Desativada 2

Revirando o passado

Redação DM

Publicado em 19 de julho de 2016 às 01:30 | Atualizado há 1 ano

No topo da casa, o sótão é o lugar onde lembranças são guardadas e o indesejado é esquecido. Nossa residência pode até ser segura e banal, mas esse espaço escondido é um dos poucos que ainda permitem certo mistério no cotidiano. O quarto escuro e empoeirado serve de metáfora para o atual projeto musical dos irmãos Lucas e Gabriel Queiroz, batizado de Sótão. Ex-integrantes do grupo de metalcore Off 1984, os músicos goianos deixam os riffs pesados e o vocal gutural de lado e se voltam para o básico, revisitando antigas composições da época da adolescência para compor o novo trabalho.

“Chegou um momento que a gente sentiu necessidade de experimentar pra além do metal. Fui resgatar algumas letras nos meus cadernos de infância. Minhas primeiras músicas, escritas quando tinha quinze anos. Foi aí que surgiu o Sótão: do reencontro com essas memórias há tanto tempo guardadas”, conta o baixista e vocalista Lucas, 24 anos.

Além dele e de Gabriel (vocal e guitarra), a Sótão ainda conta na sua formação com Asafe Ramos (guitarra e teclado) e Ronaldo Bueno (bateria). Criada em 2015, a banda já se prepara para lançar o seu primeiro EP homônimo no próximo dia 20, disponível para streaming gratuitamente através do link: http://facebook.com/bandasotao.

Distribuído pelo selo goiano Falante Records, o CD é composto por seis faixas, dentre elas o single A Vida Me Ensinou, trabalho de estreia da banda lançado em fevereiro, juntamente com um vídeo clip. O álbum foi gravado no Estúdio Casa do Chá e produzido por Luis Calil e Israel Santiago, integrantes do grupo Cambriana.

Para quem acompanha a carreira dos irmãos Queiroz desde o Off 1984 – grupo no qual tocaram por cinco anos, lançando um EP e quatro singles, além de apresentações em festivais como Vaca Amarela (GO), Grito Rock (GO) e Release Alternativo (GO) -, o Sótão soa como se estivesse a degraus de distância.

A nova banda tem influências que vão do post-punk ao pop rock dos anos 1980, de Radiohead a U2. “Eu e o meu irmão crescemos ouvindo britpop, coisas mais melódicas no hardcore. Mas essas influências nunca apareceram de forma explícita em nossas outras bandas. Pra quem vê de fora, a mudança do metal pra algo mais pop pode parecer uma ruptura, mas na verdade, essas influências vêm de longe. Fazem parte da nossa formação musical”, afirma o baixista.

As letras também refletem a fase mais contemplativa e íntima, como, por exemplo, a faixa El Salamino, baseado numa história de pirata inventada pelo avô de Lucas e Gabriel. Até o cachorro da família ganhou uma homenagem em forma de canção, Olavo conta a saga do pug caolho de estimação que um dia resolveu fugir de casa.

“O EP usa de ponto de partida a nossa infância para fazer um contraponto com o mundo adulto. Se por um lado as letras tratam de insegurança e de medos, por outro, elas são cheias de esperança e otimismo. Basicamente, nós amadurecemos. O passado deixou de ser um trauma e o futuro ganhou um fôlego novo. É como diz o refrão de Abajur: ‘Eu sempre tive fé/ De que tudo iria clarear’”, define Lucas Queiroz.

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