Independência musical
Redação DM
Publicado em 7 de setembro de 2016 às 02:56 | Atualizado há 10 anosHoje feriadão do proletariado, pra você que escolheu curtir em casa abraçando um computador, ou enfiou o pé na jaca na véspera e agora precisa de hidratação e cultura, aqui vai uns toques de como aproveitar o dia. Uma ideia é ouvir as novas produções musicais goianas lançadas neste mês de “independência”.
Cenas dispersas colocaram trabalhos de qualidade na praça, que caso você ainda não tenha ouvido a editoria do DMRevista te dá um auxílio. Música independente firme na contenção, trazendo à tona toda sorte de pensamento e sensação pra você escolher sua onda: rap, indie rock ou coco. Nesta seleção, uma música, um clipe e um disco goiano pra sacar.
Música, SCA
O grupo SCA, Sociedade Clandestina, é formado por Akord, Ceceu e Derik. Esse grupo de rap já mandou sons geniais, como a música Caneta Terrorista. Este mês eles brindaram a cena com a música Política, abordando essa temática que cada dia mais toma espaço nas discussões pelas ruas. O SCA nasceu no peito da leste, local de Goiânia de onde já saíram muitos exemplares de rap de qualidade. Essa música forte é a opção pra quem se dispõe ao desconfortante ato libertário de pensar.
“Estamos trabalhando desde 2010 e no ano passado surgiu esse tema sobre política. A música nada mais é do que uma narrativa sobre os problemas políticos escandalizados e esquecidos. Estudamos o tema e obtivemos informações dos jornais e da população periférica… a música é pesada, pois a realidade também é”, conta Akord.
Akord continua: “Chegamos à conclusão que é necessário lutar contra o sistema político e protestar por no mínimo saúde e educação. Pessoas pobres entenderão a letra, a revolta da letra, a burguesia talvez não. Muitos fecham os olhos e só abrem quando os afetam.” Finalizo com uma frase dessa música: ‘Eu já não posso acreditar em quem não passa confiança, já não tenho a inocência que tinha quando criança.” A música está disponível no youtube e na página do facebook “Sociedade Clandestina”.
Clipe, Two Wolves
Indie pra quem é de indie. O Two Wolves lançou o clipe de Sold Soul – A estrada até aqui. O vídeo conta com imagens da trajetória da banda cheia de histórias marcantes. Este produto audiovisual da banda, seguindo a lógica de falar sobre a estrada percorrida por eles, começa com um agradecimento. “Oferecemos esse vídeo a todos que nos apoiaram até aqui”. Cenas belas e espontâneas construíram um clipe sincero e muito gracinha. Disponível no youtube pra quem quiser uma pegada mais leve pra hoje.
O clipe mostra o caminho
dos meninos desde quando eram apenas os fundadores da banda, Lineker e Mauricius, que tocavam em formato acústico em shows por bares, festivais, e praças de vários países, até assumirem o formato elétrico com Tyller na bateria, Jordan no baixo (que depois deu o lugar a Yohann), até a chegada do Japa (Cambriana) nas guitarras. No clipe, os recortes de sua história são mesclados com imagens do show da banda no Goiânia Noise Festival 2016. Tudo foi mais uma vez dirigido e editado pelo próprio vocalista da banda. A banda dedica o vídeo a todos os fãs, amigos e apoiadores de seus projetos.
Disco, Passarinhos do Cerrado
Outro lançamento do mês foi o disco Origens, do grupo de coco Passarinhos do Cerrado. O CD conta com 13 faixas, todas autorais assinadas por Rodrigo Kaverna. O nome que leva o álbum reflete a proposta deste trabalho. As canções remetem às origens, não só do compositor, como do grupo, da música feita por ele e do povo goiano.
Após 10 anos nos palcos, a banda Passarinhos do Cerrado, formada por Bruna Junqueira, Cléber Reizim, Milca Francielle, Nádia Junqueira e Rodrigo Kaverna, encontrou neste álbum um meio de resgatar e expor suas raízes.
Este segundo disco é um trabalho feito a muitas mãos. Começa pelo financiamento: além da verba da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, o grupo recebeu mais de R$ 20 mil captados por meio de financiamento coletivo pela internet. Mais de 200 pessoas apoiaram a campanha #EuQueroOrigens e viabilizaram a gravação em Recife, Pernambuco.
O CD foi gravado e mixado no Fábrica Estúdio e masterizado no Estúdio Unimaster, ambos em Recife, no segundo semestre de 2015. A oportunidade de realizar este trabalho na terra do coco proporcionou a produção artística assinada por Juliano Holanda e participações especiais de peso, como Siba, A Matinada, Bongar e Lucas dos Prazeres.