Política

O legado de Paulo Garcia

Redação DM

Publicado em 25 de agosto de 2016 às 02:10 | Atualizado há 2 anos

O  prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, fez um balanço preliminar de sua gestão e comemora as obras físicas que deixa para a cidade, ressalta a mudança de comportamento na gestão pública comprometida com a humanização da administração e os conceitos de sustentabilidade que ele implantou de forma inovadora.

Obras de vulto como o Hospital da Mulher e Maternidade Dona Iris, o Complexo Viário Mauro Borges, os corredores preferenciais para transporte coletivo em artérias vitais para o trânsito como a T-9, T-7, T-63 e Avenida Universitária e a estrutura do BRT, que terá um grande trecho inaugurado ainda esse ano, são as lembranças que Paulo faz questão de guardar. Isso sem falar no Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns, que requalifica 130 bairros e os integra ao projeto de qualidade de vida pretendido pela gestão de Paulo Garcia. “Tivemos a grata satisfação de devolver a Praça Cívica à população na forma em que ela foi concebida pelo arquiteto Atílio Correia Lima, que projetou Goiânia. Ele queria a Praça Cívica do modo como está agora, ou seja, um grande boulevard para convivência da população”.

Em entrevista ao Diário da Manhã, ele falou sobre as conquistas na área da educação, com a redução drástica na demanda por vagas em escolas municipais e o fornecimento de kits uniforme para os alunos. “Essa foi a inovação mais agradável que tivemos orgulho de entregar para nossos estudantes, além da abertura de vagas”, falou com satisfação o prefeito. A saúde, área de formação acadêmica do prefeito, também foi analisada e ele avaliou o impacto que a cidade sofre em atender uma demanda muito superior à da Capital, por receber pacientes de praticamente todos os municípios de Goiás e de outras unidades da Federação.

Confira a entrevista

Diário da Manhã – Como o senhor vê um novo rumo para Goiânia após sua gestão? Como a Capital estará nos próximos anos?

Paulo Garcia – Eu tenho uma convicção pessoal que todos os que me antecederam contribuíram de alguma forma para chegarmos onde estamos. Cada um ao seu modo, com suas dificuldades, mas todos deram sua contribuição inestimável com suas virtudes e seus defeitos. Eu, particularmente, considero que vivemos um momento de raras oportunidades, em que a cidade atingiu uma maturidade e está pronta para se desenvolver com qualidade, preservando a vida e mantendo o desenvolvimento sustentável. Quando nós, ainda em 2012, durante a campanha de reeleição, propusemos a tese de desenvolvimento sustentável ninguém tocava nesse tema. Essa era uma ideia genérica que era discutida somente entre quatro paredes e em ambientes acadêmicos. Era uma tese em que as pessoas tinham muitas dúvidas, em que o homem comum considerava isso um assunto muito distante e que nós trouxemos esse tema para a vida cotidiana das pessoas. Eu penso que isso seja irreversível, que não seja mais possível administrar a cidade de Goiânia sem ter como parâmetro a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável. Isso nas diversas vertentes do relacionamento humano. Quando falo sobre esse assunto, não falo somente em sustentabilidade do ponto de vista ambiental. Eu falo em cuidar das pessoas, em preservar a vida, na criação de um ambiente mais promissor para as futuras gerações e falo em sustentabilidade na solução de demandas que são infinitas, dinâmicas e que nos remete todos os dias ao compromisso de manter esses princípios.

 

Diário da Manhã – Qual é o rumo traçado para superar demandas da vida moderna e fazer de Goiânia uma cidade melhor para se viver?

