Cotidiano

Setembro amarelo

Redação DM

Publicado em 3 de setembro de 2016 às 02:24 | Atualizado há 10 anos

Quando Iago Lopes (nome fictício), 21, estudante universitário, teve depressão, ele nem sabia o que a palavra “depressão” significava. Ele acredita que tenha começado a desenvolver a doença no início da adolescência, mas só foi diagnosticado aos 19 anos, após tentar suicídio.

Antes disso, porém, e até descobrir que o que tinha não era apenas uma “tristeza que nunca passa”, Iago viveu muitos anos de sua adolescência imaginando por que não conseguia agir e se sentir como uma pessoa normal, e acabava concluindo que ele não se encaixava no mundo.

“Eu não tinha ânimo para nada, não aceitava convites pra sair, não via alegria nem motivação para fazer qualquer coisa. Eu ficava trancado no meu quarto todo o tempo. Nessa época eu tentei suicídio três vezes: duas tomando doses altas de remédio, na outra vez eu tentei pular de um prédio, mas um amigo me segurou”, recorda Iago. Ele então, aconselhado pelos pais, procurou auxílio profissional e finalmente teve seu diagnóstico revelado.

Apesar da doença ser comumente encontrada na sociedade, a realidade das pessoas que precisam conviver com a depressão nem sempre é compreendida pelos olhos daqueles que vivem fora da doença. A falta de perspectiva e motivação para qualquer aspecto da vida pode levar o indivíduo a cometer atos extremos, como o suicídio.

Depressão e suicídio

Bruna Tomazetti, psicóloga clínica, em entrevista ao Diário da Manhã, alerta que existem muitas formas de suicídio, e destaca a depressão: “Se eu sei que eu tenho depressão e não cuido, eu estou cometendo suicídio”, explica.

Ela afirma que as pessoas não têm noção do quanto elas estão se matando aos poucos e muito menos de como buscar ajuda. “Eu trabalho na área da psicologia há muitos anos e percebo como as pessoas são deficitárias de informações. Não é normal sofrer. É normal você ter um ou outro momento de tristeza, mas não fazer dela a regra. As pessoas atualmente sofrem e acham que é normal viver assim e continuar vivendo. Daí elas começam a viver em um mundo de ilusão no qual a pessoa sabe que sofre, mas faz cisão com a realidade e vive em um mundo à parte, é isso que a gente está assistindo: muitas pessoas sem se encontrarem e buscando recursos de ilusão”, explica ela.

A psicóloga explica que a sociedade atual está muito voltada para o imediatismo, para a questão da beleza, a efemeridade das coisas e isso reflete no interno. “As pessoas não estão fazendo realidade interna, elas não estão se conhecendo. Cada vez mais nós temos uma sociedade doente”, destaca.

Para ilustrar essa realidade, Bruna ressalta que a Organização das Nações Unidas (ONU) tem uma projeção para 2030 que a depressão vai ser uma doença corriqueira. “Atualmente 8% da população mundial tem depressão. E aí, o que os governantes e o pessoal da área da saúde estão fazendo em relação a isso?”, questiona a psicóloga.

Setembro amarelo

De modo a prevenir casos de suicídio e conscientizar a população acerca do assunto, o mês de setembro é nacionalmente dedicado ao tema. O chamado “Setembro Amarelo” é uma campanha de conscientização que tem por objetivo alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção.

O evento ocorre desde 2014, sempre no mês de setembro, por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações. No dia 10 de setembro comemora-se o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.

 

Suicídio é questão de saúde pública

O câncer, a aids e demais doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) há duas ou três décadas eram rodeadas de tabus e viam o número de suas vítimas aumentando a olhos nus. Foi necessário o esforço coletivo, liderado por pessoas corajosas e organizações engajadas, para quebrar esses tabus, falando sobre o assunto, esclarecendo, conscientizando e estimulando a prevenção para reverter esse cenário.

Um problema de saúde pública que vive atualmente a situação do tabu e do aumento de suas vítimas é o suicídio. Pelos números oficiais, são 32 brasileiros mortos por dia, taxa superior às vítimas da aids e da maioria dos tipos de câncer. Tem sido um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima está com ideias suicidas.

A esperança é o fato de que, segundo a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser prevenidos. É necessário a pessoa buscar ajuda e atenção de quem está à sua volta.

Mas como buscar ajuda se sequer a pessoa sabe que ela pode ser ajudada e que o que ela passa naquele momento é mais comum do que se divulga? Ao mesmo tempo, como é possível oferecer ajuda a um amigo ou parente se também não sabemos identificar os sinais e muito menos temos familiaridade com a abordagem mais adequada?

 

Evento em Goiânia pretende conscientizar sobre depressão

A psicóloga clínica Bruna Tomazetti divulga que o grupo Staff está promovendo o 10° Encontro Terapêutico no Brasil, sendo o quarto acontecendo em Goiânia. O tema central desse encontro é: depressão, o impacto na roda da vida. O evento acontece hoje (3) das 14h às 19h, no Instituto de Filosofia e Teologia de Goiás (IFTEG), localizado no Setor Universitário. O tema será tratado com técnicas, com situações vivenciais, palestras e testemunhos de pessoas que superaram a depressão.

Bruna explica que esses encontros são frutos de trabalhos no mundo corporativo e clínico. “As pessoas estão tão perdidas que elas não sabem nem se têm depressão e muito menos como buscar ajuda. É um trabalho totalmente de responsabilidade social”, destaca.

Qualquer pessoa que tenha acima de 12 anos pode participar do evento. O valor do encontro é simbólico, 150 reais, que será revertido para manter a instituição IFTEG e para a Comunidade Santa Terezinha, instituição religiosa.

Desconto

Aqueles que forem ao evento porque leram essa reportagem ganham 40% de desconto no valor total do evento. Basta levar o jornal impresso ou em sua versão online.

Qualquer dúvida entrar em contato com o Grupo Staff pelo número  3926-7884.

 

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