O que separa a boa política dos interesses pessoais
Redação DM
Publicado em 19 de maio de 2016 às 01:53 | Atualizado há 10 anosDiante da conjuntura que vivemos, com uma forte crise política que ainda não se encontra sanada, torna-se difícil dissociar o bom do ruim, o justo do injusto, o correto do salafrário, a boa intenção da malandragem – enfim, sabermos separar o joio do trigo, pois parece que todos os políticos foram atirados na vala comum da picaretagem. Mas não é bem assim, existem os de boas intenções e grandes serviços prestados!
A bondade na política não pode estar associada apenas à generosidade do trato; no sorriso nem sempre verdadeiro; na “boa intenção” que muitas vezes não é a correta. Ela deve estar consolidada na maneira correta de agir, na fidelidade e na lealdade aos companheiros, com responsabilidade no trato da coisa pública e sensibilidade comedida diante as necessidades existentes, não permitindo que suas ações e deliberações descambem para o campo do populismo.
A palavra política provém do grego politéia, que era usada para se referir a tudo relacionado a polis (cidade-estado) e à vida em coletividade. Sua definição está na arte ou ciência da organização, direção e administração de nações e Estados (ciência política).
Mas o que é coletividade para alguns é interesse pessoal para outros. Não é difícil separar onde predomina a vaidade em detrimento dos reais interesses do povo. Aqui é que podemos medir fatores importantes na política: a idoneidade e o desprendimento pessoal.
Dizem que o povo tem o governante que merece, pois aos eleitores é atribuída a responsabilidade da escolha, no que discordo em parte. Embora faltem aos eleitores mais interesse pela política, mais atenção em sua escolha e mais cuidado na avaliação, a grande maioria é enganada. Muita gente ainda carrega consigo a generosidade e a credulidade no ser humano e não tarda a serem escarnecidos. Portanto, se existem os que escolhem mal, também há os que são ludibriados. Uma verdade inconteste está no que vem sendo verificado no impeachment de Dilma Rousseff, que está provisoriamente afastada e receberá o justo julgamento no Senado, pois os das ruas, há muito já o teve.
Nasci e cresci ouvindo e participando da política. Os meus primeiros ensaios nesse campo se deram na minha cidade natal, Silvânia, com o apoio aos “irmãos coragem” – Henrique Santillo para o Senado Federal e o seu irmão, Adhemar Santillo, para a Câmara Federal. Para deputado estadual, o apoio foi para Joaquim Domingos Roriz, no início de carreira. Desde 1990, sempre estive nas campanhas de Marconi Perillo (Assembleia Legislativa, Câmara Federal, Governo de Goiás, Senado e novamente ao Governo).
Na década de 1970 ainda carregávamos um ranço de partidarismo forte. Ou era de um lado ou de outro, momento em que ocorria muita cizânia por conta da sigla que escolhíamos. No meu caso, herdava do meu avô Juca dos Santos e de minha mãe, Rita Cordeiro do Vale, os vestígios do Partido Social Democrático (PSD), posteriormente, ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Do outro lado estava a Aliança Renovadora Nacional (Arena), que para muitos era a continuidade do Regime Militar.
Independentemente dos partidos, era forte a paixão pela sigla. Até meados dos anos 70, sempre havia uma morte em Silvânia pela paixão partidária (infarto, tiro ou arma branca). Até hoje é perceptível esse descontrole, pois muitos pensam que política é como futebol, onde a paixão supera qualquer razoabilidade. É comum ouvirmos: “Há 30 anos voto neste partido e nunca haverei de mudar!”. Direito legítimo – mas nem sempre os partidos carregam a melhor escolha.
Aliás, as decisões pessoais de alguns sobrepõem-se aos partidos, o que podemos medir e nos precaver. Quais são as reais intenções de um candidatura? O porquê de certas separações que nos causa surpresas. Ante as cisões, existem muitos pontos que são evidentes, sendo o principal deles a vaidade que conduz a manobras políticas eivadas de vícios e negociatas.
Se um determinado empresário supostamente vai bem nos seus negócios, o que o levaria a se entregar à política? Quais os motivos de alguns chegarem ao disparate de pagar por partidos e alianças? Quem compra e vende apoio deve ser expurgado da política. No Brasil, essa prática tem sido combatida e não é correto que aceitemos o seu prosseguimento.
Manter o que está dando certo é sensato. Romper uma aliança por mera vaidade é certeza de insucesso, principalmente, quando carregam consigo pessoas e partidos de conduta duvidosa e ações que maculam a ética na política.
Devemos respeitar até mesmo nossos opositores, pois quem se julga o melhor já inicia o erro com sua prepotência. Em política, se é preciso mais que apoiar uma pessoa, é necessário avaliarmos com quem caminha no seu projeto político.
Da mesma forma que aguardamos com expectativa a junção de forças no novo governo de Michel Temer – que poderá dar certo se se evitar o fisiologismo, minimizar a estrutura de governo e consolidar as reformas necessárias que há muito tramitam no Congresso Nacional –, nos pequenos municípios também poderemos ver o sucesso na continuidade de governos que, mesmo envoltos em muitas dificuldades, conseguiram estabelecer a ordem e manter um curso de progresso e conquistas para os seus munícipes.
Em Silvânia, especialmente, quero declarar aqui o meu incondicional apoio ao prefeito José Faleiro (PSDB), caso este confirme sua candidatura. Zé Faleiro demonstrou ao longo de seu governo desprendimento partidário (chegando a ser expulso do seu antigo partido – PT), não aceitando o cabresto ideológico. Soube, com humildade e muito trabalho, levar benefícios importantes para minha terra, principalmente em educação, saúde e infraestrutura. Trata-se de um silvaniense que merece o meu respeito pela atitude proba, que tem o apoio do governo estadual, que continuará com plena convicção, dando-lhe apoio em mais dois anos futuros de seu mandato.
Zé Faleiro tem conseguido unificar pessoas, o que é mais importante do que partidos. A sua continuidade não parte de um desejo único, de vaidade pessoal, status ou necessidade, mas do anseio de um grupo que, por si só, denota respeito, lealdade, comprometimento, companheirismo e fidelidade, adjetivos escassos no meio político.
Que Silvânia se inspire no exemplo dado por seu município vizinho – Vianópolis – onde o jovem prefeito Issy Quinan Júnior tem exemplificado a Goiás a maneira moderna e correta de se fazer política e de administrar: conseguiu eleger e manter em sua base de apoio os nove vereadores; mantém sua equipe unida e irmanada no desejo de bem servir a sua gente, o que o evidencia como um dos melhores prefeitos do Estado e um candidato até o momento, sem opositor para o próximo pleito.
Em política não devemos desmerecer pessoas, pois algumas pelas suas próprias atitudes se desmerecem e caem no vazio de suas ambições. É preciso, sim, optar por aqueles que merecem nosso respeito por suas condutas probas, cuja retidão e princípios da ética norteiam seus caminhos.
Que o interesse coletivo sobreponha ao pessoal em Silvânia. Boa sorte, Zé Faleiro! Dedico-lhe o meu incondicional apoio.
(Cleverlan Antônio do Vale, graduado em Gestão Pública, Administração de Empresas, pós-graduado em Políticas Públicas e Docência Universitária, doutorando em Economia, articulista do DM – [email protected])