Paulo Garcia – Primeiramente, é preciso dizer que o Brasil precisa sentar e rediscutir o pacto federativo. Não é possível mais os municípios brasileiros ficarem com a menor fatia do bolo. Tudo o que é arrecadado no País em forma de tributo fica em sua grande parte com a União, a segunda maior parte com os Estados e a menor parte com os municípios e sempre buscamos com pires na mão. Isso precisa ser repactuado porque a vida acontece nas cidades, é aqui que vivemos e criamos nossas famílias, é aqui que surgem as demandas e acontece a procura por educação, por saúde, por mobilidade, por habitação, é aqui que as necessidades e a alegria de viver estão presentes. Então, essa repactuação é necessária e urgente. Não vejo em momento algum o Congresso Nacional se debruçar sobre esse tema e mesmo quem ocupa agora a Presidência da República se dedicar a isso como premissa de seu mandato. Enquanto isso não for feito as cidades vão viver com muita dificuldade, até para atender as necessidades básicas de seus munícipes e de suas comunidades. Mas, eu penso que precisamos basicamente investir em algumas áreas e eu fiz isso em momentos de grave crise econômica. Até o final do mandato teremos entregue 40 escolas entre Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil), 40 ginásios poliesportivos cobertos nas escolas municipais que ainda os tinham, 40 novas unidades de saúde. Se dividirmos os meses que ocupei a cadeira de prefeito, que vão dar 80 meses, isso dá uma unidade de saúde, uma unidade de esporte e uma unidade de ensino a cada dois meses. Imagine o esforço que foi necessário para se chegar a isto. Ninguém antes de mim fez isso e eu falo sem exagero. Nenhum prefeito que me antecedeu fez isso e eu digo sem medo de errar nem de ser megalomaníaco. Sem falar nos projetos.

 

Diário da Manhã – O senhor conseguiu reduzir a demanda por vagas no ensino fundamental?

Paulo Garcia – Hoje nós temos, segundo dados dos Conselhos Tutelares, um déficit de 4.215 vagas no ensino infantil, porque no ensino fundamental, que é da 1ª à 9ª série nós não temos demanda, todo jovem ou adolescente que queira estudar em Goiânia tem sua vaga garantida. Quando iniciei minha administração a falta de vagas era de mais de 12.000 vagas e reduzimos para menos da metade. Isso sem falar que no início da nossa gestão tínhamos 17.000 alunos no ensino infantil e hoje temos 33.000 alunos. Lá em 2010, quando assumi, não se distribuía uniforme e nem kit escolar completo para os alunos. Hoje distribuímos mais de 100 mil kits escolares com uniforme completo para todos os alunos da rede de ensino municipal. Isso não existia e foi em nossa administração que demos início a esse processo.

 

Diário da Manhã – O que o senhor reputa como mais importante de obras físicas em sua gestão?

Paulo Garcia – Temos várias para falar. Mas, podemos dizer inicialmente que o Hospital da Mulher e Maternidade Dona Iris é uma obra de referência internacional. Recebemos comitivas de várias partes do mundo para ver como mudamos a forma de abordar a saúde da mulher e não apenas uma maternidade para que mulheres deem à luz seus filhos. Mudou-se a abordagem para ser um acolhimento humanizado onde a saúde da mulher por completo é levada em conta, não apenas uma maternidade onde se faz parto. Só que ela esgotou sua capacidade operacional porque atende inúmeras pessoas que não são de Goiânia. Vou contar uma coisa que ilustra bem essa situação. Outro dia eu fui inaugurar uma quadra coberta poliesportiva em um bairro na Região Oeste de Goiânia. Deviam ter seguramente umas 800 crianças sentadas no chão e criança não mente. Eu fiz uma pergunta que eu já sabia a resposta, mas queria ver a sinceridade na resposta das crianças e fui surpreendido pelo tamanho da coisa. Perguntei quem estudava ali, mas morava em outro município: a resposta foi reveladora, porque mais de 70% dos alunos levantaram a mão contando que não moram em Goiânia. Então, um dos grandes problemas para a Região Metropolitana e que acaba por sobrecarregar a cidade de Goiânia em seus investimentos e no atendimento mais adequado, mais abrangente e célere para sua população, é justamente que Goiânia atende na saúde e na educação pessoas de outros municípios. Tem cidades da Região Metropolitana que há mais de 40 anos que não realizam um parto sequer em suas unidades de saúde pelo SUS, todos são mandados para Goiânia. Então nossas unidades ficam sobrecarregadas e a atenção para a população que vive, trabalha e depende de Goiânia fica comprometida. Talvez se tivéssemos um atendimento só para a população da capital com certeza teríamos um sistema de saúde muito melhor e com mais unidades do que é nossa saúde. Goiânia tem 1,3 milhão de habitantes e 6 milhões de inscritos no SUS. Goiânia acolhe pacientes de 600 municípios, sendo que Goiás tem apenas 246. Ou seja, um contingente monumental de pacientes de outros estados vizinhos. Isso sobrecarrega nossas unidades. Vou dar dado que comprova essa realidade absurda e que quando digo as pessoas falam que esse prefeito está doido. Goiás tem leitos de UTI em no máximo cinco municípios, então vem todo mundo para Goiânia. E a capital tem mais leitos de UTI do que necessita para atender a demanda de sua população. Quando buscamos no Ministério da Saúde verbas para leitos de UTI eles dizem que temos mais do que necessitamos, o que não é de todo uma inverdade, mas eles não sabem que atendemos essa infinidade de outros municípios.

