Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas
Redação DM
Publicado em 4 de junho de 2016 às 02:54 | Atualizado há 10 anos
O teatro da PUC estava lotado no último dia 03 de maio para a apresentação do espetáculo Casa de Arte In Cena, no palco uma variedade de apresentações desde “The Music Of The Night, do Fantasma de Ópera até hip hop”. Foi uma oportunidade para alunos da periferia de Aparecida de Goiânia, irem ao teatro, sendo que alguns estudantes também tiveram o ensejo de apresentarem seus talentos.
É a arte quebrando barreiras, isso mesmo, até hoje vemos coordenadores, diretores de escolas que acham que a arte causa tumulto no ambiente escolar, porém, encontrei escolas públicas engajadas com teatro, música, dança e cinema. Conversei com algumas envolvidas na apresentação.
Como está a arte na regional de Aparecida de Goiânia? – Idelma (subsecretária de Educação): “Um sucesso total! É uma equipe que já vem trabalhando entrosadíssima fazendo a itinerância, trabalho diretamente com as unidades educacionais, inclusive com o aluno, a Casa de Arte vem atuando cada fez mais, do ano passado para este ano aumentamos os trabalhos nos municípios. Este trabalho de itinerância tem aproximado o artista do aluno, então, os artistas da Casa de Arte tem feito um trabalho brilhante, isso em qualquer bairro e os alunos têm dado o retorno com essas magnificas apresentações, então, para nós é motivo de muito orgulho, muita satisfação, um trabalho de excelência, com profissionais capacitados, preocupados com o nosso alunado, isso é motivo de orgulho para cada um de nós da subsecretaria, ver que os alunos estão engajados, estão preparados, motivados e acima de tudo uma alegria imensa. É um trabalho com alegria, então, parabéns a todos participantes desse belo espetáculo.”
A subsecretaria de Educação Regional de Aparecida é pioneira com relação a um departamento voltado para a cultura, as linguagens artísticas dentro das unidades escolares – Idelma: “A Subsecretaria de Aparecida tem feito um trabalho diferenciado, a itinerância com as artísticas e culturais tem crescido muito em todas as unidades educacionais, então, a escola solicita é feito um cronograma. O diferencial é que a equipe da Casa de Arte é multiprofissional em todas as áreas. Acredito que é a única regional que tem esse trabalho dos artistas irem até as unidades educacionais.”
O departamento pedagógico trabalha diretamente com as artes nas escolas, como funciona isso? – Ione Rodrigues (diretora do Núcleo Pedagógico): “Primeiro nossos alunos não têm acesso a cultura, depois nós temos muitos alunos que têm talento, esse espetáculo como aconteceu aqui hoje vai aprimorar, suscitar neles aquele talento e reconhecer os talentos que têm na educação na nossa subsecretaria.”
Quais projetos culturais vocês estão trabalhando? – Ione Rodrigues: “Nós temos os tributos que são homenagens aos grandes escritores, que os alunos passam o ano todo lendo as obras literárias e no final tem a culminância com apresentações artísticas de teatro, dança. Temos a Casa de Arte com a dança o teatro, cinema, a música e artes visuais. O mais importante que nós estamos tendo é a Casa de Arte itinerante, vai à escola, suscita os talentos, mostra o que nós temos de bom e os alunos ficam encantados de poder vivenciar a arte, porque ouvir falar, estudar é uma coisa, vivenciar, sentir, poder deliciar com a arte cultura faz uma diferença na vida desses alunos.”
Como é trazer a Casa de Arte para o teatro junto com os alunos? – Geraldo Márcio (diretor da Casa de Arte): “Com o intuito pedagógico eu penso que nós alcançamos o nosso objetivo com plenitude, que foi trazer os alunos carentes da periferia que nunca tinham estado em um teatro em uma apresentação que envolve todas as artísticas e culturais em cena num espetáculos de 50 minutos.”
A arte está ganhando espaço dentro da educação? – Geraldo Márcio: “Desde de 2007 com a lei que direciona as artísticas e culturais é obrigatório o ensino de arte dentro das unidades escolares. Com o intuito de melhorar isso, a subsecretaria de educação de Aparecida de Goiânia tem um núcleo pedagógico das artísticas e culturais; A Casa de Arte, que vem trabalhando com tudo que é pertinente a essa lei de diretrizes básicas.”
Como está o teatro na educação? – Pollyana Bento (diretora teatral): “Acredito que há mais dez anos isso tem crescido muito, as pessoas assimilam e aceitam mais essa linguagem teatral, juntando a música, dança e até mesmo o vídeo ele compõem essas quatro linguagens e tem crescido muito, as pessoas têm se envolvido muito mais, isso tem alastrado mesmo para a sociedade e nós temos uma aceitação muito maior. É importante pra mim trazer o público ao teatro de uma forma pedagógica, com uma didática direcionada e mostrando para eles que vale a pena vir ao teatro, tentando construir um pouquinho mais essa cultura aqui em Goiânia.”
A dança tem espaço na educação? – Marly Leite (bailarina): “Eu venho acompanhando uma evolução na dança, estou no Estado há treze anos e como minha linha de trabalho é a dança contemporânea eu consigo ver o tanto que ela cresceu dentro das escolas. Essa noite que nós vivenciamos aqui neste teatro é a concretização do trabalho que vem sendo feito ao longo desses treze anos, a gente tentando inserir novos estilos de dança, então, eu só vejo com bons olhos. Os alunos têm uma aceitação muito grande, mesmo com aquilo que é desconhecido, porque quando eu comecei a trabalhar contemporâneo na educação pouco se conhecia, hoje já é mais comum, vai ampliando esse reportório, estilos de dança dentro das escolas.”
Qual escola sua filha estuda e o projeto que ela participa? – Débora Ribeiro: “Colégio Pedro Neca, ela participa do grupo Ritmos que é de Hip hop, lá têm criança que gosta de dançar e outras gostam de assistir, o grupo existe há três anos. Essa questão de vir ao teatro é muito emotivo porque motiva as crianças para participarem da escola.”
Fale sobre seu projeto na unidade escolar. – Mayara Ferreira (professora no projeto escolar): “São vários grupos de dança; Street dance, danças populares, dança contemporânea. O nome do grupo é Ritmos, representamos a escola, também temos um grupo de iniciantes que apresenta dentro da escola.”
Que avaliação você faz da cultura dentro da escola? Mayara Ferreira: “Os meninos ficam felizes, eles gostam do projeto, não só da dança, tem outros projetos; teatro, música, é muito bom mesmo. A arte está sempre presente na nossa escola. Eles apresentaram pela primeira vez em um teatro e estão emocionados.”
Como é participar de um grupo cultural dentro da escola: – João Gabriel (aluno): “É muito legal interessante, posso aprender vários tipos de cultura me inteirar mais das coisas, fiquei mais disciplinado na sala de aula e me motivar a ir para a escola, eu estudo no Colégio Estadual Pedro Neca em Aparecida de Goiânia.”
Arte e educação propiciando experiências novas para toda a comunidade escolar e que venham outros espetáculos com esse formato.
(Edson Barbosa, escritor, fotógrafo, educador, produtor cultural)