“Abomino a política do ódio, atuo em favor da concórdia”
Redação DM
Publicado em 19 de agosto de 2016 às 03:05 | Atualizado há 2 anos- A cidade não para de crescer,porque dialoguei com governos, partidos, instituições e entidades de classe”
- Ex-governador e prefeito aplaude a iniciativa do governador Marconi Perillo de propor aliança entre
o PSDB e o PMDB de Iris Rezende em Goiânia, “um gesto que contribui para quebrar paradigma”
O ex-governador e prefeito Maguito Vilela (PMDB), já na reta final de seu segundo mandato, afirma que tem a consciência de que conclui a sua gestão, com “êxito”, por ter buscado o caminho do diálogo, do entendimento, da parceria, mesmo com gestores de partidos diferentes do seu. Ele sustenta que a administração, em Aparecida de Goiânia – cidade com maior população do que cinco capitais brasileiras – porque deixou para tráz a política do “ódio, ressentimento, revanchismo e do atrasado”.
Maguito Vilela comemora a realização de uma “administração monumental”, graças, segundo ele, as portas abertas que teve junto aos gabinetes do presidente Lula (PT) e Dilma Rousseff (PT), e do governador Marconi Perillo (PSDB). “Desde o primeiro dia do meu mandato, em 2009, busquei o diálogo, sepultei a política da perseguição e do revanchismo. Aliás, já agi assim quando governei o estado.”
O prefeito peemedebista elogia a iniciativa do governador Marconi Perillo de propor aliança do PSDB com o PMDB de Iris Rezende, em Goiânia. “Foi um gesto magnânimo. O próprio Iris também já havia proposto a conciliação da política goiana na década de 90. Se não prosperou antes e agora, certamente vai evoluir no futuro. Os gestos de Iris e Marconi, incompreendidos, servirão de paradigma em breve”.
Ele lembra que, além de ter coloado, em prática, a parceria político-administrativa entre a prefeitura de Aparecida de Goiânia e o governo Marconi, também foi o primeiro a defender aliança do PMDB com o PSDB para as eleições deste ano, no município. “Na democracia, temos que buscar amplas coligações, sem discriminação a qualquer legenda.”
Maguito Vilela acredita que, com o andamento da campanha eleitoral, Gustavo Mendanha, candidato do PMDB à sua sucessão, vai tornar-se conhecido, convencer o eleitorado de que seu plano de governo é melhor e vencer as eleições em 2 de outubro. “Gustavo Mendanha, apesar de jovem, tem experiência e talento político.”
A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA
Quais são os motivos pelo bom desempenho de sua administração, conforme atestam as pesquisas de opinião pública?
– É simples explicar o sucesso de qualquer administração pública quando se realiza em parcerias com os governos estadual e federal e entidades de classe. Em primeiro lugar, destaco o desempenho da nossa equipe, bem formada, competente e que atua de forma harmônica. O administrador eficiente precisa realizar parcerias com as entidades de classe, cooperativas, sindicatos, clubes de serviço, maçonaria, igrejas, Ministério Público e Judiciário. Tudo isso foi feito na nossa gestão. Fizemos parcerias com as instituições financeiras como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e com o Banco Andino, fora do Brasil e que nos emprestou recursos para a realização de obras. As parcerias não dão errado, contribuem com o desenvolvimento de qualquer cidade, estado ou país. Aconselho aos gestores a realizarem parcerias sadias. Foi o que aconteceu com os Estados Unidos, com as parcerias público-privadas. Deu certo lá e em outros país e tem que dar certo no Brasil também.
Quando tomou posse na prefeitura de Aparecida de Goiânia, o senhor iniciou diálogo com Lula e depois Dilma Rousseff e com Marconi Perillo, rompendo com a política do provincianismo, buscando o exercício da política de alto nível… Por que esse caminho?
– Adotamos em Aparecida de Goiânia, aliás, já o fizemos quando exercemos o governo de Goiás. Não colocamos farol na nuca e sim na testa. Não falamos mal dos ex-administradores. Ao contrário, tivemos o respeito por todos eles. Tivemos e continuaremos tendo. Não discriminei partidos políticos. Em razão desse comportamento, buscamos dialogar com o governo de Goiás, com o governo federal, com o Congresso Nacional para conseguirmos os recursos necessários para a realização das obras importantes que Aparecida de Goiânia necessitava para darmos o saldo de qualidade que a cidade exigia, implementarmos uma gestão consistente e progressista. Aparecida de Goiânia tem crescimento em nível chinês, em torno de 20%, 21% ao ano. Com a crise econômica brasileira, diminuiu o crescimento, hoje em torno de 15% ainda. É um fato inédito no Brasil uma cidade como cresceu Aparecida, como investiu Aparecida. O nosso desenvolvimento foi alcançado com recursos municipais, estaduais, federais e da iniciativa privada.
