsonaro. Segundo o senador, os aportes foram direcionados exclusivamente a um fundo específico da produção, estruturado e fiscalizado nos Estados Unidos.
A divulgação dos diálogos envolvendo o pedido de financiamento, em maio, provocou desgaste político para Flávio Bolsonaro. Conforme o texto encaminhado, o episódio coincidiu com perda de desempenho do senador nas pesquisas eleitorais em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aumentou as dificuldades para a formação de alianças na disputa presidencial.