Brasil

O plebiscito é a saída

Redação DM

Publicado em 24 de junho de 2016 às 02:32 | Atualizado há 10 anos

É desolador para o brasileiro consciente da realidade e conhecedor da história do seu país assistir ao tristíssimo papel que desempenha a maior parte da nossa grande imprensa. Nesta semana, por exemplo, em vez de registrar e analisar o desastrado primeiro mês do golpismo do poder, ou seja, os atos denunciadores de absoluta falta de escrúpulos praticados nas primeiras semanas de Michel Temer na presidência, um desses grandes veículos jornalísticos, simplesmente, em matéria de capa, procura focalizar a figura do ex-presidente Lula de modo comprometedor para a sua biografia. Essa estratégia jornalística obviamente visa tirar da opinião pública o foco das absurdidades cometidas pelo temerismo, ou seja, pelo apenas iniciante período do vice-presidente eleito em 2014 pela coligação PT–PMDB. Nenhum dos absurdos do governo Temer teve registro não apenas desse órgão de imprensa, como também de nenhum dos jornais e revistas que se empenharam pela ascensão ao poder de inescrupulosas forças políticas por vias não eleitorais, portanto antidemocráticas.

Foi registrada e comentada a iniciativa de Temer de acabar com o Ministério da Cultura? Houve crítica, condenação ou mera notícia das nomeações de três delinquentes para três ministérios? Houve algum texto a significar pressão pela cassação do mandato de Eduardo Cunha? E contra o presidente do Senado Renan Calheiros foi escrita matéria pela sua punição? E quanto à presença de Waldir Maranhão na presidência da Câmara dos Deputados, o que diz o hebdomadário? E sobre o incrível número de quase 29 mil funcionários de uma das Casas do Poder Legislativo Nacional, a Câmara dos Deputados? Resposta: absolutamente nada foi dito sobre essas mazelas. Exata e obviamente porque aos pregoeiros antidemocrátas não interessa que a opinião pública nacional seja conscientizada dos propósitos e dos métodos daqueles que se apoderaram do governo da República sem precisar de disputar eleições.

Além da honestidade já aqui sublinhada da posição da Folha de São Paulo após o impeachment, a revista Carta Capital têm semanalmente cumprido uma linha jornalística de denúncia das mazelas que vêm caracterizando a ação dos detentores do poder após o chamado impeachment. Em seu último número lê-se este texto de capa: “A delação de Sérgio Machado atinge em cheio o PMDB e o próprio Michel Temer e provoca a queda de mais um ministro”.

Na internet encontra-se o seguinte texto:

“Na reportagem de capa da edição desta semana, a revista CartaCapital aponta a “decomposição” do governo de Michel Temer com o avanço da Operação Lava Jato. O texto reúne os últimos acontecimentos, que resultaram, nessa semana, no envolvimento do nome do próprio presidente na investigação e na queda do terceiro ministro da gestão interina: Henrique Eduardo Alves, do Turismo.

“A delação complica mais um pouco a vida de Temer. E não só por acusá-lo de recorrer a propina para socorrer um correligionário ou por conta de outra baixa na equipe ministerial”, diz a reportagem. Segundo o texto, o PMDB de Temer, “empurrado para o centro da Lava Jato”, “sai enfraquecido e reduz ainda mais a margem de manobra de um governo de legitimidade contestada, dono de uma agenda impopular e que ainda luta para se consolidar com a aprovação final do impeachment”.

“De quebra, o avanço da Lava Jato sobre a porção da legenda no Senado adiciona incertezas ao caótico quadro político e atrapalha a tentativa de Temer de mostrar força para aprovar seu duro pacote”, destaca ainda a matéria.”

Carta Capital, como deixa claro numa das suas últimas edições, preconiza que se delegue ao povo a decisão do problema político-institucional que o Brasil está a viver: “Ao povo a decisão” é uma das manchetes da respeitada publicação semanal. E acrescenta, como subtítulos: “O desastre do governo interino – impeachment em xeque, Instituições falidas – caos político, econômico e social; O plebiscito é a saída”.

 

(Eurico Barbosa, escritor, membro da AGL, da Associação Nacional de Escritores, advogado, jornalista, escreve neste jornal terças & sextas-feira)


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