Não é chegada a hora de o país virar a página da política de xingatório, da desqualificação dos adversários e de terra arrasada?
– Esse comportamento tem que ser abolido do mapa político do Brasil. Aliás, já devia ter sido abolida há muitos anos. É a política arcaica, atrasada e que envergonha a todos, nivela os políticos por baixo. É a política equivocada que leva as pessoas a pensar que todos os políticos são malandros, desonestos e corruptos. E todos sabem que esses mal políticos são minoria. A política da má vizinhança, da perseguição, do atraso, do xingatório, do revanchismo tem quer abominada. A política é arte de se fazer o bom, fazer justiça social, atender ao conjunto da sociedade, atender às demandas das pessoas. Política não é guerra, é paz, é concórdia, é convivência civilizada. A política não pode ser feita com ódio, rancor. É estupidez o radicalismo político. Repudio a política de terra arrasada, de baixo nível, de mesquinharia, pois isso promove a desconstrução na vida pública de quem a pratica. Pratico a política pensando no bem comum, com ideal, olhando para frente.
Como o senhor recebeu a iniciativa do governador Marconi Perillo de enviar emissários ao ex-governador Iris Rezende para propor aliança entre o PSDB e o PMDB em Goiânia?
– Recebi como um gesto que merece elogios. É preciso dizer que Iris Rezende, em seu segundo mandato como governador, na década de 90, tomou a iniciativa de propor o entendimento entre as forças político-partidárias, a pacificação da política goiana. O governador Marconi Perillo também pratica um gesto magnânimo. O gesto de Iris, no passado, não foi bem entendido, como a iniciativa de Marconi agora não foi também bem assimilado. Esses gestos servem para quebrar paradigmas. Vai chegar um momento que outros líderes serão bem sucedidos quando acenarem para a grande conciliação entre os políticos de vários matizes ideológicos e de posicionamentos partidários. Assim ocorrendo, a política goiana será pacificada. E Goiás é que sairá ganhando, o estado será mais respeitado nacionalmente.
Antes mesmo de gesto como esse de Marconi Perillo, o senhor já defendia, em Aparecida de Goiânia, uma aliança de forma suprapartidária, envolvendo o PMDB e o PSDB…
– Não só defendia como agia nesse sentido. É importante eu defender a união das forças políticas e dar o exemplo. Hoje, nas eleições municipais deste ano, conseguimos aglutinar quatorze partidos de ideologias diferentes, de esquerda, de direita, de centro. No exercício do cargo de prefeito, por dois mandatos, exercitei essa política de respeito às ideologias, às minorias, às diversidades, fazendo a política da boa vizinhança. Pratico a política do bem. É preciso respeitar a todos, os jovens, os idosos, valorizar as mulheres, abrir espaços para todos os segmentos da sociedade.
O senhor acha possível realizar uma aliança entre o PMDB e o PSDB para as eleições de 2018?
– Na democracia, é possível todas as alianças político-partidárias. Na democracia, tem-se que buscar a aglutinação de forças para se realizar o bem à população. É possível o PMDB continuar a fazer alianças com o PT, DEM, PSDB e outras legendas. Já tivemos, neste estado afora, importantes alianças do PMDB com o PSDB e PT. O PMDB e o PSDB estão juntos em aliança nacional para sustentação do governo Michel Temer. Com o PT, já fizemos alianças para o governo do Estado e em diversos municípios goianos. Não vejo nenhuma dificuldade entre alianças do PMDB com diversos partidos, desde que a aliança seja transparente e que venha em benefício do país, do estado e dos municípios.
Iris Rezende é favorito na disputa pela prefeitura de Goiânia?
– O ex-prefeito Iris Rezende é um grande gestor e político. Todo mundo sabe disso, todo mundo conhece as qualidades do Iris. Eu entendo e as pesquisas estão mostrando que Iris é o favorito para vencer as eleições em Goiânia.