 

Diário da Manhã – Sua gestão teve uma atenção muito grande com os modais de mobilidade urbana. Houve uma mudança de concepção nisso?

Paulo Garcia – Tenho certeza que sim. Agora todo mundo fala que o sucesso dos corredores exclusivos ou preferenciais para o transporte coletivo é algo indelével e que não vai retornar, que precisa avançar e construir mais. Mas, lá atrás, quando começamos com essa inovação houve muita oposição. Concluímos o Corredor Universitário, estamos por concluir o Corredor T-7, fizemos o Corredor T-63, fizemos novos terminais. Não se falava nisso antes. O BRT é outra realidade. Se você percorrer da Praça do Trabalhador até o Terminal do Recanto do Bosque que está sendo reconstruído verá que é uma obra fantástica, que vai remodelar e dar conforto aos usuários e vamos inaugurar todo esse trecho norte até o final do ano. Fizemos também uma coisa que mudou paradigmas em Goiânia, que foi o estímulo ao cicloativismo ou andar de bicicleta. Eu comecei isso na cidade. Vamos deixar 100 quilômetros de ciclovias, ciclorotas e ciclofaixas de lazer ao redor dos parques. Tudo para melhorar o transporte e a preservação da saúde. Ninguém falava nisso e agora virou moda. Mas, não se esqueçam de que quem introduziu isso fui eu. Nenhum administrador que se diz moderno, competente, tocador de obra, realizador fez um metro sequer de ciclovia em Goiânia antes de mim. Esse é um legado que vou deixar. E cuidamos de embelezar a cidade também.

 

Diário da Manhã – Em que sentido?

Paulo Garcia – A Praça Cívica, por exemplo, com grandes obras de arte e vamos inaugurar o complexo de fontes luminosas, que são importadas, belíssimas, com vários circuitos de altura e coloração das luzes, vai virar uma atração turística para a cidade. Além de haver devolvido a ela seu conceito de um grande boulevard, ideia do arquiteto que projeto Goiânia, Atílio Correia Lima.

 

Diário da Manhã – O Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns é uma marca sua. Qual será o grande benefício dele?

Paulo Garcia – Esse projeto foi concebido ainda lá na administração do professor Pedro Wilson, mas foi somente na minha gestão que ele saiu do papel e foi dada a ordem de serviço. Hoje nós temos entregues, graças a esse grande projeto, que é uma requalificação de 130 bairros, centros da saúde da família, obras de proteção a nascentes, protegemos as margens desses córregos e replantamos mais de 100 mudas de árvores ao longo desse arrojado projeto. Ciclovias, pistas de caminhada, parque ambiental com anfiteatro, centros de convivência comunitária e muitas obras de estrutura que vão alegrar a vida dessa grande parte da população.

 

Diário da Manhã – Se o senhor puder deixar um legado de conceitos para as próximas gerações de administradores que virão, qual será?

Paulo Garcia – Sejam comprometidos com a verdade, com a seriedade. Não façam da política a arte da dissimulação porque o povo está cheio disso, de mentir, de não ir e vir, de não tentar encobrir a realidade, de ver o que há de bom nas pessoas. Mas, sejam verdadeiros com nosso povo. A política precisa ser feita de forma séria.

 



“O Brasil precisa sentar e rediscutir o pacto federativo. Não é possível mais os municípios brasileiros ficarem com a menor fatia do bolo. Tudo o que é arrecadado no País em forma de tributo fica em sua grande parte com a União”

 

“Goiânia tem 1,3 milhão de habitantes e 6 milhões de inscritos no SUS. Goiânia acolhe pacientes de 600 municípios, sendo que Goiás tem apenas 246. Ou seja, um contingente monumental de pacientes de Estados vizinhos”

 

“Até o final do mandato teremos entregue 40 escolas entre Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil), 40 ginásios poliesportivos cobertos nas escolas municipais que ainda os tinham, 40 novas unidades de saúde”

 

“Tivemos a grata satisfação de devolver a Praça Cívica à população na forma em que ela foi concebida pelo arquiteto Atílio Correia Lima, que projetou Goiânia”


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