Ganância política motivou morte do prefeito e da primeira-dama
Redação DM
Publicado em 19 de agosto de 2016 às 22:47 | Atualizado há 10 anosPouco mais de um ano após o crime, a Polícia Civil concluiu, ontem, o inquérito que apurou o assassinato do prefeito de Matrinchã, Daniel Antônio de Souza, 50 anos, e da esposa dele, Elizeth Bruno Barros, 40 anos. Presos preventivamente, Dalmi Félix da Cruz, 52 anos, e os então secretários da prefeitura Hélio Soyer, 67 anos (Finanças), e Cleib Bueno de Morais, 39 anos (Administração), foram indiciados por planejar e executar o assassinato, ocorrido na noite de 3 de agosto de 2015.
Pelo que apurou o delegado Valdemir Pereira, titular da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), o crime, que começou a ser planejado em abril do ano passado, teve como principal motivação a ganância pelo poder na cidade. “Tudo começou depois que o prefeito cortou a gratificação da esposa do Hélio, que também era funcionária do município. O Hélio ficou com ódio de Daniel e colocou na cabeça do Cleib, que é cunhado do vice-prefeito e tinha pretensões de se candidatar agora em 2016, que executá-lo seria a única alternativa para que ele ganhasse a eleição”, relatou.
A partir daí, Cleib e Hélio convidaram Dalmi e garantiram que se ele ajudasse no assassinato poderia montar uma empresa, e então ganharia todas as licitações para executar serviços em Matrinchã, tendo uma renda mensal superior a R$ 80 mil. Na noite do crime, ainda segundo o titular da Deic, Hélio saiu com Daniel e Elizeth de uma reunião, e no caminho da chácara em que vivia o casal deu um toque no celular de Dalmi. “O Dalmi chegou logo, e quando viu Daniel e Hélio sentados na mesa, pegou uma marreta e bateu duas vezes na cabeça do prefeito, que caiu agonizando no chão. Ao ouvir o barulho, Elizeth, que estava dentro da casa, chegou correndo e perguntou o que tinha acontecido, e quando abaixou para ver como estava o marido, também foi atingida com marretadas na cabeça. Com o casal caído no chão, o Hélio pegou uma faca e cortou o pescoço dos dois”, descreveu Valdemir Pereira.
Primeiro delegado a investigar o caso, Kléber Toledo, que na época era o titular da Deic, lembra que os três acusados se encontraram várias vezes para combinar o que fariam para atrapalhar o trabalho da polícia. “O Cleib chegou a ir no velório do prefeito e da primeira-dama, disse para parentes da vítima que aquele crime não podia ficar impune e garantiu que os ajudaria a lutar por justiça. Depois disso, nós flagramos várias vezes o Dalmi e o Hélio em postos e bares de Goiânia combinando o que fariam para desviar a atenção e tentar imputar o crime a outras pessoas”, contou Toledo.
Ao concluir o inquérito, que será remetido ainda ao Poder Judiciário, a Polícia Civil indiciou Hélio e Dalmi por duplo homicídio e Cleib Morais por homicídio, já que, segundo as investigações, ele arquitetou apenas a morte do prefeito. “A Elizeth só morreu porque eles não podiam deixar testemunhas”, concluiu o titular da Deic.
Durante a apresentação da conclusão do inquérito à imprensa, familiares das vítimas estiveram na porta da Deic onde elogiaram o trabalho da polícia e exibiram faixas pedindo justiça. (Com informações do site Mais Goiás)