Em 2018, o senhor vai disputar mandato de governador ou senador ou pretende abrir espaço para seu filho, Daniel Vilela?
– Eu não vou mais disputar eleições em nível estadual ou municipal. Já cumpri a minha missão. Quero ajudar o país, o estado e os municípios sem ter mandato eletivo, sem cargo político, sem exercer função pública. Eu me atrevo a dizer que tenho hoje experiência para ajudar. E vou ajudar os gestores municipais e estaduais que me chamarem para contribuir com ideias e projetos. Acho que tenho uma contribuição a dar até em nível federal, pela minha experiência, exatamente por ter passado por diversos cargos como de vereador, prefeito, deputado estadual e federal, vice-governador, senador e governador. Tenho uma experiência também em minha vida como vice-presidente de governo do Banco do Brasil. Agora, deixem os mais novos disputarem mandatos eletivos. Os deputados Daniel Vilela e Pedro Chaves, o senador Ronaldo Caiado e tantos outros jovens talentosos podem disputar importantes cargos em Goiás.
O vereador Gustavo Mendanha ainda é desconhecido por grande parte da população aparecidense, segundo pesquisas. O senhor está convencido de que vai conseguir transferir votos e alavancar suficientemente a candidatura do PMDB à prefeitura de Aparecida de Goiânia?
– Gustavo Mendanha é um candidato que tem todas as qualidades e condições para prosperar na política. É formado, já tem dois mandatos de presidente da Câmara de Vereadores, foi secretário municipal de Esportes. Ele tem experiência em Brasília, fora do Brasil, com visitas em Angola, Israel e outros países. É um jovem com grande futuro político. O que é preciso é tornar conhecida as suas ideias e o seu plano de governo e, naturalmente, ganhar as ruas para ter contatos com a população. Aparecida de Goiânia tem hoje quase 600 mil habitantes, uma cidade que tem população maior do que seis capitais brasileiras. Gustavo é nascido aqui, criado aqui e não é tão conhecido pelo fato de a cidade ser muito grande e esparramada. Temos em Aparecida cinco cidades dentro de uma só. Aparecida não tem emissoras de rádio e televisão locais, o que aumentam as dificuldades de comunicação. Espero que Gustavo se torne conhecido, que ganhe as eleições e que possa dar sequência a ascensão desenvolvimentista que Aparecida de Goiânia experimenta hoje.
Prefeito, muitas obras em dois mandatos?
– Muitas obras. Nos quase oito anos, foram investidos, como eu disse, 1 bilhão de reais em saúde, educação e infraestrutura, sendo 61% com recursos da própria prefeitura. Na saúde, o Hospital Municipal está ficando pronto, com 220 leitos e 30 UTIs. Além disso, está sendo construído o Centro de Especialidade e Diagnósticos. São 32 novas unidades de saúde construídas em todas as regiões da saúde, sendo três UPAs e 29 UBSs. Na educação, são cinco escolas modelo e 32 ginásios de esportes e quadras poliesportivas cobertas. Todas as escolas foram reformadas. Trinta e três escolas em fase de implantação. Dez CMEIs construídos. Conseguimos a expansão do polo universitário com UFG, IFG e UEG, duas faculdades de medicina. Seis milhões de metros quadrados de asfalto, em 115 bairros, três eixos viários e mais de 300 quilômetros de recapeamento de ruas e avenidas. Quatro parques urbanos, duas praças CEUs, Cinquenta academias ao ar livre e anfiteatro com capacidade para setecentas pessoas.
Aparecida de Goiânia tem tido um bom tratamento do governo Temer?
– Aparecida de Goiânia teve ótimo tratamento dos governos Lula e Dilma e também de instituições como a UFG, IFG, IF Goiano, UEG e tantas outras. Nesses quase oito anos, levamos asfalto para 115 bairros. O governo Marconi também teve presença na nossa cidade, através da Celg, Saneago, Detran. Tivemos parcerias, ainda não concluídas como a Avenida da Paz, mas eu espero que o governador venha a concluir essa obra importante para os aparecidenses. Na Avenida da Paz, a parte da prefeitura foi realizada, falta a parte do estado. Fizemos parcerias n BR-153, na GO-040, todas obras fundamentais para a cidade. São parcerias com os governos federal e estadual, como eu disse, e também com instituições financeiras e entidades de classe. Com gestor, chego ao final do meu mandato com a consciência do dever cumprido. Não criei atrito nenhum na classe política de Aparecida. Faço política sem discriminar religião, minorias, raças ou ideologias. É preciso respeitar os jovens, os idosos. Hoje, Aparecida é uma cidade pacificada, unida e que, seguramente, tem um futuro promissor muito maior do que antes de 2009 quando tomei posse. Me lembro que as picuinhas políticas tomavam conta das repartições políticas e isso não existe mais.
