Desativada 2

Um rei infame

Redação DM

Publicado em 25 de junho de 2016 às 03:11 | Atualizado há 1 ano

Ele deslizava no palco com seu moonwalk. Praticamente inventou o videoclipe. Nasceu para cantar, compôr, dançar, mas mesmo assim se esforçava para fazer ainda melhor. Hipnotizava, encantava e emocionava o público. Mesmo com tudo isso, parecia nunca estar completo. Estava sempre insatisfeito, seja com o próprio corpo, com a fama e talvez pelo simples fato de ter crescido. Este era Michael Jackson, o rei insuperável do pop. Ninguém fez o que ele fez – seja para o bem ou para mal. Hoje completam-se sete anos que o astro saiu de cena, mas é fato que sua “vida” após a morte ainda é movimentada e lucrativa.

Desde aquele fatídico 25 de junho de 2009, data que sofreu uma parada cardíaca em sua casa, na vizinhança de Holmby Hills, Los Angeles, Estados Unidos, sua imagem nunca pôde descansar em paz. Assim, notícias sobre novos trabalhos inspirados na carreira artística disputam bravamente os noticiários, com polêmicas sobre sua vida pessoal. Mas estas últimas sempre ganham.

O site Radar Online, por exemplo, no começo da semana divulgou um relatório policial relacionado a uma batida na casa de Michael Jackson em 2003 que encontrou imagens de crianças e de conteúdo mórbido e pornográfico. A notícia foi refutada pela família do cantor, e a filha de Michael, Paris Jackson, até usou suas redes socais para defender o pai. “Infelizmente as notícias negativas e polêmicas sempre venderão. Peço que ignorem o lixo e os parasitas que fazem uma carreira tentando difamar meu pai”, disse em um trecho do texto.

Outra notícia que circula por aí é que os últimos dias de vida do rei pop vão ser explorados por J. J. Abrams numa série baseada no livro de Tavis Smiley “Before You Judge Me: The Triumph and Tragedy of Michael Jackson Last Days, que foi lançado na última sexta-feira (23). É fato que todo este movimento em torno da figura de Michael Jackson já era mais do que esperado e, por alguns, até almejado.

O agitado mundo da fama o acompanha desde quando tinha apenas 11 anos. Seu sossego acabou na década de 1960, quando começou a encantar a todos com tamanha capacidade vocal, carisma e “molejo”, vinda de garotinho que cantava os hits I’ll Be There, I Want You Back ou ABC feito gente grande. Nesta época tinha ao seu lado os irmãos Jackie, Tito, Jermaine e Marlon, e juntos formavam um dos grupos mais populares da época, o Jackson 5.

E parece começar daí os motivos da decadência posterior deste ídolo, pois não é segredo para ninguém que os passos sincronizados e aquela voz afinada foram moldados às custas de muito sofrimento para o pequeno Michael, que só queria ser a criança que era. Muitas vezes o próprio ídolo relatou que sofria com a rigorosa rotina de ensaios e cobranças violentas vinda do seu pai, Joseph Jackson.

Contudo, o talento era nato e o mundo queria e precisava de mais Michael Jackson. Os danos psicológicos disso tudo até então passaram incólumes e o garoto crescido rumou para carreira solo. Em 1979, começou a mostrar artisticamente a que veio, com o álbum Off The Wall – que trazia clássicos do calibre de Don’t Stop Together Enough. Contudo, muito mais ainda estava por vir no disco seguinte: Thriller (1982), que foi um dos discos mais vendidos do showbusiness, com mais de 110 milhões de cópias vendidas no mundo.

O disco era “destruidor”. Além das canções Billie Jean e Beat It, a faixa homônima do álbum, ele transformou em um curta-metragem de terror de quase 14 minutos. Dirigido pelo cineasta John Landis tudo nesta produção se tornou emblemático, desde a jaqueta vermelha que usava até a coreografia, muitas vezes imitada e celebrada em filmes mais atuais, como De Repente 30, por exemplo. Tal clipe era incessantemente exibido na MTV norte-americana, e ele o primeiro artista negro a ser tão popular na emissora.

Sim, a esta altura, ele era o rei absoluto dos videoclipes. Mas, neste mesmo ano, o artista provou que podia ser ainda mais genial ao vivo. A oportunidade de mostrar isso veio no mesmo ano, no aniversário de sua gravadora de longo tempo, a Montown. Na celebração, o ídolo fez uma performance de Billie Jean e ainda “tirou onda” com o seu moonwalk, que, claro deixou a todos embasbacados. Foi nesta performance que usou pela primeira chapéu e jaqueta pretos e a famosa luva de lantejoulas.

 

Transformações

Em 1984, antes de gravar outros grandes discos de sucessos como Bad (1987), Dangerous (1991) e HIStory (1995), aconteceu outro fato relevante, que pode também ter definido a forma com que o ídolo partiria desta vida. Neste ano, no auge do sucesso, ele sofreu um acidente enquanto gravava um comercial de refrigerante. Teve o cabelo incendiado por fogos de artifício e sofreu queimaduras de segundo grau no couro cabeludo.

As dores dos ferimentos, muitos acreditam que teriam sido as responsáveis pelo vício do ídolo pelos medicamentos e, mais: pode ter começado daí a obsessão do artista pelas cirurgias plásticas, que iriam desfigurar seu rosto posteriormente.

As mudanças no corpo de Michael só começariam a ser nitidamente notadas em 1991, com o lançamento do álbum Dangerous. No clipe de uma das músicas, o hit Black or White, o primeiro artista negro a liderar as listas musicais da MTV, aparecia com a pele bem mais clara e o nariz cirurgicamente mais fino.

A presença de Macaulay Culkim, que na época era um dos artistas mirins mais famosos, pelos filme Esqueceram de Mim 1 e 2, também pôde ser notada no vídeo–e futuramente, o ator seria envolvido em polêmicas sobre possíveis atos de pedofilia praticados pelo cantor.

Assim, em 1996, quando veio ao Brasil, para gravar o clipe da canção They Don’t Care About Us, que teve direção de Spike Lee e participação do grupo Olodum, as mudanças de Michael saltavam aos olhos. Sua pele parecia ter perdido toda pigmentação. Mas, esta altura Jackson já tinha afirmado, como justificativa, sofrer de vitiligo e lúpus, que são doenças que causam alteração na pele.

Durante a década de 90 notícias de seu estilo de vida quase fuscaram, o talento musical incomparável. E, olha que neste período a carreira ía muito bem obrigada. Ele fez a turnê internacional de Dangerous uma apresentação icônica no Superbow. Nesta década, ele casou com Lisa Marie Presley, mudou ainda para sua “disney” particular, o rancho Neverland, que mais lembrava um parque de diversões.

Porém, o que parece tê-lo destronado por um momento foram as denúncias do jovem Jordan Chandler, de 13 anos, que acusou Michael de abuso sexual em 1993. As investigações foram arquivadas em 1994 por falta de provas especula-se que a família fez um acordo com artista de quase 15 milhões de dólares. Já em 2003 foi acusado de abuso sexual de menor por Gavin Arvizo, e o artista novamente negou as acusações.

Ao final, esta mente criativa e de talento inegualável foi se tornando frágil. E seu rosto cada dia mais disforme. Invencible (2011), o último álbum em vida do artista, foi um fracasso e até boicotado pela própria gravadora por problemas contratuais.

A sorte parecia mudar com a produção da anunciada última turnê do ídolo This Is It, que iria fazer mais de 50 performances pelo mundo. Mas, este show nunca chegaria a estrear. Infelizmente.

 

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