A ocultação da representatividade das mulheres na política brasileira
Redação DM
Publicado em 16 de julho de 2016 às 02:54 | Atualizado há 10 anosDe acordo com dados disponíveis em bases governamentais desde 1880 as mulheres lutam por uma maior representatividade no cenário político brasileiro, como exemplo: podemos citar no período do Império a dentista Isabel de Mattos Dillon evocou na Justiça a Lei Saraiva (que permitia aos detentores de títulos científicos votar) para requerer seu alistamento eleitoral.
Diversas outras inciativas para permitir o voto feminino ocorreram nos anos posteriores, mas somente em 1928, o Brasil elegeu a primeira prefeita, Alzira Soriano de Souza, na cidade de Lages RN, sendo a primeira mulher na América Latina assumir tal cargo, foi eleita 4 anos antes do voto feminino torna-se direito no país, fato que mostra a grandiosidade política e social que Alzira Soriano alcançou. Após este fato, diversas mulheres ganharam destaque como percursoras em cargos políticos, lembro que este destaque não é necessariamente vinculado a suas ações nos cargos, mas sim pelo fato de serem mulheres atuando em um campo majitoriamente masculino em uma sociedade extremamente patriarcal e sexista, citamos como exemplo. Carlota de Queirós a primeira deputa Federal (1933), Luiza Erundina eleita prefeita da cidade de são Paulo (1989) Em 1994, Roseana Sarney é a primeira mulher escolhida pelo voto popular para chefiar um Estado, o Maranhão. E em 2011, Dilma Rousseff tornou-se a primeira presidenta do país.
Em 1995 foi promulgado a lei nº 9.100 a qual destina 20% dos postos políticos serem ocupados por mulheres, em, 1997 este número foi alterado para 30% e em 2010 uma outra medida aplicada pelo TSE promoveu a reforma da lei obrigando que 30 % seria a proporção mínima das mulheres em partidos políticos e a concorrerem aos cargos. No entanto, o cenário de representatividade feminina na política brasileira é degradante, nas eleições de 2012 as mulheres representavam 51.7% dos eleitores, fator que não significa uma participação efetiva nos cargos. E de acordo com o TSE houve um aumento da participação feminina nas eleições do ano supracitado, neste ano 7.647 (13.3%) mulheres foram eleitas vereadoras em todo o país no Estado de Goiás das 5.465 candidatas 276 (12.2%) foram eleitas vereadoras, sendo que, no município de Inhumas nenhuma (0) mulher foi eleita para tal cargo. A cidade de Inhumas nas eleições de 2012 teve como registro 39.025 indivíduos aptos a votar sendo 20.236 (52.08%) de eleitoras, em relação a candidatos/as foram 141 indivíduos concorrendo para o cargo de vereador sendo 44 mulheres o que dá um percentual de 31% dos candidatos.de acordo com TSE. Podemos observar que mesmo tendo como maioria e eleitoras e 31% de candidatadas a cidade de Inhumas não colocou nenhuma mulher para representante na câmara
Como evidenciamos este problema não é recente na sociedade brasileira e pode ser evidenciado no alto escalão político, citamos o caso dos partidos políticos no Brasil dos 35 partidos registrados no TSE, somente 4 são presididos por mulheres PMB – Partido da Mulher Brasileira presidido por Suêd Haidar Nogueira, o PTN (Partido trabalhista Nacional) tendo Renata Hellmeister de Abreu, no exercício da presidência, o PMN (Partido da Mobilização Nacional) com Telma Ribeiro dos Santos como presidenta e o PCdoB( Partido Comunista do Brasil) com Luciana Barbosa de Oliveira Santos
Evidentemente que este tema é muito mais profundo e complexo e necessitaríamos de um espaço maior para explanarmos sobre a problemática, ao direcionarmos o nosso olhar para a pequena província de Inhumas Go, tendo como base de dados as eleições do ano de 2012, é possível verificar que a Luta por inserção na política apoiada aos movimentos feministas deve ser contínua e intensa.
(Flávio Henrique da Silva – professor- [email protected])