Qual a sugestão que o senhor oferece aos gestores municipais que sairão das urnas de 2 de outubro em Goiás:?
– Os futuros prefeitos, vice-prefeitos e vereadores devem praticar a boa política, ou seja, a de parcerias. Parcerias com membros dos governos do Estado e da União, com os representantes de entidades de classe, empresariado, de clubes de serviços, universidades e instituições financeiras. Não há melhor política do que a de parcerias. O futuro prefeito precisa saber que governo não faz oposição a governo. Para se alcança sucesso na administração pública torna-se necessário interagir, agregar valores e somar forças.
Após tantos escândalos de corrupção, envolvendo políticos, partidos e empresários, o senhor acredita que o Brasil vai melhorar, sair desse ambiente de crise e viver uma nova e promissora fase na vida pública?
A sociedade brasileira não suporta vivenciar tantos escândalos, tantos atos de corrupção. Em um regime democrático e com a imprensa livre, tudo é passado a limpo. A Operação Lava Jato tem investigado e passado o país a limpo. Quem praticou corrupção, ficou comprovado, deve pagar pelos crimes que praticou. Infelizmente, os escândalos Mensalão e Petrolão atingiu políticos, agentes públicos, integrantes da iniciativa privada. É chegada a hora de aprovar uma profunda reforma política, moralizar a doação de recursos privados nas campanhas eleitorais. Se está proibida a doação de recursos das empresas às campanhas eleitorais, é preciso aumentar a vigilância ao caixa dois. O Brasil é um país viável, tem uma população trabalhadora e recursos minerais riquíssimos. Vamos sair da crise e voltar ao crescimento econômico, para gerar empregos e renda e melhorar a qualidade de vida das pessoas.
“O país já deveria ter virado a página da política o atraso, do ódio, da perseguição, do ataque ao adversário. Defendo a política do bem, da paz e da concórdia”
“Aparecida de Goiânia é uma cidade pacificada, unida e que, seguramente, tem um futuro promissor muito maior do que antes de 2009 quando tomei posse”
“Não vou mais disputar mandato eletivo. Quero aproveitar minha experiência para colaborar com os novos gestores públicos. Daniel Vilela, Pedro Chaves, Ronaldo Caiado e outros políticos devem ocupar os espaços”
“O ex-prefeito Iris Rezende é um grande gestor e político. Todo mundo sabe disso, todo mundo conhece as qualidades do Iris. Por isso, ele é favorito em Goiânia”
PERFIL
Luiz Alberto Maguito Vilela
- Naturalidade: Jataí (GO)
- Curso Superior: Direito
- Esposa: Flávia Teles
- Filhos: Vanessa, Daniel, Maria Beatriz, Miguel Ozório
- Cargo atual:segundo mandato como prefeito de Aparecida de Goiânia.
Cargos já ocupados:
- Vereador, presidente da Câmara Municipal de Jataí (1977-1983)
- Deputado estadual; líder do Governo na Assembléia Legislativa (1983-1987)
- Deputado federal (Constituinte, 1987-1991)
- Vice-governador de Goiás (1991-1994)
- Governador de Goiás (1995-1998)
- Vice-presidente nacional do PMDB (2000-2001), assume a presidência em 2001, com a renúncia de Jader Barbalho)
- Senador (1999-2007)
- Vice-presidente da Área de Governo do Banco do Brasil (2007-2008)
- Eleito prefeito de Aparecida de Goiânia, em 2008, exerceu todo o primeiro mandato (2009/2012)
- Reeleito em 2012 e no exercício do segundo mandato (2013/2016)
- Vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos (FNP) para as Cidades com Alta Vulnerabilidade Social – G100 (2009/2012)
- 2º vice-presidente da Frente Nacional de Prefeitos (2013/2014) e reeleito para o biênio 2015/2016


